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11/05/2012 13h11 - Atualizado em 11/05/2012 13h11

Crianças e jovens com HIV têm maior perda auditiva

 

Estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP observou que crianças e jovens com HIV têm maior prevalência de perda auditiva do que a população não portadora do vírus.

A pesquisa, de autoria da fonoaudióloga Aline Medeiros da Silva, verificou que há principalmente três tipos de fatores que podem levar à perda auditiva, sendo eles o próprio vírus da AIDS, as infecções decorrentes da doença e o remédio utilizado para controlar a doença.

Foram usadas duas classificações diferentes para avaliar o que é a perda auditiva.

A classificação ASHA é mais rigorosa e classifica pequenas alterações já como sinais de perda auditiva.

Segundo Aline, ela é boa para “ficar de olho”, pois aponta pequenas alterações. Já a classificação BIAP é mais prática e menos rigorosa.

Por intermédio do exame audiométrico em 106 jovens, com idade entre 5 e 19 anos, na cidade de São Paulo, observou-se que a prevalência de perda auditiva foi de 59,4% pela classificação ASHA e 35,8% pela BIAP.

“Na população que não possui a doença os dados não são padronizados, mas a prevalência varia de 2% a 24%”, diz Aline.

Na pesquisa Avaliação das perdas auditivas em crianças e adolescentes com HIV/Aids, a fonoaudióloga observou também que a ocorrência de otite média supurada — infecção no ouvido com saída de líquido (pus) — é um fator de risco para a perda auditiva.

Na amostra, observou-se que quem já havia tido este tipo de otite teve perda auditiva, tanto pela classificação ASHA quanto pela BIAP.

Lamivudina (3TC)

Analisando os antirretrovirais tomados pelos jovens da pesquisa, também foi observada uma relação entre o antirretroviral Lamivudina (3TC) e a perda auditiva, pela classificação BIAP.

Nos jovens que não usaram o 3TC e tiveram ou não otite média supurada, a prevalência de perda auditiva foi de 11,5%, mas esse número chegou a 70,8% naqueles que utilizaram a lamivudina e tiveram otite média supurada.

Segundo o estudo, ter otite média supurada dá 5,7 mais chances de um jovem com HIV ter perda auditiva, e o 3TC dá 5,8 mais chances.

A fonoaudióloga pontua que o 3TC é descrito pelos jovens como um remédio com gosto bom, o que contribui para sua alta adesão com esse público.

Consequentemente, há maior exposição aos possíveis efeitos colaterais do antirretroviral.

Também foram analisados fatores como o tempo de uso do medicamento, a duração do tratamento e a idade do paciente, mas esses fatores não influenciaram a ocorrência de perda auditiva.

“O que observamos é que a prevalência de perda auditiva entre quem usou o medicamento e já teve otite média supurada foi muito elevada, independente do tempo de uso”, diz ela.

Segundo Aline, a associação do medicamento com a perda auditiva foi uma surpresa.

Ela acredita serem necessários novos estudos para verificar se a Lamivudina realmente causa a perda auditiva em crianças e jovens como efeito colateral, pois até agora os únicos estudos a respeito relacionaram efeitos de alguns medicamentos antirretrovirais somente em adultos.

Com a classificação ASHA também foi observado que os jovens que tiveram encefalopatia pelo HIV (doença no sistema nervoso central que pode levar a grandes sequelas neurológicas) também tiveram maior prevalência de perda auditiva.

Para Aline, sua pesquisa alerta para uma situação: a de que os jovens com AIDS têm queixas auditivas e que devem ser realizados estudos em cima disso.

“Entre os jovens da amostra, 27,4% deles se queixaram de dificuldade de audição no último ano, ou seja, é necessário um programa de acompanhamento para eles”.

A autora do estudo sugere um programa de acompanhamento periódico e a longo prazo para evitar a perda auditiva. Segundo ela, como hoje os pacientes têm uma sobrevida maior, tomam o remédio por mais tempo e há mais efeitos colaterais.

Desse modo, se torna ainda mais importante pesquisar o efeito dos medicamentos (especialmente o 3TC+) na audição.(Agência USP de Notícias)

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