15/06/2013 11h20
Uma das doenças que mais assustam as pessoas atualmente é o câncer. E por isso mesmo, a American Society of Clinical Oncology (ASCO) realiza um encontro anual justamente para expor os novos estudos sobre o tema.
E dois deles, apresentados no dia 2 de junho, focaram em um assunto semelhante: dois novos medicamentos que buscam ajudar no tratamento ao atacar o sistema de camuflagem dos tumores, que os fazem ser identificados mais lentamente pelas células de defesa do corpo.
As duas drogas atuam na chamada imunoterapia, método que trabalha a partir dos caminhos de ativação das células T, algumas das células de defesa do nosso organismo.
Um medicamento já aprovado para o combate ao melanoma usa essa técnica, através do caminho CTLA. Agora, outro caminho foi encontrado, com as proteínas PD-1 e PD-L1.
O anticorpo usado para atacar a primeira delas foi testado em 140 pacientes com melanoma, câncer de pulmão, câncer renal, câncer colorretal e do aparelho digestivo.
Em 29 dos pacientes houve um encolhimento do tumor, mas foram apresentados efeitos colaterais como alergia, inflamação do intestino e hepatite.
Já o medicamento que atua contra o PD-L1 foi testado em 304 pacientes, apresentando resultado de redução do tumor em 31% dos pacientes com melanoma, 16% com câncer de pulmão e 29% com câncer renal.
Mas os cientistas ainda pretendem ampliar os testes com outros tipos de cânceres.
Os cientistas, em todo caso, enxergam um avanço, principalmente porque até hoje a imunoterapia tem sido usada mais para melanoma, e câncer dos rins e dos pulmões raramente têm sido ligados a esse tipo de tratamento.
Para Jedd D. Wolchok, do Comitê de Programas Científicos da ASCO, em entrevista para o portal da instituição, a descoberta mostra que a imunoterapia não é apenas uma tecnologia focada em um tipo de tumor, o que é importante, pois é um tipo de tratamento que resulta em regressões com resultados duráveis.
Por não atacar o tumor, mas suas camuflagens, há um menor risco de adaptação da estrutura contra o método, como ocorre com a quimioterapia e a radioterapia.
Cuidados para tornar o tratamento eficaz Na hora do diagnóstico, mil dúvidas pontuam a cabeça de quem acaba de descobrir que está com câncer.
"Não importa o estágio em que o câncer foi descoberto, sempre há como ajudar o paciente", afirma a psico-oncologista Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO). Segundo ela, apenas em metade dos casos de câncer descobertos é possível falar em cura.
Isso não quer dizer, entretanto, que a outra metade não possa ser ajudada. "O acompanhamento médico pode melhorar e muito a qualidade de vida do paciente, ajudando no controle da dor ou proporcionando mais conforto", afirma.
Segundo o oncologista Anderson Arantes Silvestrini, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o diagnóstico do câncer em fase inicial aumenta não só as chances de cura, mas também o tempo de sobrevida do paciente com câncer. "Além disso, o tratamento tende a ser menos tóxico e com menor tempo de duração".
O oncologista faz uma comparação apontando que a taxa de cura de pacientes com câncer de mama em estágio I é de 90%, enquanto que a taxa de cura de pacientes com o mesmo problema em estágio III é de 40%. Por isso, cultivar bons hábitos de vida e realizar exames de prevenção é fundamental.
Tumores em estágio mais avançado demandam tratamentos mais intensivos e, na maioria das vezes, mais tóxicos. "Isso não significa, obrigatoriamente, que o paciente irá sofrer mais ou que não deverá ter esperança", afirma a psico-oncologista Luciana.
De acordo com a especialista, hoje o paciente tem inúmeros tratamentos à disposição e diversos medicamentos que controlam efeitos colaterais. Assim, embora o tratamento do câncer em estágio avançado seja mais agressivo, nem sempre isso significa um desconforto muito intenso.
A frase pode incomodar o paciente, mas, de fato, cada caso é um caso. "Isso significa que você não pode basear seu prognóstico no de um colega, ainda que ele tenha o mesmo tipo de câncer e receba o mesmo tratamento", afirma a psico-oncologista Luciana.
De acordo com o oncologista Anderson, cada vez mais o tratamento do câncer tem sido individualizado, o que aumenta as chances de sucesso e reduz os efeitos colaterais. Consequentemente, os resultados também são os mais variados.
Levar ou não um acompanhante às consultas médicas é uma decisão que cabe somente ao paciente, mas os especialistas apontam que ter alguém ao lado em um momento tão difícil tende a ser positivo.
"O paciente não precisa enfrentar a doença sozinho", diz a psico-oncologista Luciana. O acompanhante pode ajudar oferecendo apoio emocional, tirando dúvidas e lembrando episódios que o próprio paciente esqueceu.
"É fundamental o conhecimento dos efeitos colaterais dos tratamentos para não ser pego de surpresa e conseguir lidar melhor com eles", alerta o especialista Anderson. Mas lembre-se de que não há regra.
Cada paciente reage de determinada maneira, ou seja, nem tudo está previsto pelos médicos e alguns sintomas adversos podem não aparecer. Alguns pacientes, por exemplo, começam a apresentar efeitos colaterais de quimioterapia apenas após o quinto ciclo do tratamento.
Cada vez mais, o tratamento de um paciente com câncer se torna mais complexo e, portanto, mais completo, afirma o oncologista Anderson. Oncologistas, enfermeiras, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais trabalham juntos para individualizar o tratamento, aumentando as chances de sucesso.
Por isso, a integração com essa equipe é fundamental. A confiança entre o paciente e os profissionais de saúde é a base para um tratamento eficaz.
Após o diagnóstico do câncer, o que não falta é dúvida. Meu cabelo vai cair com o tratamento? Terei náuseas e enjoos? Precisarei mudar algo em minha rotina? Por isso, a psico-oncologista Luciana recomenda que seus pacientes comecem um diário o quanto antes.
Nele, o paciente deverá anotar como passou cada dia, quais dúvidas surgiram e quais sintomas apareceram. "Isso facilita as consultas médicas e evita que o paciente se esqueça de perguntar alguma coisa".
É recomendado que o paciente com câncer acompanhe a divulgação de pesquisas clínicas juntamente com seu médico. Afinal, de acordo com o oncologista Anderson, essa pode ser a única opção de acesso a um tratamento e a medicamentos de ponta para alguns pacientes.
"Vale lembrar que as drogas usadas nesses tratamentos experimentais já foram avaliadas anteriormente em testes subclínicos e testes de segurança". Antes de investir, entretanto, é imprescindível discutir seus benefícios com o especialista que acompanha o caso.
Se o paciente não se sentiu à vontade com seu médico ou se não saiu do consultório com segurança, então, deve buscar uma segunda opinião. "Ter confiança na equipe médica que está cuidando do seu caso melhora inclusive a aderência ao tratamento", afirma o oncologista Anderson.
Entretanto, a razão pela qual você quer buscar uma segunda opinião deve ser bem avaliada.
Ir atrás de outros especialistas porque não ficou satisfeito com o prognóstico ou porque você acha que ele não pediu tantos exames quanto deveria pode criar falsas ilusões e até encaminhá-lo para especialistas menos qualificados.(Minha Vida)