18/06/2013 15h43
Um dos primeiros conselhos que um médico dá a uma mulher com sobrepeso que queira engravidar é: perca peso e fique dentro do Índice de Massa Corporal (IMC) ideal.
É sabido entre os especialistas que quanto maior o peso da mãe, mais riscos de saúde ela e o bebê têm.
Mas se você só acredita em algo com muitas provas, um estudo sueco veio para comprovar que a melhor decisão é começar a gestação em forma.
Publicada no dia 12 de junho no Journal of American Medical Association, a pesquisa verificou os dados sobre os partos feitos na Suécia 1992 e 2010. Com isso, mais de 1,5 milhão de partos foram analisados.
Os cientistas verificaram a relação entre o IMC da mãe, medido na primeira consulta pré-natal, e o parto prematuro (aquele que ocorre antes da 34ª semana).
O risco de parto extremamente prematuro foi 25% maior em mulheres consideradas com sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9) e até 60% maior em futuras mamães obesas (com IMC maior do que 30).
Além disso, as grávidas com sobrepeso tem maior risco de apresentarem doenças como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (o desenvolvimento de pressão alta após a 20ª semana de gravidez), que podem tornar a gravidez de risco, tanto para a mãe quanto para o bebê, por isso os cientistas também relacionaram casos maiores de complicações e até mesmo morte nesse tipo de gestante.
Outros hábitos podem estar associados ao nascimento do bebê mais cedo do que o normal.
Este é um dos hábitos mais criticados em mulheres grávidas. "O fumo prejudica a circulação uteroplacentária que causa uma menor oxigenação fetal", relata Roberto Eduardo Bittar.
A diminuição do oxigênio que chega ao bebê faz com seu crescimento se torne mais restrito, o que gera uma interrupção prematura da gestação, ou seja, a mulher entra em trabalho de parto antes da hora.
Além disso, o tabaco reduz a inativação de um fator que está envolvido no início e na manutenção do trabalho de parto, adiantando todo o processo.
De acordo com especialista em medicina fetal Silvia Herrera, o fumo que é fator de risco para o parto prematuro quando continuado ao longo dos nove meses.
"As mulheres que fumam e descobrem que estão grávidas, mas abandonam o vício imediatamente no início da gravidez não correm os mesmos riscos", explica a médica.
Futuras mães que não se alimentam de forma adequada durante a gravidez também colocam seus bebês em risco. Principalmente se surgirem casos de anemia durante este período.
Ao consumir poucos dos nutrientes essenciais, não só a mulher se prejudica, como a criança: pode haver uma restrição do crescimento do feto também.
"Isso aumenta risco de sofrimento fetal e morte, o que leva a interrupção da gestação antes do tempo", ensina a especialista em medicina fetal Silvia Herrera.
Os nutrientes como ácido fólico, vitamina C, cálcio, magnésio, potássio, ferro, entre outros, são considerados essenciais para a saúde da gestante e do feto. Veja aqui quais são as fontes e as doses recomendadas destes nutrientes.
Por outro lado, mulheres obesas também trazem riscos à duração da gestação. No caso, o dano é maior quando elas já apresentam o índice de massa corporal (IMC) muito acima do aconselhado antes da gravidez.
"Há maior risco de existirem quadros como diabetes e hipertensão arterial, que contribuem para a prematuridade", salienta o obstetra Roberto Eduardo Bittar. A alta da pressão arterial, por exemplo, causa um envelhecimento precoce da placenta, impedindo a chegada dos nutrientes para o bebê.
A bebida alcoólica também não tem uma boa relação com a gravidez. "O mecanismo específico de como o álcool causa trabalho de parto prematuro é desconhecido, mas além de aumentar risco de infecções, ele causa o descolamento prematuro de placenta", comenta a obstetra Silvia Herrera.
Como se isso não bastasse, esse macronutriente é passado diretamente para o feto na placenta, fazendo com que ele tenha todos os efeitos no sistema circulatório do bebê também. E muitas vezes o hábito de beber também está relacionado à má alimentação.
Hábitos que cultivam o estresse só pioram o risco do trabalho de parto se iniciar antes da hora.
E a culpa disso tudo é dos hormônios ativados por esse quadro emocional. "A elevação da noradrenalina e do cortisol, que está presente nesses casos, desencadeia contrações uterinas", ressalta o obstetra Roberto Bittar.
Isso porque essas substâncias estão ligadas ao processo hormonal do parto. Por isso mesmo, vale a pena combater esse mal, encontrando pausas de descanso, praticando atividade física e cuidando de si.
A redução de líquido amniótico também pode causar um parto prematuro, até porque é uma condição que prejudica questões o crescimento do feto, como o desenvolvimento de seus pulmões, por exemplo.
Muitas vezes essa redução ocorre por algum problema na troca entre a mãe e o bebê, aí não há o que se possa fazer.
Mas consumir pouca água também pode ajudar a deixar esse líquido menor. "A ingestão de 2 a 3 litros de água por dia poderia evitar essa redução", ensina a obstetra Silvia Herrera.
Durante a gestação, a placenta produz hormônios que bloqueiam em parte a ação da insulina no corpo, hormônio que atua na retirada da glicose do sangue.
Isso pode gerar um quadro chamado de diabetes gestacional, e consumir grandes quantidades de açúcar, principalmente o de adição, não ajuda em nada na prevenção do problema, que está ligado também a partos prematuros.
"Acredita-se que esse excesso de glicose gera um aumento do feto e do líquido amniótico, causando uma extensão do útero.
Quando esses músculos se expandem muito, o trabalho de parto pode se desencadear mais cedo, mas isso é apenas uma teoria", ressalta a obstetra Silvia Herrera.(Minha Vida)