18/05/2013 17h19
Para conscientizar os homens sobre os cânceres de próstata e peniano, é preciso investimento em campanhas de informação e em infraestrutura de saúde.
Barreiras socioculturais e institucionais são os principais impedimentos ao diagnóstico precoce e ao tratamento das doenças que afetam os homens, segundo especialistas que ontem participaram de audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
A iniciativa do debate foi de Ana Amélia (PP-RS), atendendo a solicitação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
O presidente da CAS, Waldemir Moka (PMDB-MS), disse que o colegiado apoia iniciativas que buscam conscientizar a sociedade sobre a necessidade de o homem cuidar da própria saúde, como a campanha Novembro Azul, em que os prédios públicos recebem iluminação azul para lembrar da importância do assunto.
A falta de informação, o preconceito e a falta de recursos foram apontados pelo presidente da SBU, Aguinaldo César Nardi, como um dos principais fatores de avanço de câncer de próstata e de pênis no Brasil.
Ele assinalou que as mulheres consultam ginecologistas com mais frequência do que os homens vão a urologistas. Segundo Nardi, quase metade dos homens nunca consultou um especialista.
Em geral, os homens só procuram atendimento quando a doença já se tornou irreversível, disse o coordenador da área técnica de Saúde do Homem do Ministério da Saúde, Eduardo Schwarz.
O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Anderson Silvestrini, informou que depois do câncer de mama, o de próstata é o que mais mata no mundo.
Grupos de risco, disse, são os homens com mais de 50 anos, os obesos, os negros e os que têm histórico da doença na família.
O médico Flavio Lobo Heldwein apontou o estilo de vida adotado como fator de risco para o desenvolvimento de câncer.
O coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho Federal de Medicina, Emmanuel Cavalcanti, disse que também é importante investir em infraestrutura de saúde e equipar centros de saúdes e hospitais.
Para Cavalcanti, a saúde do homem merece uma política de Estado, não apenas ações e campanhas. (Jornal do Senado)