21/05/2012 06h01 - Atualizado em 21/05/2012 06h01
O ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, disse na sexta-feira, no Senado, que o Brasil e a América do Sul estão em vantagem com relação ao restante do mundo por não precisarem de uma nova forma de geração de energia para terem uma revolução tecnológica.
E, além de já disporem de energia suficiente, têm espaço para que sua economia cresça, o que não existe nos países desenvolvidos.
Lessa participou da primeira audiência pública preparatória para o seminário Crise, Estado e Desenvolvimento: desafios e perspectivas para a América do Sul.
O evento, promovido pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, será realizado na cidade do Rio de Janeiro, em 25 de junho.
O ex-presidente do BNDES observou que uma mudança na matriz de transporte brasileira pode “elevar enormemente o poder de compra da população”.
Ele afirmou que a matriz brasileira é “uma das piores do mundo”, baseada no transporte rodoviário, quatro vezes mais caro do que a matriz hidroviária e duas vezes mais do que a ferroviária.
O simples barateamento do frete aumentaria significativamente a capacidade de consumo dos brasileiros.
O Alto Representante Geral do Mercosul, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, disse que há uma campanha permanente com o intuito de minar o fortalecimento do bloco.
Segundo ele, as nações economicamente mais importantes não têm interesse em ver o Mercosul forte, já que é mais difícil negociar com um grupo de países coesos.
Para o embaixador, as importações de produtos chineses e americanos pelos países do bloco atrapalham seu principal elemento de coesão, que é o comércio.
Já o jornalista Mauro Santayana enfatizou a necessidade da união dos países da América do Sul como forma de superar a crise.
Na avaliação dele, o Brasil tem de assumir o papel de protagonista nessa integração e, para isso, tem de ser “o mais tolerante, o mais condescendente, o que mais aceita desaforo”:
O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) citou experiências de parceria vitoriosas no continente, como a hidrelétrica de Itaipu e o gasoduto boliviano.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) também destacou a atuação do governo brasileiro nas recentes crises da Bolívia, onde uma subsidiária da Petrobras foi nacionalizada, e do Paraguai, que reivindicou revisão do Tratado de Itaipu.
Ele disse ter mágoa do governo dos Estados Unidos, “que há 100 anos está boicotando a América do Sul”.
O senador Paulo Paim (PT-RS) questionou, por sua vez, a internalização de produtos chineses por países do Mercosul e sua posterior venda sem impostos. Também criticou as barreiras comerciais entre Brasil e Argentina.
O presidente da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, senador Roberto Requião (PMDB-PR), enfatizou a necessidade de uma maior integração do bloco e defendeu a entrada da Venezuela o mais rapidamente possível.
Ele lembrou que o país tem um PIB quase igual ao da Argentina e um mercado consumidor imenso.(Jornal do Senado(