06/05/2013 14h50 - Atualizado em 06/05/2013 14h50
Flávio Verão
O primeiro dia de aula de calouros da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) está sendo marcado por pedágio no centro da cidade, prática proibida por lei.
Com placas no pescoço e pinturas pelo corpo, calouros seguiam o protocolo do trote que todos os anos ainda acontece na área central. Liderados pelos veteranos, os estudantes se concentraram na tarde desta segunda-feira na avenida Weimar Gonçalves Torres, esquina com a Presidente Vargas.
Por ser uma via bastante movimentada, os alunos aproveitaram para pedir dinheiro, em troca de uma bala. A comerciante Ana Rose foi parada no semáforo e contribuiu. "Dei umas moedinhas, pois sei que é uma brincadeira sadia, de um momento único na vida", disse ela.
Como o MPF recomendou fim ao trote para as universidades de Mato Grosso do Sul e que as instituições deveriam conscientizar os estudantes, o trote nas ruas reuniu uma quantidade bem inferior de alunos, neste ano, se comparado a anos anteriores.
Embora a prática do pedágio possa ser uma brincadeira considerada sadia, alguns estudantes acabam extrapolando. No ano passado, por exemplo, um calouro de 17 anos da UFGD ingeriu bebida alcoólica com os veteranos e foi abandonado num ponto de ônibus. O rapaz foi parar no hospital. O caso repercutiu na cidade.
Por meio de ofício a UFGD solicitou à Guarda Municipal e à Polícia Militar o auxilio na campanha contra o trote. “É um pedido de prevenção e repressão ao trote com os alunos da universidade”, disse recentemente ao Dourados Agora a pró-reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis, Ceres Moraes.
A professora explica que a Lei Estadual nº 2.929, de 9 de dezembro de 2004, e a portaria da UFGD nº 083, de 07 de março de 2007, que proíbem o trote, são interpretadas de forma errada pelos alunos. “Não é somente o trote violento que é proibido. A lei e a portaria são claras quando falam sobre prática que coloquem terceiros ao constrangimento. Sendo assim, pintar o rosto, colocar placas pelo corpo, raspar ou cortar o cabelo são enquadrados como constrangimento e é crime”, diz a pró-reitora. O trote pode levar o estudante que o praticou a expulsão da universidade, dependendo do caso.

