19/06/2013 13h19
O aquecimento global provavelmente causará grandes transtornos à população, criando favelas apinhadas, conforme divulgado em matéria do Yale Daily News.
A reportagem atenta que áreas de alta densidade populacional, especialmente com a elevação da temperatura, não apenas facilitam a transmissão de doenças, como seus habitantes são mais propensos a serem vulneráveis devido à desnutrição e à pobreza.
“Vai depender do tipo de evento climático extremo que o aquecimento global desencadear, como exemplos podemos citar: inundações (enxurradas ou enchentes) ocasionadas por chuvas intensas que podem danificar ou contaminar o sistema de abastecimento de água; e secas, onde a falta pode comprometer a quantidade e qualidade da oferta de água”, observa a coordenadora-geral de Vigilânciaem Saúde Ambientaldo Ministério da Saúde (SVS/MS), Daniela Buosi Rohlfs.
Segundo a especialista, estudos demonstram que os riscos à saúde podem ser gerados por impactos diretos ou indiretos do aquecimento global, podendo ocasionar consequências físicas, traumáticas, psicológicas, infecciosas e nutricionais.
“Os diretos resultam de alterações extremas do clima como, por exemplo, ondas de calor e de frio, furacões, inundações, queimadas e secas, podendo causar mortes e traumas físicos e psicológicos.
Os impactos indiretos são mediados por alterações no ambiente que influenciam nos ecossistemas e nos ciclos biológicos, geográficos e químicos, os quais podem modificar o perfil epidemiológico de doenças já existentes, e ocasionar o surgimento de doenças emergentes e reemergentes”, atenta Rohlfs.
Ela cita como exemplos as doenças diarreicas e outras infecciosas de transmissão hídrica e alimentar, em decorrência da alteração na quantidade e na qualidade da água; doenças transmitidas por vetores; além de doenças não-transmissíveis, como desnutrição, transtornos psicológicos, cardiorrespiratórias e dermatoses.
“A temperatura pode ter aumentos extremos, afetando todos os países, não somente os tropicais. Entretanto, a elevação pode ser maior nos trópicos ampliando as ondas de calor”, pondera Rohlfs ao explicar que o aumento da temperatura pode resultar em problemas de saúde, mais comumente relacionados às infecções transmitidas por vetores, como malária e dengue, bem como às doenças diarreicas transmitidas por alimentos (ex: salmonelose) – que atingem seu pico nos meses mais quentes.
Pessoas que moram em favelas ou em locais com grandes aglomerações sofrem mais com os efeitos do aquecimento global, conforme admite a coordenadora do MS.
“Em determinadas condições de moradia os impactos podem ser intensificados.
Os efeitos ocasionados pelos eventos climáticos extremos dependem de algumas condições que podem tornar as populações mais vulneráveis aos impactos, tais como idade; doenças pré-existentes (cardiovasculares, respiratórias crônicas e outras); tipo de moradia (material de construção, localização, aglomerações); condições socioeconômicas; e migrações”, reconhece.
Rohlfs aponta que para minimizar os impactos dos eventos climáticos extremos precisam ser adotadas algumas medidas, como: retirar populações das encostas de morros – que não tenham contenção – e de beiras de rios; estabelecer estratégias para que a população atenda às recomendações de manter sua comunidade limpa – sem a probabilidade de entupir esgotos ou calhas de escoamento de águas de chuva; além de manter sempre os grupos mais vulneráveis preparados e capacitados para saberem o que fazer em casos de ocorrência de eventos extremos.
Na avaliação da especialista, o setor saúde precisa estar preparado e estruturado para estabelecer estratégias de adaptação que possam diminuir a incidência das doenças que têm relação com mudança climática.
Para isso ela destaca a intensificação das ações de vigilância e atenção em saúde, tais como: controlar doenças cardiovasculares, respiratórias e nutricionais, principalmente dos grupos de maior risco (crianças e idosos), antes da ocorrência de algum evento extremo; definir equipes de saúde mental para atendimento em casos de eventos extremos que possam causar danos humanos e materiais de forma intensa implicando em transtornos psicológicos e de comportamento das populações afetadas; estabelecer sistema de vacinação para as doenças infecciosas relacionadas ao clima, priorizando os grupos considerados mais vulneráveis; capacitar profissionais de saúde; criar atividades educativas e de sensibilização para as populações; além de desenvolver medidas de comunicação de risco.(www.sbmt.org.br)