09/06/2013 10h19
Experiências internacionais foram compartilhadas durante o 1º seminário sobre o tema realizado na CNT, em Brasília.
Países como Japão, Estados Unidos e China já implantaram ou estão em fase de implantação de programas de eficiência energética para veículos pesados. Na Europa, essa também é uma realidade.
De acordo com o coordenador das atividades do International Council on Clean Transportation (ICCT) no Brasil, Cristiano Façanha, o país tem que se inspirar no que tem sido feito no exterior sobre o tema para desenvolver um programa próprio.
“Temos aqui uma realidade muito distinta da americana, por exemplo. Enquanto lá os veículos pesados são responsáveis por 25% do consumo de combustíveis, no Brasil, esse número chega a 62%.
No entanto, há detalhes das políticas americanas que podem ser aplicadas ao Brasil.
É interessante, também, ver os aspectos que são similares aos outros países em desenvolvimento, como a China, onde os caminhões operam com uma velocidade menor, com cargas mais pesadas, realidade que se aplica um pouco mais ao Brasil.
Então é importante ter uma capacitação técnica suficiente para poder avaliar o que de determinados países pode ser adotado aqui”, explicou Façanha na quarta-feira (5), durante o 1º Seminário Internacional sobre Eficiência Energética de Veículos pesados promovido pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pelo programa ambiental Despoluir.
Segundo Façanha, o grande problema do Brasil é a falta de dados em relação aos veículos pesados, o que dificulta o desenvolvimento de um programa nacional.
Ele destacou em sua palestra que, para alcançar o máximo da eficiência, é necessário aliar uma série de fatores.
“É possível ampliar em até 40% a eficiência energética se você adotar medidas como a aplicação de pneus mais eficientes, que conferem menor resistência; uso de defletores aerodinâmicos, principalmente para caminhões que percorrem estradas; melhorias nas tecnologias de motores como a hibridização; uma boa gerência da frota, e, claro, treinamento adequado para condutores”, garantiu.
Padrões de eficiência energética já foram adotados no Japão e Estados Unidos, mas só estão previstos para iniciar nos próximos anos.
O primeiro a introduzir o programa foi o Japão, em 2005, que terá vigência a partir de 2015. O objetivo é reduzir o consumo de combustíveis em 12%, além de diminuir a emissão de poluentes na frota nova.
As regras vão valer para veículos de carga com mais de 3,5 toneladas e para ônibus com capacidade acima de 11 passageiros.
Nos EUA, o padrão vai de 2014 a 2018, e pretende reduzir o consumo de combustíveis de 6 a 23%, dependendo da categoria dos veículos.
O padrão será específico para o motor, com o objetivo de proporcionar uma sinergia com o processo de redução da emissão de poluentes.
O Canadá está seguindo os mesmos passos dos Estados Unidos, enquanto a China tem uma proposta que deve ser aprovada em um ano, estimando a redução no consumo em aproximadamente 11%.
O que existe por lá, por enquanto, é um padrão já adotado apenas pela indústria.sophie060613.jpg
“O interessante é você não refazer a roda, há muitos estudos técnicos feitos lá fora.
O importante é contextualizar para a nossa realidade. Falta fazer um estudo técnico para o Brasil para determinar quais são as melhores tecnologias”, detalhou Cristiano Façanha.
Ainda no primeiro dia do Seminário da CNT, a diretora executiva do Clean Air Asia (CAI-Asia), Sophie Punte, apresentou um panorama da situação na Ásia, com destaque para a Ìndia.
Ela ressaltou um problema que assola a maioria das grandes cidades asiáticas: a poluição.
“Alguns países estão adotando políticas de padrões, principalmente no sudeste asiático, que devem reduzir a emissão de poluentes e ampliar a eficiência energética.
São modelos de programas que, acredito, também poderiam ser adotados no Brasil e na América Latina”. (Agência CNT de Notícias)