02/05/2013 11h00
Afirmação está em relatório produzido pela iniciativa Teeb, parceira da ONU; criação de gado na América do Sul é a segunda principal causa das perdas econômicas.
Um modelo de sociedade mais sustentável envolve, de um lado, consumidores mais conscientes e, de outro, empresas dispostas e preparadas a inovar no atendimento às suas demandas, oferecendo-lhes alternativas de produtos e serviços mais sustentáveis.
Estudos como esse, apontando os impactos, inclusive financeiros, do modelo de produção e consumo adotado há dezenas de anos, confirmam que é possível e urgente buscar alternativas para alcançar o bem-estar desejado com um uso muitíssimo inferior de recursos naturais.
Mais do que uma tendência, essa mudança de paradigma rumo à economia verde parece ser a alternativa viável para combater os efeitos dos insustentáveis padrões produtivos e de consumo da sociedade atual.
A iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade, Teeb, calcula que os 100 principais fatores de impacto negativo ao meio ambiente custam, por ano, US$ 4,7 trilhões, ou mais de R$ 9 trilhões, para a economia mundial.
O relatório da Teeb, parceira do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, foi lançado em Nova Déli.
Segundo o estudo, os custos são gerados pela emissão de gases de efeito estufa, uso da água e da terra, poluição do ar, da terra e da água e desperdício.
Foram analisados os setores de agricultura, pesca, florestas, mineração, exploração de gás e de petróleo e também a produção de cimento, aço, papel, celulose e petroquímicos.
A queima de carvão para geração de energia no leste da Ásia gera um gasto de US$ 453 bilhões por ano, segundo o estudo.
O valor é estimado em cima dos impactos causados pela emissão de gases de efeito estufa e os custos para a saúde por causa da poluição.
A criação de gado na América do Sul causa o segundo pior impacto ambiental, de US$ 354 bilhões todos os anos.
No topo da lista estão ainda a produção de trigo e arroz na Ásia e a fabricação de ferro, aço e cimento.
A iniciativa Teeb lembra que a demanda do consumo deverá crescer nos próximos anos, com o aumento da classe média, especialmente em países emergentes. Por outro lado, é cada vez maior a escassez de recursos e a degradação dos ecossistemas.
O relatório identifica riscos financeiros causados por externalidades ambientais, como mudança climática, poluição, e uso da terra.
É sugerido ao setor de negócios e a investidores que levem em conta o impacto financeiro ambiental na hora de tomar decisões.
O estudo avaliou 500 setores de negócios. Para o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, os números do relatório ressaltam "a urgência em se fazer a transição para a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza". (Rádio ONU)