21/05/2013 16h37
O aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas está ocorrendo, mas a taxas menores do que o estimado anteriormente, sugere uma nova pesquisa publicada no domingo (19) no periódico Nature Geoscience.
A análise indica que, devido a uma redução no aquecimento atmosférico ocorrida na última década, os índices de aumento das temperaturas em curto prazo devem ser menores do que era previsto anteriormente, ficando entre 0,9 e 2,0 graus Celsius.
As estimativas anteriores, como as do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) de 2007, apontavam para taxas entre 1,0 e 3,0 graus Celsius.
“Observações recentes sugerem que a taxa esperada de aquecimento em resposta ao aumento dos níveis de gases do efeito estufa, ou ‘Resposta Climática Transitória’, provavelmente deve ficar dentro do intervalo dos atuais modelos climáticos, mas não no final desse intervalo”, colocou Alexander Otto, do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford.
“As [estimativas] mais quentes dos modelos em médio prazo estão na verdade parecendo menos prováveis ou inconsistentes com os dados da última década”, continuou Otto.
Segundo os cientistas, nas próximas décadas as temperaturas médias globais devem aumentar cerca de 20% mais lentamente do que o esperado anteriormente.
Entretanto, em longo prazo, o aquecimento médio da Terra deve permanecer praticamente o mesmo, ou seja, entre os 2,0 e 4,5 graus Celsius projetados pelo IPCC.
“Com as atuais tendências de emissões, isso levaria a temperaturas muito altas no final do século XXI.
O eventual aquecimento em longo prazo após a estabilização permanece incerto, mas para a maioria das decisões políticas, a resposta transitória para os próximos 50-100 anos é o que importa”, explicou Otto.
“Novos dados ajudando a excluir cenários mais extremos para taxas de aquecimento em curto prazo são notícias bem-vindas, mas mesmo se a resposta estiver na extremidade baixa do atual intervalo de incerteza, ainda estamos observando um aquecimento bem acima da meta de dois graus que os países firmaram se as atuais tendências de emissões continuarem”, acrescentou Reto Knutti, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.
De acordo com os pesquisadores, essa diferença entre as estimativas em curto e longo prazo acontece pelo fato de que o aquecimento ocorrido na última década tem sido em sua maioria absorvido e armazenado pelos oceanos.
“Os oceanos estão sequestrando calor mais rapidamente do que o esperado ao longo da última década”, observou Steven Sherwood, professor da Universidade de Nova Gales do Sul, que não participou da pesquisa, à Reuters.
“Assumindo que esse comportamento continuará, [os cientistas] calculam que o clima aquecerá 20% mais lentamente do que o estimado previamente, embora em longo prazo possa ser tão ruim quanto [se esperava], já que eventualmente o oceano pode parar de absorver calor”, acrescentou.
Sherwood salientou que os dados apresentados pelo novo estudo devem ser vistos com cautela, já que ainda há muitas incertezas a respeito do comportamento dos oceanos em relação às mudanças climáticas.
Ainda assim, Otto concluiu que as novas conclusões não devem ser um motivo para que as pessoas deixem de se preocupar com o aquecimento global.
“Esperávamos que uma década mudasse um pouco, mas a tendência geral é independente dela, e as pessoas devem ficar exatamente tão preocupadas como antes a respeito do que as mudanças climáticas estão fazendo”, concluiu ele à BBC.(Instituto CarbonoBrasil)