05/06/2013 08h11 - Atualizado em 05/06/2013 08h11
Flávio Verão
Não há pesquisas científicas que comprovem que o aumento de casos de câncer podem estar relacionados ao uso demasiado de agrotóxico, no entanto dossiê realizado por profissionais da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), já identificou a presença de agrotóxico em leite materno, em água de chuva, nas urinas dos professores das escolas rurais e outros.
De acordo com o oncologista Eulálio Arantes Corrêa da Costa, da Neoclin em Dourados, não há como estabelecer um nexo causal para um paciente diagnosticado com com câncer, exceto quando o mesmo é trabalhador rural e que no dia a dia se expõe aos agrotóxicoso Dependendo da doença, segundo ele, o câncer pode estar relacionado a fatores genéticos, pelo hábito de vida (alimentação) ou pelos vícios, como cigarro e bebida.
Como cada brasileiro consome em média cinco litros de agrotóxico por ano, segundo a Anvisa, o efeito cumulativo do veneno no organismo pode trazer consequências graves, segundo o oncologista.
A própria pesquisa da Abrasco, realizada no ano passado, apontou que, de um modo geral, em torno de 30% dos alimentos que o brasileiro consome não estão adequados para o consumo humano. De acordo com a pesquisa, apenas 32% dos agrotóxicos pulverizados permanecem nas plantas, o restante (49%) cai no solo ou vai para áreas circunvizinhas por meio do ar (19%), contaminando o meio ambiente na sua totalidade.
O impacto imediato da utilização em larga escala de veneno ocorre contra a população rural, segundo a pesquisa. Sintomas como cefaléias, vômitos, náuseas e alergias, além de relatos sobre a morte de animais quando é realizada a ‘chuva de venenos’ são as maiores reclamações dessas populações aos pesquisadores.
No dossiê, a Abrasco apresentou pontos prioritários contra o uso dos agrotóxicos e na perspectiva da vida, entre os quais estão: priorizar a implantação de uma Política Nacional de Agroecologia; o fim das isenções fiscais concedidas aos agrotóxicos; o fim das pulverizações aéreas; eliminação no Brasil de agrotóxicos já banidos em outros países ou que apresentem evidências de efeitos proibitivos; proteção dos mananciais de água para abastecimento humano e proteção da biodiversidade, Fortalecer e ampliar as políticas de aquisição de alimentos produzidos sem agrotóxicos.
A falta de pesquisas para investigar a relação entre os agrotóxicos e a saúde é um problema no país. Porém, o principal entrave é a ausência de políticas públicas.
Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) já identificou alterações cromossômicas nas células de trabalhadores rurais e apontou que os casos de câncer desse público é 38% maior se comparado a trabalhadores que não tiveram exposição ao agrotóxico.
