23/05/2013 17h00
Azevêdo defende a retomada da Rodada de Doha e critica medidas protecionistas adotadas por vários países.
Em visita à Câmara nesta quarta-feira (22), o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo, explicou as dificuldades e a complexidade do processo eleitoral que resultou na escolha dele para dirigir a OMC.
Segundo ele, alguns países membros, sobretudo da União Europeia, insistiam em não dissociar a imagem do País (Brasil) emergente e a do embaixador.
“Além do reconhecimento da minha candidatura, a escolha demonstra a confiança e o prestígio internacional do momento por que passa o Brasil”, disse Azevêdo, que passa a dirigir a organização a partir de setembro em um mandato de quatro anos.
“Quando emergentes mostram liderança e capacidade de participar de decisões com isenção, outros países passam a valorizá-lo por essas competências”, completou o embaixador, ao agradecer o apoio a sua candidatura de todos os setores do governo brasileiro, incluindo o poder legislativo, e destacando o voto de confiança de Portugal.
Azevêdo foi recebido na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e respondeu a perguntas de integrantes do colegiado.
Questionado sobre de que maneira sua eleição poderá ajudar o desenvolvimento do Brasil, Azevêdo disse que como diretor da OMC não poderá pautar ações diretamente voltadas a países.
“Minha atuação será isenta e envolve, por exemplo, sugestões ligadas a temas, nunca a países específicos”, disse.
Quanto a avanços nas negociações em torno da Rodada de Doha, ele afirmou que este certamente será um dos assuntos a serem tratados.
A Rodada de Doha visa diminuir as barreiras comerciais em todo o mundo, com foco no livre comércio para os países em desenvolvimento.
“A rodada é extremamente importante, mas a evolução nesse processo tende a ser lenta”, disse.
Ele disse ainda que a eleição dele pode ajudar, mesmo que indiretamente, a aceitação do Brasil como membro de uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Azevêdo também foi questionado sobre o crescente número de medidas protecionistas adotadas por vários países, sobretudo em razão do momento de crise internacional.
Isso não é benéfico para ninguém e o pior é que é uma medida que tende a ser copiada, permitindo que se alastre facilmente”, disse Azevêdo, que não acredita na eficácia de modelos econômicos fechados. Para ele, o caminho deve ser a busca de mais competitividade no mercado internacional.
Brasileiro, Roberto Azevêdo venceu o mexicano Hermínio Blanco, apontado como candidato dos países ricos, e vai comandar a OMC pelos próximos quatro anos.
Baiano de 55 anos e formado em engenharia civil, desde 2008 é representante permanente do País na organização que congrega 159 países-membros e tem sede em Genebra, na Suíça.
Na nota divulgada pelo Itamaraty para lançar a candidatura do embaixador brasileiro, ele foi apontado como "negociador-chave".
O Itamaraty também destacou a participação de Azevêdo na solução de disputas emblemáticas como o caso envolvendo os subsídios ao algodão, iniciado pelo Brasil contra os Estados Unidos. (Agência Câmara Notícias)