08/04/2013 08h14 - Atualizado em 08/04/2013 08h14
Presidente regional do partido, Marcus Garcia diz que
Bernal precisa de tempo para colocar a casa em ordem
Willams Araújo/Campo Grande
A cúpula regional do PT minimizou a crise institucional envolvendo a Câmara de Vereadores e o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), e descartou, ao menos por enquanto, a possibilidade de saída da bancada do partido da base governista na Casa.
O presidente regional do partido, Marcus Garcia, agendou reunião para esta semana a fim de esfriar o clima tenso provocado pela decisão do vereador Zeca do PT em anunciar sua independência política no Legislativo Municipal.
Ao anunciar sua independência, o ex-governador prometeu retornar a base aliada desde que o prefeito mudasse sua postura. É que Bernal está sendo criticado de não conversar, procurar o diálogo com os vereadores para resolver os problemas da cidade. Particularmente, o presidente do PT diz que Bernal precisa de mais tempo para poder ser avaliado, assegurando ainda que a decisão do ex-governador de se afastar da base aliada foi isolada, não devendo refletir na opinião da bancada do partido na Câmara de Vereadores.
Marcus Garcia acha que a administração progressista precisa do apoio dos aliados nesse momento de turbulência envolvendo os poderes Executivo e Legislativo.
“Somos do governo e queremos que o Alcides Bernal dê certo. Hoje, ele enfrenta um terceiro turno e acho que ele precisa de um tempo para a gente ter uma avaliação mais justa sobre seu mandato. O momento é de contribuir para que as coisas deem certo na administração”, defendeu o dirigente, em entrevista à imprensa.
Marcus Garcia aconselha inclusive a unificação do discurso como forma de o PT falar a mesma língua na Câmara de Vereadores visando não agravar as divergências, travada na maioria das vezes pela bancada de oposição a Bernal na Casa.Ocorre que a bancada petista não se entende. Uma prova disso, além do afastamento de Zeca do PT da base aliada de Bernal, é a resistência do vereador Alex do PT, líder do prefeito na Câmara, em assinar o requerimento que pede a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar denúncias de desvio de verba pública em hospitais de Campo Grande.
Desde que assumiu a prefeitura em janeiro, Bernal tem enfrentado turbulência em decorrência da falta de entendimento com os vereadores. “Como é da liturgia do PT, a linha política que o partido toma é decisão tomada em conjunto”, observou o presidente regional, garantindo ainda reunir o grupo político a fim de aparar as arestas e afinar o discurso.
CPI da Saúde
A instalação da CPI da Saúde não se concretizou por pouco, uma vez que alguns vereadores retiraram suas assinaturas do requerimento apresentado por Luiza Ribeiro (PPS). O recuo está sendo atribuído a uma manobra da bancada de oposição, que dispõe de ampla maioria na Câmara.
Retiraram as assinaturas do requerimento os vereadores Eduardo Romero (PTdoB), Paulo Pedra (PDT), Coringa (PSD) e Paulo Siufi (PMDB), impedindo a instalação da CPI, que já contava com o apoio de 13 parlamentares.
Ao final, o requerimento foi avalizado por apenas 9 vereadores: Luiza Ribeiro, Zeca do PT, Gilmar da Cruz (PRB), Ayrton do PT, Alex do PT, João Rocha, Rose Modesto (PSDB), Cazuza (PP) e Chocolate, impedindo assim a criação da CPI.Integrantes da bancada de oposição na Câmara, os vereadores Paulo Pedra, Paulo Siufi (PMDB), Carla Stephanini (PMDB), Wanderlei Cabeludo (PMDB), Mário César (PMDB), Edil Albuquerque, Elizeu Dionízio (PSL), Alceu Bueno (PSL), Chiquinho Telles (PSD), Coringa (PSD), Delei Pinheiro (PSD), Carlão (PSB), Edson Shimabukuro (PTB), Flávio César (PTdoB), Otávio Trad (PTdoB), Grazielle Machado (PR), Jamal (PR), Herculano Borges (PSC), e Airton Saraiva (DEM) são contra a instalação da comissão.
