04/06/2013 09h19 - Atualizado em 04/06/2013 09h19
Hakeito Almeida
O Fundo de Investimentos Culturais do Mato Grosso do Sul (FIC/MS) contemplou quatro projetos elaborados por produtores culturais de Dourados. Os beneficiados foram: os diretores Blanche Torres, com o espetáculo “Dialeto Manoelês”; Gil Esper com a peça “Nada a Acrescentar a Não Ser Que Chove”; a escritora e poetisa Ruth Hellmann com o livro infanto juvenil “Upa- Upa” e Giani Torres com a gravação do DVD “Giani Torres Canta Coisas Simples”.
A concepção do espetáculo da Cia Blanche Torres, “Dialeto Manoelês”, que está previsto para estrear em julho, é inspirado nas poesias de Manoel de Barros, que é um ícone da literatura sul-mato-grossense e considerado o mais aclamado poeta brasileiro. “Tentamos “transver” ou (dês) ver a poesia de Manoel de Barros. A poesia dele é genial e repleta de imagens inspiradoras. Ele “coisifica” os homens e humaniza as coisas.
Tentamos partir deste pensamento para compor o espetáculo. Fazemos uma referência inclusive ao título do primeiro livro do escritor: “Nossa Senhora de Minha Escuridão”’, que foi perdido com o tempo”, enfatiza a diretora e coreógrafa Blanche Torres. Ela festeja a importância do apoio do governo estadual, para excursionar com o espetáculo pelo Estado, valorizando as mais diversas manifestações culturais, ampliando o acesso do público e estimulando a formação de novas plateias.
A bailarina cubana Lorena Hernandez, que integra o elenco de “Dialeto Manoelês” da Cia Blanche Torres, explica a enriquecedora experiência que vem sendo vivenciada durante os ensaios. “As coreografias vão surpreender pela beleza das formas. É como se voltassem a ser crianças e pudessem entender a linguagem das pedras, das plantas, dos pássaros, da chuva, do vento, das moscas. O público ficará encantado em poder exercer a sensibilidade e a exaltação da simplicidade”, revela Lorena.
O diretor e cenógrafo Gil Esper comemora os investimentos obtidos com o Fundo de Investimentos Culturais. Ele está à frente, há mais de um ano, da criação da Cia Avatz, que ensaia e pesquisa o espetáculo “Nada a Acrescentar a Que Não Ser Que Chove”. A primeira estreia do grupo deve ser encenada neste ano. Conforme Gil, o mote da peça é propor uma reflexão sobre as relações contemporâneas com o advento das redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e outras. “Na maior parte das vezes, estas formas de comunicação instantânea não suprem as necessidades afetivas dos indivíduos propagando uma rede de contatos superficiais, onde ninguém nunca se encontra na vida real”, arremata Esper.
O roteiro de “Nada a Acrescentar a Que Não Ser Que Chove” é assinado pelos dramaturgos mineiros Eder Rodrigues e Marina Viana. Gil diz que a dupla de autores está moldando o texto, a partir de sugestões do elenco formado por estudantes de Artes Cênicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e pelos professores do curso Marcos Chaves e Carla Ávila, que ministram para a Cia Avataz, aulas de sonoplastia, técnicas vocais e preparação corporal.
O nome da escritora e poetisa Ruth Hellmann de Dourados, na lista de selecionados do FIC, simboliza a concretização de uma ideia antiga que começa a ganhar forma. O apoio financeiro do governo do Estado é para o projeto “Guarani, Letras e Sonhos”, que consiste em lançar em 2013, o livro infanto juvenil “Upa-Upa”, que vai ganhar edições trilíngues: português, espanhol e guarani. “Esta obra já estava pronta há mais de 15 anos e até foi premiada em concurso literário realizado em São Paulo. “Upa-Upa” é um conto que envolve a família, com a companhia e os ensinamentos dos pais”, informa Ruth. “Upa-Upa” será a 13ª obra de Ruth destinada às crianças.
A cantora Giani Torres está empolgada com o projeto musical que recebeu aprovação do Fundo de Investimentos. A proposta de Giani é prestigiar a estrutura existente em Dourados de estúdio e músicos para o DVD “Giani Torres Canta Coisas Simples”. “Este mês começamos a gravar o DVD que vai mostrar a pré-produção do meu segundo CD intitulado “Como Bolhas, Água e Sabão”, além de incluir imagens do show de lançamento do álbum “Para Falar de Coisas Simples”, que foi realizado em novembro do ano passado no Teatro Municipal. Neste material, estarão incluídos as etapas de realização de quatro vídeoclipes do meu repertório e o público vai poder acompanhar também o processo de produção das músicas “Ai Que Coisa Ruim”, “Água e Sabão” e Antes Social”, deste segundo CD que tem 11 faixas”, argumenta Giani.
Aporte
A relação dos selecionados do Fundo de Investimentos Culturais do Mato Grosso do Sul foi oficializada em abril, quando o governo do Estado anunciou que serão aplicados R$ 2 milhões em 67 ações culturais provenientes de 16 municípios do Estado aprovadas por edital. No total, o FIC 2013 escolheu 20 propostas na área da música, 17 de literatura, 15 de artes cênicas (sendo sete de dança e oito de teatro e circo), seis de folclore e manifestações tradicionais, quatro em formação artística, três de audiovisual, uma de pesquisa cultural e de uma de artes plásticas.
Neste ano, o FIC recebeu 235 inscrições de projetos que concorreram ao edital. O governo contabiliza nos últimos cinco anos, um total de 191 trabalhos financiados. Neste período, já foram investindo R$ 5 milhões e 700 mil viabilizando projetos artísticos no Mato Grosso do Sul.
