23/05/2013 07h01 - Atualizado em 23/05/2013 07h01
Flávio Verão
Na contramão das estatísticas que apontam que a maioria das brasileiras optam pela cesariana, é cada vez mais comum encontrar mães que escolhem o parto humanizado. Em Dourados esse conceito vem conquistando espaço e ganhando cada vez mais adeptas. Com o projeto Rede Cegonha do Ministério da Saúde que prevê a instalação da Casas de parto no município, a procura pelo parto normal deve crescer ainda mais. É o que estima a fisioterapeuta Angela Rios.
Pelo projeto, a Casas de Parto, ou Centros de parto Normal como é chamado pelo Ministério da Saúde, é vinculado a um hospital da rede pública. Em Dourados, nesse caso, seria em anexo ao HU. Angela Rios, também coordenadora de equipe multiprofissional do HU, explica que as Casas de parto têm como proposta humanizar a assistência ao nascimento e ao parto. “Isso significa diminuir as taxas de cesáreas, as intervenções desnecessárias, assim como permitir que as mulheres tomem decisões em relação ao seu próprio corpo”, explica a fisioterapeuta.
Nas Casas de parto o atendimento também é feito por uma equipe multiprofissional, com médicos, enfermeiros, entre outros profissionais da saúde. A principal diferença está no ambiente. “As Casas de Parto não tem aquela característica de hospital. Ela lembra uma residência onde a mulher em trabalho de parto tem todo um atendimento humanizado”, ressalta Angela Rios. O parto neste serviço é indicado para mulheres com gravidez de baixo risco. Para serem atendidas, as mães precisam ter feito o pré-natal completo e não apresentar indicativo de gravidez de risco, como por exemplo, pressão alta e outras doenças.
O processo do parto também é outro diferencial da Casas de Parto, podendo ser feito fora da cama, em pé, apoiada em uma barra na parede, na banheira com água e a todo o momento é possível contar ainda com o apoio do pai ou acompanhante. Hoje há 14 estabelecimentos desse tipo no Brasil, todas fazendo parte do sistema público de saúde.
Humanização
Dourados já conta com uma equipe que defende o parto humanizado. Trata-se do Grupo de Apoio ao Parto Humanizado (GAPH). Quinzenalmente há reuniões entre gestantes e casais que pretendem engravidar, sendo aberto para qualquer pessoa com interesse em conhecer as atividades. O trabalho voluntário é comandado pelas doulas, mulheres que apoiam mulheres desde a gravidez até o nascimento, com informações baseadas em evidências científicas e apoio físico e emocional para que a gestante sinta-se segura e protagonista em suas decisões.
O casal Géssica de Oliveira Cavalcante e Joab Cavalcante tiveram a filha Ester, hoje com 27 dias, por meio do processo de parto humanizado. Durante a gestação eles participaram dos encontros do GAPH e receberam informações importantes. “Como é a nossa primeira filha, o apoio do grupo foi importante para repassar segurança e informações sobre a gestão e cuidados com a nossa filha após o nascimento”, disse a mãe. E quem pensa que o pai não participa de todo esse processo está enganado. Joab fez questão de acompanhar todas as etapas. Na companhia de uma doula, ele esteve ao lado da esposa no processo de parto normal, que iniciou às 4h30 da madrugada. Estela nasceu dez horas depois no HU e nesse intervalo Géssica fez exercícios de relaxamento, caminhou, se alimentou. “Devido às informações e apoio psicológico que recebi eu estava tranquila e a nossa filha veio ao mundo com saúde”, comemora a mãe. Joab e a doula também acompanharam o parto no hospital.
A jornalista e professora universitária Maria Alice Campagnoli Otre também foi assistida pelo parto humanizado. Embora o filho Isaac tenha nascido de parto cesárea, por recomendação médica, vontade não faltou, dela e do marido Robson Barros, de ter o filho por parto normal. Maria Alice faz parte do GAHP e divulga as ações do grupo. “Muitas mulheres optam pela cesárea em razões do medo do parto normal, de sentir dor. Nosso grupo tem como objetivo informar de que é possível ter um parto normal humanizado, com o acompanhamento da família”, explica.
O GAPH conta atualmente com cinco doulas, sendo coordenado por Angela Rios. São fisioterapeutas e enfermeiras e o serviço oferecido por elas traz benefícios como estabilidade emocional e tranquilidade. Com apenas um ano de atividade em Dourados, o GAPH irá abrir inscrições para formar novas doulas na cidade.
Serão ofertadas 20 vagas e o curso será dividido em dois módulos entre os meses de setembro e outubro, com carga de 80 horas. A formação será as sextas, sábados e domingos. As inscrições podem ser feitas durante a exposição de fotografias do Parto Humanizado, aberta segunda-feira no shopping. Até o dia 27 de maio, próxima segunda, Dourados será uma das 14 cidades do Brasil a realizar a exposição fotográfica sobre parto normal, atividades pertencentes à Semana Mundial pelo respeito ao nascimento. Mais informações pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 8128-2253 (Angela Rios).
