18/06/2013 07h31 - Atualizado em 18/06/2013 07h31
São 55 leitos de UTI para atender população de 770 mil habitantes de 34 municípios da região.Ministério da Saúde prevê o minimo de 334 leitos para atender a demanda
Valéria Araújo
A cidade de Dourados tem um déficit de 57% nas vagas de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) nos hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (Sus). É o que aponta relatório do Ministério Público Estadual.
De acordo com parecer, são 55 leitos para atender toda a macroregião que comporta uma população estimada de 770 mil habitantes distribuídos em 34 municípios, sendo que estima-se que 84% da população seja usuária do Sus, ou seja, um total de 647.146 conveniados ao Sistema Único de Saúde. O ideal médio recomendado pelo Ministério da Saúde seria de 126 leitos de UTI, contra 55 disponíveis hoje somente para a macroregião.
Conforme a portaria 1.101/2002 do Ministério da Saúde, estima-se um total de 3 leitos para cada 1 mil habitantes e 10% do total de leitos hospitalares para leitos de UTI. Sendo assim, além do déficit de UTI, o Ministério Público constatou que Dourados deveria disponibilizar 1.941 leitos hospitalares, quando oferece apenas 1.184.
Portando, segundo o Ministério Público Estadual, o município não estaria cumprindo o mínimo indispensável à Saúde da Macroregião de Dourados. Para o promotor de Justiça de Saúde, Ricardo de Mello, são 334 leitos totais e 9 de UTI em defasagem para se cumprir o mínimo.
“Em relação a leitos comuns o atendimento no Hospital da Vida não é negado pela ausência da vaga, mas a dignidade que ainda resta ao paciente internado é reduzida diariamente em face da precariedade do tratamento recebido, assim como a possibilidade de agravos de sua saúde em razão da ausência do tratamento e acomodação adequada. Isto quando os pacientes não dependem da UTI para a sobrevivência e se deparam com a negativa de recebimento proveniente do Hospital Universitário”, destaca.
Segundo a promotoria, isto ocorre em função da diferente política de atendimento entre o Hospital da Vida e Hospital Universitário.
“De fato o Da Vida é caracterizado como hospital de portas abertas para urgência e emergência, sendo que o cidadão que dele necessitar será atendido, precariamente ou não, mas receberá o atendimento. Esta Unidade possui 10 Utis adulto para a salvaguarda dos pacientes ali atendidos. Por sua vez o Hospital universitário possui 15 leitos de UTI adulto. Todavia, em razão de sua vocação e política de atendimento adotada, o Hospital Universitário não mantém seus leitos lotados, realizando reserva de leitos para eventual necessidade do pós operatório das cirurgias “eletivas” realizadas, e que não são emergenciais”, destaca.
Para Ricardo de Mello, a falta de vagas na UTI, deixa os usuários do Sistema Único de Saúde, em situação de risco, sem o devido atendimento preconizado, em prejuízo ao seu bem estar e a sua dignidade.
MORTES
Conforme noticiado ontem, três pacientes morreram na fila da UTI, em Dourados, em uma semana. A denúncia, apresentada pelo Conselho Municipal de Saúde, aponta que apesar de vagas disponíveis, o Hospital Universitário negou os leitos para pacientes internados no Hospital da Vida e que precisavam ser transferidos. Segundo o Conselho, a alegação para não prestar o socorro era o de que não havia lençol disponível nos leitos de UTI, já que um dos aparelhos da lavanderia estava quebrado.
Em conversas com profissionais de saúde da UTI, o Conselho recebeu a informação de que UTIs haviam no dia da solicitação, o que faltava seriam lençóis. Na última quinta-feira morreu a aposentada Eva Ramos Araújo, 75 anos.
O HV solicitou vaga na UTI do HU, que negou a internação. O mesmo ocorreu com os pacientes Jean Michel Aguero Frazão, de 26 e a aposentada Mariana da Silva, de 86 anos, que tiveram pedidos de vaga negados pelo Hospital universitário.
A direção do HU encaminhou nota observando que o problema de lençol foi resolvido. que desde domingo os atendimentos voltaram ao normal e que o problema foi pontual de apenas um dia.
MAIS VAGAS
De acordo com a Prefeitura, a Secretaria de Saúde tem uma projeto em andamento para credenciar mais leitos de UTI para atendimento pelo SUS. Entretanto, esse credenciamento depende do Ministério da Saúde. A Secretaria tem exigido dos hospitais credenciados que disponibilizem os leitos de UTI vagos para a população. A Saúde também se reúne com secretários municipais da região para otimizar o serviço.
