29/05/2012 07h01 - Atualizado em 29/05/2012 07h01

Greve na UFGD deixa 6.600 sem aulas; alunos podem perder semestre

Professores param e alunos podem perder o semestre se as negociações com MEC não avançarem

 

Valéria Araújo

 
Sem aulas, Universidade Federal da Grande Dourados está praticamente vazia. Foto: Hédio Fazan

Sem aulas, Universidade Federal da Grande Dourados está praticamente vazia. Foto: Hédio Fazan

A greve iniciada ontem na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) deixa 6.600 alunos sem aula. Destes, 5,7 mil são da graduação e 600 da pós-graduação. Ao todo, 400 professores da Universidade aderiram à greve nacional por melhores salários. A UFGD é a primeira federal a ingressar no movimento nacional, em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Professores da UFGD, Adauto de Oliveira Souza, a paralisação é uma resposta à falta de avanço nas negociações com o governo federal. Segundo ele, não há previsão da categoria retornar aos trabalhos.

Adauto alerta que, caso a greve se estenda por um período maior de tempo, os universitários podem até perder o semestre. Em outras situações menos agravantes, o estudante poderá perder as férias para repor as aulas. “Estamos lutando para que esta negociação se encerre o quanto antes para evitar prejuízos, tanto aos professores como para os alunos”, destaca. Ele adianta que assim que encerrar a paralisação será iniciada uma discussão em torno do calendário de reposição de aula.

EM TODO O PAÍS, 500 MIL ALUNOS DE 52 UNIVERSIDADES EM GREVE ESTÃO SEM AULA

De acordo com a imprensa nacional, a paralisação geral começou no dia 17. As universidades paralisadas somam 52 das 59 existentes no país. O sindicato da categoria estima que mais de 500 mil alunos estão sem aulas por conta da greve. Entre as principais reivindicações estão a incorporação de gratificações, acréscimo de titulação, melhores condições de trabalho e reestruturação do plano de carreira nos campi criados com o Reuni.

Os professores também pedem aumento do piso salarial dos atuais R$ 557,51 para R$ 2.329,35, valor calculado pelo Dieese como salário mínimo para suprir as necessidades previstas na Constituição Federal e equiparação salarial com os professores do Ministério da Ciência e Tecnologia. Em nota divulgada no início da greve, o Ministério da Educação (MEC) informou que "as negociações salariais com o sindicato começaram em agosto passado, quando foi acertada a proposição de um reajuste salarial linear de 4%, a partir de março de 2012".

Segundo a notificação oficial, o ministro Aloizio Mercadante interferiu diretamente junto a presidenta Dilma Rousseff para acelerar a aprovação do projeto de lei que previa o aumento para a categoria. "A medida provisória foi assinada na sexta-feira (11) e publicada no Diário Oficial, assegurando o reajuste de 4% retroativo ao mês de março, além das gratificações específicas do magistério superior e de atividade docente do ensino básico, técnico e tecnológico".

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