14/06/2012 07h11 - Atualizado em 14/06/2012 07h11

Médicos do Hospital da Vida decidem hoje sobre demissão

Eles se reúnem com a prefeitura para negociar solução para crise nos hospitais públicos

 
Valéria Araújo
 
Pacientes e médicos denunciam superlotação no Hospital da Vida. Foto: Hédio Fazan 
 Pacientes e médicos denunciam superlotação no Hospital da Vida. Foto: Hédio Fazan

Médicos do Hospital da Vida podem ter hoje uma solução para a crise nos hospitais públicos de Dourados. Porém se não houver um acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, todo o corpo clínico do Hospital da Vida, formado por 110 médicos pretendem pedir demissão em massa.

A categoria denuncia a superlotação, e falta de estrutura para trabalhar nos hospitais públicos. A categoria fez dois dias de alerta, onde apenas pacientes em estado grave foram atendidos. A próxima mobilização da categoria é pelo pedido de demissão em massa caso não haja resposta do poder público em relação à crise. De acordo com o diretor clínico do Hospital da Vida, o pediatra Luiz Carlos de Arruda Leme, a fonte do problema está na falta de repasses condizentes com o número de atendimentos prestados.

Conforme o Conselho Municipal de Saúde, os hospitais da Vida e Universitário (HU), já acumulam juntos dívidas de mais de R$ 3 milhões ao mês; algo em torno de R$ 36 milhões ao ano. “A única resposta que tivemos foi uma placa que a Prefeitura expôs em frente ao Hospital da Vida informando que a unidade ‘era administrada pelo Evangélico’.

Para Arruda, a atitude da prefeitura é comparada a uma ‘cortina de fumaça para disfarçar que a gestão da saúde pública é realizada pelo município’. Nós nunca dissemos que o problema era só da Prefeitura. O que sempre propomos foi que além do município, Estado e União possam intervir na problemática e juntos dar uma solução para o déficit nos repasses ao Hospital”, destaca.

O médico diz que a categoria vai apelar pela intervenção do Governo do Estado para ajudar nos repasses. “Fomos informados que o Tribunal de Contas do Estado está fazendo ressalvas ao governo do Estado para aplicar este ano uma quantia na saúde que não teria sido investido na pasta. Vamos tentar sensibilizar o governador para que se tiver que aplicar estes investimentos que o faça em Dourados”, destaca.

A precariedade dos serviços do HV e HU é tão sério que já são 1.300 pessoas na fila de espera para exames de endoscopia e mais de 700 na fila das cirurgias de cataratas. Neste caso o Hospital Universitário é contratado para atender 16 cirurgias de catarata por mês.

MÉDICOS APELAM PARA A INTERVENÇÃO DO ESTADO NA CRISE DA SAÚDE PÚBLICA

PREFEITURA

A Secretária de Saúde de Dourados, Sílvia Bosso, confirmou recentemente que o déficit de recursos hospitalares existe, mas que é de responsabilidade da tripartite (Prefeitura, Estado e União) garantirem sua manutenção. De acordo com ela, a prefeitura busca sensibilizar as demais instâncias para contribuírem com um aporte financeiro para o custeio mensal dos serviços disponibilizados pelo poder público.

A secretária afirma que a Prefeitura aplica hoje 24% da arrecadação para a saúde, o que representa 9% a mais do que preconiza a Lei de Responsabilidade Fiscal.

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