MP-MS pede preventiva de policial que confessa ter matado empresário

Por: G1/MS - 04/01/2017 16h20

 
Empresário foi morto a tiro por policial Empresário foi morto a tiro por policial

O Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul pediu a prisão preventiva do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, de 47 anos, que confessou ter matado o empresário Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, no fim da madrugada do dia 31, em Campo Grande.

No documento, o promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki alega que a prisão preventiva é necessária porque há indícios suficiente da autoria, indícios de que o policial possa ter sido favorecido em função da profissão e ainda induzido colegas a erro.

O promotor pediu ainda que seja feita perícia o mais rápido possível no suposto buraco que a vítima teria desviado e assim fechado o veículo do policial, em vídeos que circulam na internet, que sejam ouvidos jornalistas que estiveram no local, pessoas que testemunharam a cena, moradores e ainda que seja feita uma varredura em casas e comércios a procura de imagens de câmeras de segurança. O MPE quer ainda perícia nos telefones do policial e do empresário.

O MPE afirma que no flagrante, foram ouvidos apenas os dois policiais militares que estiveram no local e não também as demais pessoas que estavam na caminhonete da vítima.

O policial foi preso em flagrante. Ele alega legítima defesa e responde em liberdade por tentativa de homicídio e homicídio simples. Ricardo Moon foi solto por determinação judicial.

Crime

As imagens do carro do empresário podem ajudar a entender a dinâmica do crime. Segundo a perícia, todos os sete tiros atingiram a camionete. Três acertaram o para-brisa, em direção ao empresário e os outros quatro, as laterais.

O exame necroscópico feito no corpo de Nascimento mostra que ele foi atingido por cinco tiros: um no pescoço, dois no braço esquerdo, um no tórax e um no abdômen.

"A polícia está trabalhando com três vertentes: se vai permanecer o indiciamento pelo homicídio. Se vai verificar se houve legítima defesa, porque daí não prosperaria o indiciamento por homicídio ou se seria legítima defesa, mas com excesso. Ele responderia pelo excesso", explicou a delegada Daniella Kades.

Versão

O agente rodoviário e os dois amigos do empresário que sobreviveram já prestaram depoimento. Na versão das vítimas, quando entraram na avenida Ernesto Geisel, no Centro, o empresário invadiu a faixa por onde passava o policial. Logo depois, parou no sinal vermelho.

O policial atravessou o carro na frente, para impedir a passagem e começou a discussão. As testemunhas disseram, ainda, que o empresário tentou acelerar para sair com o carro. Nessa hora, o policial começou a atirar.

Excesso

O juiz José de Andrade Neto, que decidiu pela liberdade provisória do policial, justificou que, apesar da comoção social pelo caso, não existe qualquer indício de que policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon vá atrapalhar as investigações, além de ter endereço fixo e não ter antecedentes criminais.

O juiz ainda considerou que o policial tem despreparo emocional e que agiu com excesso e falta de habilidade técnica para lidar com a situação. Em depoimento à Polícia Civil, o agente alegou legítima defesa. A PRF informou que acompanha as investigações.

Ele foi suspenso da função de agente da PRF e não pode portar arma de fogo. Durante a liberdade provisória, o policial terá que ficar em casa das 22h às 6h. O caso será investigado pela 1ª Delegacia de Polícia CIvil de Campo Grande.

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