Puccinelli é o chefe de esquema de propina, diz PF

14/11/2017 12h58 - Por: G1/MS


 
Puccinelli em viatura da PF, na saída do prédio onde mora, em Campo Grande, MS (Foto: Domingos Lacerda/ TV Morena) Puccinelli em viatura da PF, na saída do prédio onde mora, em Campo Grande, MS (Foto: Domingos Lacerda/ TV Morena)

A Polícia Federal (PF), após análise documental com a Receita Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), em Campo Grande, apontou o ex-governador André Puccinelli (PMDB) como o chefe de um esquema de propina existente há mais de 10 anos no estado. O montante de desvio comprovado, até o momento, é de R$ 235 milhões, conforme apontou nesta terça-feira (14) o delegado da PF, Cléo Mazzotti. Puccinelli e o filho, André Puccinelli Júnior foram presos nesta terça-feira, em Campo Grande, em casa, durante a 5ª fase da Lama Asfáltica, denominada Papiros de Lama.

Há mandados cumpridos ainda em Nioaque, Aquidauana e São Paulo. São, ao tado, dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, seis de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para depoimento, e 24 de busca e apreensão.

"Ele [Puccinelli] tinha papel central, sendo o beneficiário e garantidor de todo o esquema. Ficou comprovado que ele mantinha estas operações, com empresas envolvidas na lavagem de dinheiro. A investigação nunca perdeu o foco e agora estamos na 5ª fase, tendo a delação premiada para incrementar todo o trabalho, tanto que parte deste material foi enviado para São Paulo, a ser utilizado em operações existentes lá envolvendo a empresa JBS", ressaltou ao G1 o delegado Mazzoti.

Durante este período de varredura dos documentos, conforme a Polícia Federal, o pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda entrou em contato para ter o benefício da delação premiada. "Ele confessou ser o operador do esquema de 2006 a 2013, tendo André Cance assumido em 2014. Durante este período, Ivanildo recebia 80 mil mensais e, após 2010, os valores passaram a ser 200 mil mensais", explicou Mazzotti.

O investigado aguarda em liberdade o andamento do processo. "Ele disse que fazia depósitos nas contas designadas pelo ex-governador ou então trazia o dinheiro em espécie, carregando em caixas ou mochilas. A confissão foi semelhante do que apontado por testemunhas na JBS. Neste caso, a propina resultava em 30% dos incentivos fiscais e tudo foi corroborado nas planilhas que localizamos na casa do André Cance", ressaltou o delegado.

No caso da vistoria na empresa JBS, de acordo com a Polícia Federal, a mesma planilha foi encontrada. "A diferença é que a última planilha tinha apenas quatro linhas a mais. Eles colocavam os valores e, após isso, 30% de abatimento entregue pela JBS. Além disso, constatamos R$ 20 milhões entregues na última campanha, mais R$ 15 milhões para o Instituto Ícone de Direito e mais R$ 15 milhões para a Gráfica Alvorada", disse Mazzotti.

Além da oitiva, a força-tarefa levou em conta e-mails e documentos que reforçaram todo o conjunto probatório, tendo ainda interceptações telefônicas e depoimentos que convergiram com a delação premiada, de acordo com o chefe da CGU, José Paulo Barbiere. "Houve fraudes em licitações de livros didáticos, propina e o levantamento de desvio de R$ 85 milhões nesta fase, totalizando já os R$ 235 milhões apontados desde o início das ações", afirmou.

Com relação a empresa Águas Guariroba, houve a fraude na suposta aquisição de uma estação de tratamento de água em Dourados, na região sul do estado. "A negociação foi extremamente lucrativa para a empresa Proteco, além de resultar em patrocínio para a Ícone, com livros jurídicos que não são da atividade da empresa Águas, sendo usados na distribuição em eventos de 2011 a 2017. Houve ainda serviços advocatícios e consultorias com fortes indícios de que não foram devidamente prestados", disse Barbiere.



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