Reinaldo critica "omissão" da União no combate ao crime fronteiriço

19/05/2017 09h46 - Douradosagora

 
Governador Reinaldo Azambuja Governador Reinaldo Azambuja

Ao falar sobre a questão da segurança na região Sul do Estado, o governador Reinaldo Azambuja criticou a "omissão" do Governo Federal no combate a criminalidade nas fronteiras do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, pois essa falta de investimentos federais tem jogado para o Governo do Estado a responsabilidade que é da União.

Para não deixar os municípios da fronteira no abandono, o governo estadual tem investido forte na segurança pública. Nesta quarta etapa do programa MS Mais Seguro, por exemplo, estão sendo investidos mais de R$ 114 milhões. E a região da Grande Dourados está sendo contemplada. Reinaldo Azambuja entrega viaturas para a Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros neste sábado (20/5) para reforçar a segurança em Dourados, Caarapó, Douradina, Fátima do Sul, Itaporã, Laguna Carapã, Rio Brilhante e Vicentina.

São 32 veículos comprados com recursos próprios do Estado, em um momento, segundo o governador, em que algumas das unidades da Federação não conseguem sequer pagar salários dos servidores em dia. Reinaldo Azambuja enumera os investimentos na Grande Dourados e diz que além das áreas essenciais, saúde, segurança e educação, o Estado vai investir mais em infraestrutura, incentivos às indústrias e suporte à agricultura familiar para gerar mais empregos e renda.

*** Governador, a Grande Dourados é uma região produtiva, em processo de expansão da agroindústria e também um polo educacional, mas enfrenta o problema da violência, em razão da proximidade com a fronteira. O Estado vai investir mais no sentido de melhorar as estruturas das polícias na região?***

Reinaldo Azambuja – Essa questão é muito importante e nos preocupa porque até agora o Governo Federal tem sido omisso. Não significa que devemos esperar, por isso lançamos o programa MS Mais Seguro, que já está em sua quarta etapa e prevê investimentos de mais de R$ 114 milhões. Vamos entregar agora, em ato na Expoagro, 31 viaturas, para reforçar e melhorar as condições de trabalho da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Além de melhorar a estrutura, dar mais mobilidade às forças de segurança, o programa inclui entrega de equipamentos de proteção, armamentos e munições. Temos também a preocupação de aproximar mais a polícia do cidadão. Em todos os 79 municípios haverá uma ação do programa MS Mais Seguro. Infelizmente, há a omissão do Governo Federal que não cuida das fronteiras, que estão escancaradas.

Uma das reclamações é que o contingente policial é pequeno para o tamanho da violência. Vai ter reforço também com a colocação de mais policiais nas ruas?

Reinaldo Azambuja – Em dois anos e quatro meses colocamos mais de 1.800 novos policiais e não ficamos nisso, aceleramos o processo de formação e reclassificação nos quadros da Segurança Pública, porque não basta oferecer as condições estruturais, mas também estimular o policial, permitir que ele possa crescer, ter ascensão funcional, promoção. Cerca de 2.400 policiais foram promovidos.

Se não estamos no patamar ideal, avançamos muito mais que os demais estados. É algo inédito. Em uma reunião de secretários de segurança pública de todo país, nos questionaram como Mato Grosso do Sul consegue reaparelhar as polícias com recursos públicos em um momento de crise tão aguda como a que estamos vivendo, a maior de toda história do Brasil. E olhando para estados grandes, de economias fortes, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, concluímos que aqui nós avançamos, fazemos entregas e pagamos em dia. E quando se mede o mapa da violência, Mato Grosso do Sul aparece como o terceiro mais seguro, mas não significa que devemos nos acomodar, pelo contrário, tem que servir de estímulo para o Estado não cair no ranking. Nossa polícia está desenvolvendo operações constantes, vivemos num estado fronteiriço.

Autorizamos concurso da Polícia Civil: 210 vagas, 100 vagas para investigador, 80 para o cargo de escrivão e 30 para delegado. Estão em análise concursos para Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. Com essa informação quero tranquilizar os servidores da justiça e da segurança pública, dizer que a segurança é uma prioridade do nosso governo

*** Governador, quais os investimentos do Estado em outros setores?+++

Reinaldo Azambuja – Depois da saúde, a grande preocupação da população é a falta de emprego. Nessa questão temos várias ações. Estamos investindo R$ 10 milhões na estruturação do Núcleo Industrial. Daí desencadeiam as oportunidades de emprego. Incentivamos a instalação do complexo da Coamo, que vai investir R$ 760 milhões. O grupo Seara em Dourados vai dobrar a produção, com a meta de abater 6 mil suínos por dia, abrindo a oportunidade de novos postos de trabalho.

Em outras frentes, estamos firmando parceria com a prefeita Délia para a revitalização do centro de Dourados, com obras nas avenidas Weimar Torres, Marcelino Pires, Hayel Bon Faker e Joaquim Teixeira Alves, contando com R$ 4 milhões alocados por meio de emenda do deputado Geraldo Resende e mais R$ 4 milhões de contrapartida do Estado. Entregamos 800 novas moradias, que tem alta contrapartida do Estado. Estamos disponibilizando R$ 5 milhões para a operação tapa-buracos e vamos credenciar outra organização social para garantir a realização de 300 cirurgias, enquanto se processam as obras de ampliação da rede hospitalar, lembrando que já entregamos um tomógrafo e um raio-x laser e ativamos 10 leitos.

Inauguramos duas escolas, uma em Indápolis e outra de período integral. É uma nova modalidade de ensino, a escola de autoria, inaugurada em Pernambuco e que permitiu que aquele estado saltasse do último para o topo do ranking de avaliação do Ideb. Vamos implantar 40 escolas nessa modalidade e deve vir ao Estado o ministro da Educação, Mendonça Filho para inaugurar escola profissionalizante, importante para assegurar a formação de mão de obra qualificada no processo de expansão das atividades econômicas.

Estão surgindo os primeiros sinais do fim da recessão, os níveis de emprego foram positivos no mês de março em estados que até março tinham soldo negativo. Qual a perspectiva no Estado.

Reinaldo Azambuja – É importante lembrar que, independentemente da crise, que nos tem impedido fazer o que gostaríamos e que a população espera, nosso governo adotou uma política de contenção de gasto na sua própria estrutura administrativa. Decidimos gastar menos dentro do governo para investir mais para fora, com foco nas pessoas. Por isso estamos conversando com a prefeita Délia Razuk no sentido de estreitarmos as parcerias. Estaremos divulgando por esses dias licitação de obras viárias na região de Dourados.

Além do recapeamento, investimentos nas rodovias, melhorias no tráfego. Vamos instalar uma Central de Abastecimento, que poderá absorver a produção da agricultura familiar. Na semana passada entregamos máquinas e implementos agrícolas que beneficiam 67 famílias de pequenos agricultores. Estamos apostando nisso nesse momento de crise, em ações que possam gerar emprego e renda. São mais de 2 mil equipamentos para a agricultura familiar nos 79 municípios do Estado e nesse aspecto faço um agradecimento especial à nossa bancada federal.

Com a ajuda dos senadores e dos deputados federais estamos conseguindo dar resposta e fazer entregas, em todas as áreas, priorizando o cidadão. Gastar menos com o governo é gastar mais com as pessoas. Nosso governo está presente, é responsável e transparente e só temos a comemorar. Saímos de uma nota de 2,5 para 10 em transparência, isso é um ganho da sociedade. Governar em momento bom é muito fácil, mas estamos realizando em um momento difícil, cumprindo com todas nossas obrigações e fazendo entregas. Estamos absolutamente convencidos de que a retomada do crescimento nos níveis que permitam ao governo investir mais em infraestrutura, na saúde, segurança pública, haverá uma nítida melhora na qualidade de vida da nossa população.


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