Países se mobilizam para combater resistência a antibióticos na alimentação e na agricultura

19/11/2017 13h24 - Por ONU


 
Mais países se mobilizam para combater a resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura. Foto: EBC Mais países se mobilizam para combater a resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura. Foto: EBC

Os esforços para interromper a propagação de patógenos resistentes a antibióticos nas atividades agrícolas e nos sistemas alimentares ganharam impulso graças a um forte apoio dos governos e de técnicos que está potencializando a capacidade dos países de responder ao problema, disse a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na sexta-feira (17).

Os antimicrobianos são muito utilizados nos setores pecuário, avícola e aquícola para tratar ou prevenir doenças.

Seu uso excessivo e indevido impulsiona a aparição e propagação de patógenos causadores de doenças que são resistentes aos medicamentos e, por isso, cada vez mais difíceis de tratar.

O primeiro estudo anual da FAO, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o progresso no estabelecimento de planos nacionais diante da resistência antimicrobiana — realizado em 2016 — concluiu que mais de 6,5 bilhões de pessoas, ou mais de 90% da população mundial, vivem hoje em países que já têm ou estão desenvolvendo um plano de ação nacional para abordar a questão.

Quase todos eles abarcam a saúde animal e humana, em linha com o enfoque multissetorial do conceito de "uma só saúde".

Desde a elaboração desse relatório, há mais países que avançaram rumo à finalização de seus planos ou os tornaram plenamente operacionais.

O último país a apresentar um plano de ação para fazer frente à propagação da resistência antimicrobiana utilizando o enfoque de "uma só saúde" foi o Quênia, que colocou em andamento esta semana sua política e seu plano de ação nacional frente aos antibióticos.

O Quênia é um dos 12 países africanos e asiáticos a participar de um projeto da FAO, financiado pelo Fundo Fleming do Reino Unido, com o objetivo de desenvolver sua capacidade nacional de acompanhamento e resposta frente aos riscos da resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura.

No entanto, apesar dos avanços, o impulso global frente à resistência antimicrobiana ainda está em sua etapa inicial, e há pontos fracos que devem ser reforçados, em especial nos setores alimentares e agrícolas nos países de renda baixa e média, onde se trava a batalha decisiva contra as "superbactérias" resistentes aos medicamentos convencionais, advertiu a FAO.

Particularmente, devem ser preenchidas importantes lacunas na informação sobre onde, como e em que medida os antibióticos são utilizados na agricultura, enquanto é necessário fortalecer os sistemas e instalações nacionais para rastrear a ocorrência da resistência a medicamentos nos sistemas alimentares e no meio ambiente, segundo a agência da ONU.

Trabalho da FAO

"Os países de baixa e média renda são especialmente vulneráveis aos efeitos devastadores da resistência antimicrobiana, um problema complexo que requer uma ação coordenada em várias frentes e em diversos setores, respaldada por uma sólida capacidade normativa, epidemiológica e de laboratório", disse Ren Wang, diretor-geral adjunto da FAO, responsável pelo Departamento de Agricultura e Proteção do Consumidor.

Uma carga demasiada de doenças infecciosas e de carências em recursos, normas e legislação — além de conhecimentos técnicos e de capacidade — pode significar desafios adicionais aos países para abordar as doenças infecciosas que afetam a pecuária. E muitas vezes os tornam vulneráveis à resistência antimicrobiana.

"Aqui é onde a FAO, junto com nossos parceiros, aproveita nossos conhecimentos e experiência para ajudar os países em desenvolvimento", disse Wang.

"O objetivo é ajudá-los a adquirir as ferramentas e a capacidade para implementar melhores práticas na produção pecuária e agrícola, reduzir a necessidade de antibióticos nos sistemas alimentares, desenvolver capacidade de vigilância para avaliar a amplitude da resistência antimicrobiana e de acompanhamento para controlá-la."

Progressos feitos até o momento

Além de apoiar os países no desenvolvimento ou reforço de seus planos de ação, o trabalho da FAO — respaldado pelo Fundo Fleming — ajuda os países a melhorar suas capacidades técnicas para monitorar o uso de antibióticos e a propagação de organismos com resistência antimicrobiana nos sistemas alimentares.

Dentro desses esforços, a FAO desenvolveu uma ferramenta conhecida como ATLASS, que permite aos países realizar um "teste de resistência" de seus laboratórios e sistemas epidemiológicos nacionais.

Fazê-lo pode revelar onde existem carências que podem ser corrigidas graças ao investimento e outros tipos de apoio.

A ferramenta já foi implementada em seis dos países apoiados pelo projeto do Fundo Fleming e da FAO; e outras quatro avaliações nacionais do ATLASS terão início nos próximos meses.

Um trabalho similar liderado pela FAO — financiado pelos Estados Unidos — ocorre em Indonésia, Tailândia e Vietnã, e a organização utiliza também seus próprios recursos para trabalhar com os setores aquícolas em Bangladesh, China, Malásia e Filipinas.

Na América Latina e no Caribe, a FAO colabora com os governos de Bolívia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador e Honduras em matéria de resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura, enquanto a Ásia central acaba de lançar um projeto de três anos — financiado pela Rússia — sobre resistência a antibióticos nesses setores em seis países (Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Rússia).


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