UFGD busca voluntários para ensinar português a haitianos

A estimativa é de que mais de 200 haitianos estejam morando em Dourados

22/09/2017 16h04 - Por: Da redação

 
Haitianos durante visita na UFGD Haitianos durante visita na UFGD

O projeto de extensão "Ações de facilitação da inserção social de haitianos em Dourados", coordenado pela professora Carolina de Campos Borges, da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD, está aberto para novos voluntários e parcerias.

A demanda mais emergente é por monitores para ministrarem aulas de Português durante o dia, já que muitos haitianos trabalharam à noite e então não conseguem participar das turmas que estão em andamento. As aulas de Português ocorrem de terça a sexta-feira, no Estádio Douradão, no espaço disponibilizado pela Prefeitura Municipal.

A estimativa é de que mais de 200 haitianos estejam morando em Dourados, mas Alex Dias, doutorando em Geografia pela UFGD, conta que esse número foi o que conseguiram mensurar por enquanto, através dos contatos com o pessoal do projeto e das ocupações no mercado de trabalho.

Alex está pesquisando a imigração haitiana e no projeto de extensão está colaborando para fazer um diagnóstico desta população, com objetivo de elencar as principais demandas e ter subsídios para buscarem ações específicas. Entre as futuras iniciativas pode estar, por exemplo, a entrada na universidade e por isso é necessário saber a escolaridade atual desta população, entre outros fatores.

VISITA À UFGD

O projeto de extensão levou 30 participantes até a Cidade Universitária para que conhecessem a UFGD. Eles foram recepcionados pelas Faculdades de Ciências Humanas (FCH) e Comunicação, Artes e Letras (FACALE) e percorreram o Centro de Convivência, o Restaurante Universitário e a Biblioteca Central, na noite da última terça-feira (19).

A coordenadora do projeto, Carolina Borges, explica que a visita serviu para que conhecessem o espaço da universidade e também para que a comunidade universitária soubesse que eles estão na cidade e com essa visibilidade, outros servidores e cursos se sentissem provocados e também realizassem projetos com os haitianos.

Para Daniela Valle de Loro, voluntária no projeto e que atua na área de patrimônio cultural, nacionalmente, as universidades e organizações da sociedade civil estão assumindo o papel de acolhimento desta população, já que o Governo Federal fez a parte diplomática, mas não oferece mais que isso. O envolvimento com os imigrantes está avançado em universidades como a UFPR, UFRJ e a Unicamp.

FACULDADES

Os haitianos foram acolhidos pelo diretor da Faculdade de Ciências Humanas (FCH), Jones Dari Goettert, que apresentou os cursos de Ciências Sociais, História, Geografia e Psicologia, de forma a aproximar as temáticas de estudo com as informações sobre o Haiti.

Esse primeiro contato já despertou o interesse dos participantes do projeto. Diems Louizaire está há oito meses no Brasil e contou que veio pra cá em busca de oportunidades de estudos e então perguntou o que poderia ser feito para que ele pudesse fazer um curso na UFGD. Sobre esse ponto, o projeto de extensão buscará articular junto ao Escritório de Assuntos Internacionais (ESAI) futuras formas de ingresso e entre as possibilidades está, por exemplo, o preenchimento das vagas ociosas.

No entanto, o professor Jones sugeriu que enquanto esses processos fossem se desenvolvendo, os haitianos intensificassem a leitura e escrita em Português, contassem suas histórias e impressões sobre o Brasil nos textos, e se disponibilizou a propor grupos de estudos com os estudantes da FCH como uma forma de apoio para que fossem se preparando para o Vestibular. Além da entrada, outro desafio seria a permanência durante os 4 ou 5 anos de curso. Por isso levantaram como importante a demanda por bolsas que dessem apoio para moradia e alimentação aos estudantes haitianos.

"A gente não vai desanimar. Vocês estarem aqui hoje já é uma vitória para vocês e pra gente. Vir aqui, conhecer a universidade, pisar nela, já é um momento importante. Então a gente tem que insistir (...) e construir as possibilidades de inclusão e transformação, no Brasil e no Haiti. Nós queremos que quando vocês voltarem para o Haiti, voltem melhor do que vieram e se permanecerem aqui, ajudem-nos também a sermos melhor do que somos", desejou o professor Jones.

Na Faculdade de Comunicação, Artes e Letras, o professor Paulo Custódio também seguiu essa linha e acrescentou que muitos problemas que afligem o Haiti também ocorrem no Brasil, citando o cenário político, mas que a solução não é externa. "Nós queremos que levem as experiências que tiveram aqui para contribuir com o Haiti. Só as pessoas daquele país podem resolver os problemas do próprio país", disse Paulo Custódio.

Na oportunidade, a professora Leoné Astride Barzotto também deu as boas-vindas e comentou que a literatura haitiana é o coração que bate mais forte na disciplina que ela ministra, intitulada "América Latina e Caribe", na área de Literatura e Práticas Culturais.


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