Febre amarela põe em risco macacos

MMA 20/03/2017 12h10

 
Martim Garcia/MMA / Espécie da Mata Atlântica: sentinela Martim Garcia/MMA / Espécie da Mata Atlântica: sentinela

O surto de febre amarela tem provocado uma grave ameaça a primatas da Mata Atlântica, inclusive a espécies ameaçadas de extinção.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) emitiu, na semana passada, um alerta à sociedade para reforçar a proteção dessas espécies e evitar maus-tratos e violência provocados pela ação do homem em áreas onde há casos da doença.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disponibiliza o serviço Linha Verde (telefone 0800-61-8080 e o e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br) para que a população denuncie agressões aos animais.

"É importante que a população tenha plena consciência de que os macacos não são responsáveis pela existência do vírus e nem por sua transmissão a humanos. Eles precisam ser protegidos.

Além disso, a violência contra os animais é crime ambiental", ressalta o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercillo. O vírus da febre amarela silvestre é transmitido por mosquitos (gêneros Haemagogus e Sabethes).

SITUAÇÃO

Em encontro com membros da comunidade científica, representantes do MMA e do Ministério da Saúde debateram a transmissão do vírus em primatas.

Pesquisadores manifestaram preocupação com a situação de violência contra macacos, especialmente nas áreas rurais.

Eles alegam relatos de agressões no Estado de São Paulo e em outras regiões do país e comunicaram que "informações equivocadas estão levando pessoas a matarem macacos para supostamente se proteger da doença".

A intenção do governo federal é esclarecer à sociedade sobre os vetores de transmissão da doença e evitar que a desinformação cause violência e a matança dos animais, a exemplo do que ocorreu em 2008 e 2009, quando macacos foram agredidos e mortos em Goiás e no Rio Grande do Sul por moradores que consideravam, equivocadamente, que os animais transmitiam a doença.

"Os primatas agem como verdadeiros anjos da guarda dos seres humanos, pois quando ocorre a morte desses animais em escala anormal, como vem ocorrendo em determinadas regiões da Mata Atlântica, isso é um indicativo da presença do vírus.

Essas informações podem subsidiar as ações do governo", afirma Danilo Simonni Teixeira, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia.

Segundo o especialista, por viverem no interior da mata, os primatas costumam ser os primeiros a serem infectados e, por isso, são chamados de animais-sentinela.

Desta forma, eles acabam desempenhando uma importante função, já que sinalizam a circulação do vírus e isso permite às autoridades de saúde intensificar a vacinação, protegendo as pessoas que vivem ou visitam as regiões onde há surto da doença.

AMEAÇA

O Ministério da Saúde foi notificado de 968 epizootias (nome dado às ocorrências que causam a morte de macacos), com suspeita de febre amarela, desde dezembro de 2016.

Desse total, 386 epizootias foram confirmadas por febre amarela. De acordo com a pasta, cada ocorrência registrada pode envolver um número superior a um animal morto.

"O quadro é muito preocupante, já que uma parte significativa dos primatas da Mata Atlântica está sob ameaça de extinção.

A morte desses animais traz enorme desequilíbrio ambiental, que não pode ser agravado pela ação do homem", afirma Ugo Vercillo. No bioma da Mata Atlântica, onde incide a doença, encontram-se primatas ameaçados de extinção, entre eles, o Bugio, o Macaco-prego-de-crista, além do Muriqui do sul e do norte.

FISCALIZAÇÃO

Conforme a legislação ambiental, matar ou maltratar animais é crime, cuja pena pode chegar a um ano de detenção, além da aplicação de multa.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a população deve denunciar casos de violência contra animais da fauna brasileira pelo serviço Linha Verde. As denúncias são apuradas pelos órgãos competentes.

SERVIÇO:

Linha Verde: para denúncias de crime ambiental Telefone 0800-61-8080

E-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br

Ligue 136 para informar às autoridades em saúde a ocorrência de animais mortos ou com suspeita da doença.


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