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sábado, 21 de maio de 2022

Pornografia infantil movimenta 4 milhões de reais por ano

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Divulgar e comercializar fotos de crianças e adolescentes despidas, cenas de intimidade com crianças, ludibriá-la em conversas em salas de bate-papo para atender desejos através de webcan são algumas práticas de pedofilia que ocorre pela internet. De acordo com Mônica Horta, delegada e assessora de comunicação da Polícia Federal (PF), a indústria da pornografia infantil brasileira fatura aproximadamente R$4 milhões por ano. Enquanto a indústria mundial fatura U$5 bilhões de dólares.Mônica relata que pesquisas realizadas no mundo virtual mostram que a quantidade de sites com conteúdo erótico infantil cresceu cerca de 70,35% no período de um ano. “Essa realidade é possível por conta do poder que a internet tem em disseminar imagens e vídeos dos menores”, explica.Compartilhamento de imagens

A assessora explica que a disseminação do conteúdo é muito fácil quando se tem um computador em mãos, uma vez que é só acessar o site, clicar na foto e/ou vídeo desejado e comprar. Os valores das fotos nem sempre são divulgados nos sites e geralmente são negociadas pelo dono e o comprador, através de e-mail e telefone. Porém, Mônica lembra de um caso, onde a PF recebeu uma denúncia de um site que vendia fotos de menores por apenas R$5.Mônica e o diretor da organização não-governamental SaferNet Brasil, Rodrigo Nejm, afirmam ser difícil colocar em números o quanto essa indústria ganha, pelo fato de não ser divulgado pelos proprietários dos sites.”Uma foto pode ser vendida por qualquer valor”, diz Rodrigo. Já as crianças, ganham brinquedos, roupas e afeto do abusador. “Raramente uma criança ganha dinheiro nessa indústria. Na verdade acaba sendo uma relação de troca: você deixa eu tirar uma foto sua e eu te dou um brinquedo. É tudo muito inocente para o universo infantil”, conta Mônica.Consumidor

Em relação ao consumidor desses materiais, a Presidente do Fórum Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA), Lídia Rêgo, diz que existem questões graves que devem ser observadas e analisadas. “A cultura da violência, uma vez que acontecem crimes no país diariamente. E depois a política neoliberal capitalista atrelada ao consumo excessivo do brasileiro que influenciam diretamente nesse processo. As pessoas querem sempre mais dinheiro, poder”, diz.Lídia explica que esses fatores influenciam na prostituição infantil, pois é perfil do pedófilo ser violento com seus familiares e com as pessoas que o rodeiam, com excessão da criança. E também é comum que ele tenha um poder aquisitivo elevado. “Só lamento o fato do país ser ausente em dados estatísticos para poder fazer um levantamento mais preciso sobre isso. O que iria ajudar na prática deste crime”, alerta.Sites

O trabalho da PF em investigar os sites só começa quando as denúncias oriundas de organizações não-governamentais, hackers, cooperações internacionais, agentes infiltrados e da própria população chegam até órgão. Após feita a denúncia, a equipe precisa descobrir o endereço de IP (Internet Protocol) do computador que estava postando o material. Com o número do endereço em mãos, é necessário solicitar a quebra de sigilo ao juiz competente para que se possa chegar ao responsável. “Essa quebra de sigilo pode ser dada pelos provedores de internet”, acrescenta.Porém um dos problemas observados por Mônica é que muitas vezes o número do IP corresponde a computadores utilizados em lan houses. E explica que neste caso, a PF vai até o endereço que corresponde aquele computador e exige do dono do estabelecimento a relação com os nomes das pessoas que utilizaram aquele específico aparelho no dia x.”A partir daí se inicia outra investigação até chegar ao ‘vendedor’ do conteúdo pornográfico. Identificado o usuário é feito um pedido de busca e apreensão de todo material encontrado para diligência”, relata.Central Nacional de Denúncias

Rodrigo Nejm conta que a organização criou em parceria com o Ministério Público Federal do Estado da Bahia (MPF), a Central Nacional de Denúncias, para oferecer o serviço de recebimento, processamento, encaminhamento e acompanhamento on-line de denúncias anônimas sobre qualquer crime ou violação aos Direitos Humanos praticados por meio da Internet.”Diariamente recebemos cerca de 2.500 denúncias”. Do total de denunciantes, 99% escolhe a opção de realizar a denúncia anonimamente. E ao 1% restante é garantido total e completo anonimato. No primeiro semestre deste ano, 27.883 (63%) são referentes à pedofilia ou pornografia infantil. Em comparação ao mesmo período de 2007, o número de denúncias recebidas foi de 14.465. “O número praticamente dobrou no comparativo entre o primeiro semestre de 2007 e o primeiro semestre deste ano”, completa.Para denunciar basta enviar um para a PF ([email protected]) ou acessar o siteda ONG.Durante toda essa semana o Portal Infonet publica uma série de reportagens especiais sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes. A cada dia publicaremos uma nova matéria sobre o tema.Por Mariana Rocha e Raquel Almeida

Fonte: Infonet

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