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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

COP26: acordo crucial sobre o clima ainda tem pontos indefinidos e negociações devem se estender

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A COP26, a Conferência do Clima da ONU em Glasgow, está chegando ao fim. Ainda assim, líderes e negociadores continuam trabalhando para chegar a um acordo que possa poupar o mundo de um aquecimento global catastrófico.

Segundo o presidente da COP26, Alok Sharma, poucas questões chaves ainda não haviam sido resolvidas para o documento final. Entre os itens ainda sem acordo estão o financiamento climático e a compensação por “perdas e danos” para os países mais afetados.

Vários representantes ainda lutam para acrescentar ao texto final o fim do uso dos combustíveis fósseis e não somente do carvão e enviados de países mais vulneráveis expressam frustração com a falta de avanço em temas essenciais.

Com a chegada do último dia da COP26, a Conferência do Clima das Nações Unidas em Glasgow, líderes e negociadores estão tentando chegar a um acordo que possa impedir o aquecimento global catastrófico no mundo.

O presidente da COP26, Alok Sharma, disse, na sexta-feira (12), que poucas questões chaves ainda não haviam sido resolvidas. “Esse é o nosso momento coletivo na história. Essa é a nossa chance de forjar um mundo mais limpo, mais saudável e mais próspero. Essa é a nossa hora de concretizar a grande ambição definida pelos nossos líderes no começo do encontro. Nós devemos estar à altura da ocasião”, afirmou.

Sharma relatou que os ministros trabalharam até tarde da noite para discutir o financiamento e “perdas e danos”. Ainda falou que sua “intenção verdadeira” era poder chegar a um acordo final a respeito dessas questões até o final do dia.

A plenária ouviu declarações de diversos países, incluindo um pedido impactante de vários representantes para acrescentar ao texto final o fim do uso dos combustíveis fósseis e não somente do carvão.

O último rascunho divulgado comunicava que: “as partes devem acelerar o desenvolvimento, a mobilização e a disseminação das tecnologias e adotar políticas de transição para sistemas energéticos de baixa emissão, incluindo o rápido aumento de geração de energia limpa e a aceleração da eliminação da geração de energia pelo carvão e de retirada de subsídios para os combustíveis fósseis”.

“Isso é pessoal, não é sobre política”, afirmou o principal negociador da União Europeia, acrescentando que os objetivos de Glasgow seriam completamente inúteis se os países não concordarem em eliminar os combustíveis fósseis.

Ainda nessa questão, o representante climático dos Estados Unidos, John Kerry, alegou que continuar investindo dinheiro nesse tipo de subsídio é “loucura”. “Esses subsídios devem ser eliminados. Nós somos o maior produtor de óleo e gás do mundo e nós temos parte desses subsídios, mas o presidente Biden legalizou a eliminação deles”, disse Kerry.

O enviado americano ainda remarcou que os EUA estão lutando todos os anos para encontrarem dinheiro, ainda assim 2,5 trilhões de dólares, nos últimos cinco ou seis anos, foram para subsídios dos combustíveis fósseis. “Isso é a definição de loucura. Nós estamos nos permitindo alimentar o problema que estamos combatendo. Não faz sentido”, opinou.

Outra questão complicada, que continua sem resolução, é sobre a compensação financeira dada pelos países desenvolvidos às nações vulneráveis pelas perdas e danos causados pela mudança climática.

O representante do grupo de negociação dos países em desenvolvimento, que une o G77 e a China, afirmou que eles estão completamente desapontados que sua proposta de estabelecimento de um Fundo de Glasgow para Perdas e Danos não aparece no texto. “Essa proposta foi apresentada pelo mundo em desenvolvimento para atender às nossas necessidades e para lidar com perdas e danos causados pela mudança climática”, declarou.

Do mesmo modo, houve um esforço de vários países a fim de impulsionar o pedido de manutenção da meta de fixação da temperatura global em 1,5ºC acima do período pré-industrial e para demonstrar mais ambição no financiamento climático.

“Nós viemos para Glasgow com altas esperanças e expectativas, contudo, no momento final da COP26, nós temos algumas dúvidas e continuamos ouvindo alguns retrocessos nas ambições requeridas para garantir o cumprimento da meta de 1,5ºC”, disse o negociador do Butão, que representava o grupos dos países menos desenvolvidos. Entre suas frustrações, ele citou as reservas de países ricos em apoiarem o mecanismo para perdas e danos e a falta de financiamento climático. 

A cúpula dos povos – Mais cedo, grupos da sociedade civil tomaram a sala da plenária da COP26. Delegados foram solicitados para ficarem de pé, caso tivessem perdido algum ente querido devido a pandemia da COVID-19 e caso tenham vivido algum impacto climático. Diante disso, a maioria se levantou.

“Não há dúvidas que nós, as pessoas representando os países em todo mundo, em nossa própria diversidade, sentimos o impacto da pandemia e da crise climática. São as mesmas camadas da sociedade que lidam com as consequências dessas diferentes crises”, lembrou a diretora executiva da CAN-International, Tasneem Essop.

O representante da sociedade civil africana, Mohamed Adow, alegou que eles foram excluídos do processo da COP26: “nós exigimos que os países do Norte Global paguem sua dívida climática, entreguem objetivos globais de adaptações, lidem com as injustiças climáticas e paguem pelas perdas e danos”.

Após a intervenção, as organizações, que incluíam coletivos indígenas e grupos de mulheres, saíram da plenária e se juntaram a outros participantes que os esperavam nos corredores. Segurando cartazes e banners, eles exigiram justiça climática e se retiraram da conferência. Ainda assim, muitos se mantiveram ao lado de fora esperando o resultado final da COP26.

Sobre a COP26 – O objetivo principal da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, ou COP26, é induzir líderes mundiais a firmaram compromissos verdadeiros e efetivos para reduzir as emissões que causam o aquecimento do planeta o suficiente para evitar que as temperaturas subam mais de 1,5ºC em comparação com os níveis pré-industriais.

Também conhecida como Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o evento dura duas semanas, entre 31 de outubro e 12 de novembro.

Fonte ONU

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