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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Cidades da América Latina e do Caribe podem reduzir pela metade o uso de de recursos naturais

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Novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apresenta um guia para aumentar a eficiência de recursos nas cidades por meio da economia circular, melhor conectividade, restauração de ecossistemas, entre outras ações.

Se medidas não forem tomadas até 2050, as cidades da região excederão de duas a quatro vezes o limite do uso sustentável de recursos. Um cenário que resultaria em uma degradação severa dos ecossistemas vitais.

Por outro lado, reduzir o uso de recursos naturais pode impulsionar o combate à pobreza e desigualdade. O relatório apresenta recomendações que se dividem em quatro eixos — transporte e mobilidade sustentável, edifícios eficientes e sustentáveis, resíduos, e água e saneamento.

Se uma transformação sustentável for adotada ainda nesta década, as cidades da América Latina e do Caribe podem reduzir o uso de recursos naturais pela metade, como os combustíveis fósseis, os minerais e os alimentos, ao mesmo tempo em que progridem no combate à pobreza e desigualdade, de acordo com um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O documento, de coautoria do Painel Internacional de Recursos (IRP, na sigla em inglês), estima que, até 2050, as cidades da América Latina e do Caribe gastarão de duas a quatro vezes mais recursos do que o que se considera sustentável, caso não adotem um planejamento abrangente e não invistam em sistemas de eficiência e economia circular. Esse cenário resultaria em uma degradação severa dos ecossistemas vitais.

O relatório O Peso das Cidades da América Latina e do Caribe: demanda futura de recursos e possíveis linhas de ação indica o caminho rumo a um planejamento urbano mais sustentável com recomendações que se dividem em quatro eixos — transporte e mobilidade sustentável, edifícios eficientes e sustentáveis, resíduos, e água e saneamento — para uma redução de consumo de recursos, desperdício, danos ambientais e emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Consumo de recursos pelas cidades – A nível mundial, as cidades geram até três quartos das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o IRP, a eficiência de recursos poderia reduzir a demanda de matéria-prima entre 15% a 25% e resultar na diminuição das emissões do setor industrial em até 30%.

O estudo revela que essas áreas urbanas na América Latina e no Caribe utilizaram anualmente entre 12,5 e 14,4 toneladas de recursos per capita em 2015 (ano mais recente com o maior volume de dados), sendo que mais da metade do armazenamento urbano de matéria da região está concentrada nas cidades brasileiras (38,1%) e mexicanas (21,1%).

Até 2050, contando com uma população regional de 680 milhões de pessoas, o uso de matéria doméstica urbana poderá chegar a 25 toneladas per capita, um número muito acima do limite de sustentabilidade considerado pelo IRP de 6 a 8 toneladas.

“Hoje, muitas pessoas da América Latina e do Caribe sofrem com os impactos do uso insustentável de recursos: degradação ambiental, falta de acesso a serviços e, por consequência, enfrentam um futuro sombrio. O planejamento de uma transformação sustentável é fundamental caso queiramos uma vida em harmonia com a natureza, sem deixar ninguém para trás, e uma recuperação sustentável após a pandemia de COVID-19”, disse a diretora regional do PNUMA para a América Latina e Caribe, Jacqueline Álvarez.

Recomendações – Os autores e autoras do relatório reivindicam que a região busque uma intensificação de estratégias urbanas que, diferentemente da abordagem da expansão horizontal das cidades, consistam no aumento da densidade demográfica, do emprego e dos serviços dentro de um conjunto de centros urbanos conectados pela eficiência e pelo transporte público de baixo custo.

Ademais, esses territórios demandam edifícios mais sustentáveis que promovam a economia circular, coletem o lixo orgânico e melhorem o tratamento de água de modo a incluir o tratamento e a reutilização deste recurso, assim como a restauração de ecossistemas de água doce.

Se a gama de ações propostas nesse relatório for implementada, é possível que as cidades na América Latina e no Caribe reduzam o consumo anual de matéria per capita entre 6 e 7 toneladas até 2050.

O documento também destaca medidas que já estão em curso, como o melhoramento do transporte público em Fortaleza, com mais espaços urbanos para bicicletas e pedestres, o aproveitamento de águas pluviais na Cidade do México e o projeto de aquecimento distrital em Temuco (Chile).

Cidades sustentáveis, justas e mais prósperas – Segundo o relatório, nos últimos 40 anos, as áreas urbanas nessa região cresceram 99%, quase na mesma proporção que o aumento da população nas cidades durante esse período (95%). A incapacidade da maioria das cidades de controlar o crescimento populacional fez com que a desigualdade e a injustiça ambiental agravassem.

A redução da desigualdade agora exigirá uma resposta às necessidades das populações mais vulneráveis, por exemplo, a falta ou o afastamento de serviços públicos urbanos, infraestrutura precária, violência e poluição.

Os autores e autoras também pedem às autoridades que direcionem mais esforços às cidades médias, que crescem mais rápido que o normal. Recomenda-se também que sejam promovidas alianças mais fortes e uma maior cooperação nos níveis subnacional, sub-regional e regional.

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