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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Estresse e nervosismo no trânsito: como driblar esse mal?

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Estresse no trânsito
Edicarlos Mauricio é motorista de transporte complementar em Alagoas. Foto: Arquivo Pessoal.

O motorista de transporte complementar Edicarlos Mauricio dirige cerca de 12 horas por dia, e por duas ou três vezes na semana essa jornada chega a 17 horas, quando também trabalha no transporte escolar noturno da prefeitura da cidade onde mora, no interior de Alagoas. “Trabalho muito, viu? Mas gosto do que faço… só é muito cansativo física e mentalmente por causa do estresse no trânsito”, diz.

Por conta desses longos períodos vivenciando o trânsito, Edicarlos diz que acaba se estressando muito e conta que não é difícil encontrar outros condutores na mesma situação.“Vivencio dia a dia o estresse no trânsito porque preciso dele pra exercer minha atividade de trabalho e encontro muitos motoristas imprudentes todos os dias.

A imprudência é um dos fatores do estresse no trânsito”, afirma, ressaltando que muitos acabam de mau humor por não aceitar ceder o espaço e se colocar no lugar do outro. Em outras palavras, falta empatia no trânsito.

E um sentimento como esse nem teria como deixar de fazer parte do cotidiano de uma população que gasta no trânsito, em média, 127 minutos por dia. Ou seja, mais de duas horas lidando com outras pessoas. Os dados são da pesquisa “A percepção do brasileiro sobre o transporte urbano”, realizada pela empresa 99 em parceria com a Ipsos.

Trânsito é sinônimo de estresse?

As razões para os altos níveis de estresse, nervosismo e ansiedade são diversas e estão ligadas à rotina e demandas diárias da vida, principalmente no que diz respeito aos compromissos como trabalho e estudo. É o que aponta a psicóloga especialista em trânsito, Beatriz Rocha Araujo.

“O trânsito em si não é um ambiente estressante, mas o jeito que as pessoas se comportam no trânsito faz com que ele seja. Se todo mundo obedecesse às regras previstas na legislação, se todo mundo praticasse direção defensiva, o trânsito não seria estressante. O que acontece? Muitas pessoas acabam trazendo questões da sua vida para o trânsito. Outras vezes acabamos escolhendo as opções mais rápidas, como por exemplo, chegar primeiro ou  pegar aquela vaga no estacionamento. Nesse sentido, existe uma série de questões que acabam interferindo no humor. Isso é uma questão do comportamento da pessoa”, explica.

Na experiência de Edicarlos, isso foi vivido na pele. “O dia que me estressei mais foi quando precisei parar em frente ao shopping pra desembarcar passageiros e um motorista que vinha atrás de mim começou a me xingar e me ameaçar de morte. Nesse momento eu perguntei a ele onde ele queria que eu parasse para o passageiro descer já que a via não tinha espaço de parada de van. Tentei manter a calma e argumentei que precisava fazer aquilo que irritou tanto ele”, relatou.

Consequências  

Segundo a psicóloga, o uso do termo “estresse” caiu até num uso contínuo e banalização que acaba minimizando os efeitos desse mal, mas é importante não menosprezar o que ele pode causar.

“Quando a gente fala de estresse, a gente está falando de algo muito importante, porque essas questões estão ligadas a problemas de saúde. Essas situações estressantes podem fazer com que essa pessoa tenha dificuldade de lidar com algumas situações ou fazer com que essa pessoa não tenha uma reação adequada durante a situação”, afirma.

A alta exposição aos elevados cenários de estresse no trânsito podem acarretar diversas situações prejudiciais ao condutor, que vão inclusive além da saúde mental. “Existem pesquisas que dizem que o estresse é uma situação que pode ser um facilitador para que outras condições de saúde apareçam, tanto física quanto mental. Vai antecipar o surgimento dessas questões. Quando eu falo em patologia emocional, tem a ver com a ansiedade, depressão, e até síndrome do Pânico, entre outras situações, inclusive, físicas”, diz.https://14c65e31f93610ee3719d0ea9ca9f626.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Quando um não quer, dois não brigam”

No caso vivenciado por Edicarlos, uma briga de trânsito, a psicóloga destaca que o velho ditado popular pode ser uma solução. “Quantas vezes a gente, se altera porque a outra pessoa está alterada? Mas no momento em que a gente não responde a esse comportamento, tem duas questões: ele [o outro condutor] vai parar ou vai falar sozinho. Não adianta se exaltar. Se ele está incorreto e me gerou algum dano ou me prejudicou, eu posso chamar a autoridade de trânsito para fazer a ocorrência e depois tomar as medidas cabíveis. Vamos fazer o que tem que ser feito, o que está dentro da legislação”, orienta.

A especialista também diz que, no dia a dia, quando as situações de estresse não têm a ver com a outra pessoa, e sim por engarrafamentos e atrasos, o condutor pode tentar prever uma mínima maneira de evitar, como sair mais cedo, mudar a rota do trajeto rotineiro e até estacionar um pouco mais longe do destino. Esses são hábitos que tornam a vivência no trânsito mais tranquila.

Para Edicarlos, a música também é uma grande uma aliada no relaxamento, ou pelo menos na busca para acalmar os ânimos.

Ele diz que consegue melhorar o humor e diminuir o estresse ouvindo música. Essa atitude também é uma das aliadas sugeridas pela psicológica.

“O trânsito não é um local que a gente está internamente relaxado, porque é preciso ter atenção e cuidado, mas eu acredito que podemos ter comportamentos que podem diminuir um pouco situações de nervosismo. […] O que eu posso dizer nesse momento é que o condutor olhe pra si e veja quais são suas questões. Se eu sei que determinado estilo musical me dá sono, então eu devo evitar aquele estilo musical. São pequenos detalhes que podem auxiliar a pessoa a dirigir de uma maneira mais tranquila”, destaca Beatriz.

Além disso, a boa e velha empatia é também uma saída. “Nesse caso é tentar se colocar no lugar do outro, porque muitas ocorrências no trânsito, são questões de falta de respeito. É poder olhar o outro como uma pessoa que tem suas necessidades e prioridades. Quando a gente pratica a direção defensiva conforme diz na lei, muitas das questões do estresse já são reduzidas”, finaliza.

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