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sábado, 2 de julho de 2022

Relatório da FAO mostra que desmatamento global caiu 30%

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Por ONU

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou uma pesquisa de sensoriamento remoto que mostrou que entre 2010 e 2018, a taxa de desmatamento das florestas no mundo caiu quase 30% em comparação com a primeira década do século XXI.

Apesar disto, as florestas tropicais enfrentam grande ameaça, sendo elas alvo de mais de 90% do desmatamento global entre 2000 e 2018.

Neste período uma área de 157 milhões de hectares de florestas tropicais foi desmatada, o que equivale a aproximadamente o tamanho da Europa Ocidental.

A taxa de desaparecimento de nossas florestas diminuiu quase 30% desde a primeira década do século até o período de 2010 a 2018, mostrou um relatório importante lançado na última terça-feira (3), pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Mas as florestas tropicais da Terra ainda estão sob grande ameaça, seja pela pastagem de gado na América do Sul ou pela expansão de terras agrícolas, como plantações de dendezeiros na Ásia.

O desmatamento anual diminuiu cerca de 29% –de 11 milhões de hectares por ano na década de 2000-2010 para 7,8 milhões de hectares por ano no período de 2010-2018– de acordo com a Pesquisa de Sensoriamento Remoto da Avaliação Global de Recursos Florestais

As perdas líquidas de área florestal caíram para mais da metade durante o período do levantamento, diminuindo de 6,8 milhões de hectares por ano em 2000-2010 para 3,1 milhões de hectares por ano em 2010-2018. 

Analisando por região, o maior desmatamento em 2000-2018 ocorreu na América do Sul (68 milhões de hectares desmatados), seguido pela África (49 milhões de hectares). Apesar disso, a taxa de desmatamento diminuiu na América do Sul, como aconteceu no sul e sudeste da Ásia entre 2000-2010 e 2010-2018. 

A perda de florestas tropicais foi responsável por mais de 90% do desmatamento global de 2000 a 2018, em 157 milhões de hectares –aproximadamente o tamanho da Europa Ocidental. No entanto, o desmatamento anual no domínio tropical diminuiu significativamente de 10,1 milhões de hectares por ano em 2000-2010 para 7 milhões de hectares por ano no período de 2010 a 2018. 

“Esta pesquisa é importante, não apenas pelos novos números que nos dá, mas pelo que nos diz sobre as tendências da área florestal e o que está impulsionando o desmatamento, também pela capacidade crucial que nos dá de monitorar como as coisas estão evoluindo”, disse a vice diretora-geral, Maria Helena Semedo: “O desenvolvimento agrícola insustentável e outros usos da terra continuam a exercer forte pressão sobre nossas florestas, especialmente em muitos dos países mais pobres. Mas existem soluções ganha-ganha que podemos e devemos ampliar para alimentar o mundo sem destruir nossas florestas”. 

Causas do desmatamento – A expansão das terras agrícolas (incluindo as plantações de dendezeiros) é o principal motor do desmatamento, causando quase 50% do desmatamento global, seguido pela pastagem de gado, responsável por 38,5%. O dendê sozinho foi responsável por 7% do desmatamento global de 2000 a 2018. 

A pesquisa sugere que as regiões tropicais da América Central são as mais ameaçadas pela conversão do uso da terra: 30,3% da floresta na ecorregião úmida tropical da América Central e 25,2% da floresta tropical da América Central foram perdidas em 2000–2018. Fenômenos semelhantes foram detectados na floresta tropical seca da América Central e nos matagais tropicais. Mas o pequeno número de amostras nessas ecorregiões significa que mais investigações são necessárias para confirmar essas descobertas. 

O ganho de área florestal anual global apresentou um leve aumento, de 4,2 milhões de hectares por ano na década de 2000 a 2010 para 4,7 milhões de hectares por ano no período 2010-2018. 

A área florestal plantada aumentou 46 milhões de hectares no período 2000-2018. Quase um quarto das florestas plantadas neste milênio substituiu as florestas em regeneração natural, com metade dessa área no sul e sudeste da Ásia. 

O estudo liderado pela FAO é baseado na análise consistente de 400 mil amostras por mais de 800 especialistas locais de 126 países e territórios. O levantamento ajudou a construir capacidade em nível nacional, treinando os especialistas na análise visual de imagens de sensoriamento remoto para monitorar as mudanças no uso da floresta e da terra. 

A FAO desenvolveu a metodologia em colaboração com o Centro Conjunto de Pesquisa da Comissão Europeia, usando dados de satélite disponíveis gratuitamente e a ferramenta de código aberto Collect Earth Online, desenvolvida em conjunto com o Google, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), o Grupo de Informática Espacial da Universidade de São Francisco, o programa SilvaCarbon e o Serviço Florestal dos EUA. A pesquisa recebeu financiamento da Iniciativa Internacional sobre Clima e Florestas da União Europeia e da Noruega (NICFI). 

Caminhos a seguir – A Pesquisa de Sensoriamento Remoto, parte da Avaliação de Recursos Florestais 2020, foi apresentada no XV Congresso Florestal Mundial em Seul, onde também aconteceu o lançamento do Relatório O Estado das Florestas no Mundo 2022 da FAO.

Neste documento, a FAO estabelece três caminhos para ampliar o potencial de preservação das nossas florestas: interromper o desmatamento, restaurar terras degradadas e expandir métodos agroflorestais, o uso sustentável de florestas e construção de cadeias de valor verdes.

A organização também cita ações práticas para seguir estes caminhos, começando com direcionar o financiamento da recuperação para políticas de longo prazo destinadas a criar empregos sustentáveis e verdes e mobilizar ainda mais o investimento do setor privado. A FAO também acredita que capacitar e incentivar os atores locais, incluindo mulheres, jovens e povos indígenas, a assumirem um papel de liderança nos caminhos florestais é outra área prática de trabalho. Engajar-se na conscientização e no diálogo sobre políticas de uso sustentável das florestas como meio para atingir simultaneamente os objetivos econômicos e ambientais, bem como maximizar as sinergias entre os três caminhos florestais e entre políticas agrícolas, florestais e ambientais são outros pontos que chamam a atenção.

Exemplos – O relatório cita uma ampla gama de exemplos de todo o mundo, tanto demonstrando a importância vital das florestas e árvores para a subsistência das pessoas quanto apontando para iniciativas políticas de apoio – desde o papel fundamental de produtos florestais não madeireiros na Turquia e combustível de madeira na Geórgia, à silvicultura de pequenos produtores na China e no Vietnã, carvão vegetal sustentável na Costa do Marfim e formalização dos direitos à terra na Colômbia.  

O Brasil também ganhou destaque através da iniciativa de agricultores de Tomé-Açu, no Pará. O grupo desenvolveu um modelo agroflorestal conhecido como SAFTA, um sistema de plantio de transição que inclui culturas anuais de curto prazo, culturas perenes de médio prazo e espécies de longo prazo como árvores frutíferas e para madeira. Embora o SAFTA possa assumir muitas formas, geralmente é baseado em uma combinação de uma a três culturas de alto valor (por exemplo, cacau, cupuaçu, pimenta-do-reino e açaí) e a produção de óleos, resinas e madeira.

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