14/06/2013 09h38 - Atualizado em 14/06/2013 09h38
Assunto será discutido em audiência pública no próximo dia 21
Renan Nucci
No próximo dia 21 a Câmara Municipal de Dourados será palco de uma importante audiência pública que vai discutir os novos rumos do transporte coletivo do município. A principal pauta do evento será o reajuste nas tarifas cobradas pela Medianeira, concessionária responsável pelo serviço. O preço atual da passagem é de R$ 2,50 e pode subir para R$ 3,28, conforme proposta enviada pela empresa à prefeitura.
O novo valor seria superior ao das taxas cobradas em São Paulo (R$ 3,20), por exemplo, onde o transporte público tem sido motivo de protestos. Segundo Marcelo Saccol, gerente da Medianeira, o preço atual está defasado e os acréscimos são reflexos do aumento no custo de combustíveis e outros produtos necessários para o bom funcionamento dos ônibus, bem como alterações na folha de pagamento.
“Nós encaminhamos a proposta ao poder público, mas ainda não há nada certo, é necessário aprovação, e a audiência servirá para isso. Desde junho de 2011 que não houve aumento, porém, os custos da empresa se elevaram. Houve 25% de aumento nos pagamentos de funcionários, 14% no óleo diesel e lubrificantes, 12,5% nos pneus, assim como no número de gratuidade, que hoje representa 41% de nosso movimento”, destacou.
A gratuidade é fornecida às pessoas com deficiência física, idosos e estudantes do ensino fundamental de escolas públicas. “Houve aumento na demanda e redução no número de pagantes. Em uma análise rápida, de cada cem pessoas que utilizam os nossos serviços, apenas 69 pagam. Diante desta nova realidade do mercado, fomos obrigados a pedir um aumento para equilibrar as condições financeiras de nosso contrato”, observou Saccol.
ESTUDANTES RECLAMAM
A comunidade acadêmica é a que mais tem se mostrado descontente com os serviços de transporte público em Dourados. As reclamações vão desde o preço e horário das linhas, até a higiene dos ônibus. Cássio Figueiredo, aluno do sétimo semestre do curso de Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), alega que leva mais de uma hora e 20 minutos para conseguir chegar à cidade universitária. Segundo ele, o trajeto poderia ser mais rápido.
“Pego dois circulares para chegar à UFGD, e demoro em média uma hora e 20 minutos no percurso. Moro longe, porém, se tivéssemos um transporte público decente, 40 minutos seria o suficiente, pois entre atrasos e esperas, perco mais de meia hora parado. Isso levando em consideração ônibus super lotados, sujos, corriqueiramente atrasados, lentos, com tarifas abusivas e que passam a cada 35-40 minutos no bairro”, disse.
Denise Castiglioni, também aluna da UFGD, partilha da mesma ideia. “Os horários dos finais de semana também são péssimos. A gente tem aula no sábado e as vezes não alcança o ônibus pra ir e quando vai, não pode voltar a tempo de outros compromissos porque há muita demora entre as viagens. Nos dias úteis estão todos praticamente lotados. Os estudantes vão de forma desumana lá dentro, todos apertados. Não considero este aumento justo”, destacou.
Saccol explica que no momento, a Medianeira aguarda um novo projeto que está sendo elaborado pela Agência Municipal de Trânsito (Agetran), para saber como vão ficar as linhas para os próximos anos. Ele também disse que não teme perder a concessão. “A prefeitura está organizando os novos trajetos conforme pesquisas e estudos realizados na região. Vamos entrar no processo licitatório e oferecer o que temos de melhor”, disse.
