Coronel Sapucaia tem índice de acidentes quase 3 vezes mais que a média nacional

O levantamento de dados das fronteiras foi enviado pelo Idesf para todos os candidatos à presidência da República

26/09/2018 06h36 - Por: Maria Lucia Tolouei


Acidentes são constantes na MS-289 que liga as cidades de Coronel Sapucaia a Amambai
foto: Carlos Nascimento/ arquivo Jornal O Progresso Acidentes são constantes na MS-289 que liga as cidades de Coronel Sapucaia a Amambai
foto: Carlos Nascimento/ arquivo Jornal O Progresso

As cidades de fronteira têm índice de acidentes acima da média nacional, aponta o Diagnóstico do Desenvolvimento das Cidades Gêmeas do Brasil, uma radiografia realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf).

É o caso do município de Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, que registrou índice de vítimas fatais em acidentes de trânsito de 46,93 mortes para cada 100 mil habitantes. O indicador é quase três vezes a média nacional de 17,33 mortes, registrada em 2016, registra o Idesf.

O alto índice de mortes no trânsito se repete em outras cidades de fronteira. Elaborado a partir de indicadores oficiais das áreas de saúde, educação, economia e segurança, o estudo levantou dados de 32 cidades gêmeas, situadas em nove estados brasileiros.

Conforme o levantamento, a segunda cidade gêmea do País no ranking de óbitos no trânsito é Guaíra (PR), com 33,55 mortes para cada 100 mil habitantes. Porto Murtinho (MS), com 29,97, e Santo Antônio do Sudoeste (PR), 29,91, também têm índices elevados de mortes por acidente nas vias em comparação á média nacional, a quarta mais elevada das américas.

Em documento divulgado pela instituição, o presidente do Idesf, Luciano Stremel Barros, explica que os dados levantados pelo estudo nas diferentes áreas demonstram a falta de perspectiva econômica das regiões de fronteira, fator que leva muitos jovens a ingressarem em atividades ilícitas. "Os altos índices de violência, inclusive no trânsito, refletem a incidência de acidentes gerados em situações de contrabando".

O levantamento de dados das fronteiras foi enviado pelo Idesf para todos os candidatos à presidência da República. "Esperamos que o trabalho sirva de base para que o poder público possa planejar e executar políticas de desenvolvimento para as regiões de fronteira", afirmou o dirigente.

Média Nacional

A média brasileira de vítimas fatais provocadas por acidentes de trânsito, em 2016, foi de 17,3 mortes por 100 mil habitantes, a quarta mais elevada das Américas. Na média, em 2016, as Cidades Gêmeas apresentaram um número inferior, 16,9. Além de Coronel Sapucaia, outras nove cidades apresentaram índice superior à média brasileira, como é o caso de Porto Murtinho, Ponta Porã, Paranhos, em MS.

Estes números se explicam por uma série de fatores, entre eles o fato de que muitas Cidades Gêmeas fazem parte da rota do contrabando e do tráfico, em que veículos, muitas vezes furtados ou roubados, são utilizados para o transporte ilegal, sem qualquer preocupação com a legislação de trânsito, arriscando-se em alta velocidade, mais ainda quando há perseguições da polícia.

Serviço

O estudo completo pode ser acessado no site www.idesf.org.br



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