Agência especializada vê aumento do número de mortes por câncer no mundo

05/01/2019 13h12 - Por ONU


 
Mulher realiza autoexame preventivo de câncer de mama. Foto: National Cancer Institute/Bill Branson Mulher realiza autoexame preventivo de câncer de mama. Foto: National Cancer Institute/Bill Branson

A Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês) estima que o mundo tenha registrado mais de 18 milhões de novos casos de câncer em 2018, com a morte de mais de 9,6 milhões de pessoas devido à doença.

De acordo com a IARC, uma agência da Organização Mundial da Saúde (OMS) especializada em câncer, a doença é uma crescente ameaça global à saúde.

Um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres em todo o mundo desenvolvem câncer durante a vida e um em cada oito homens e uma em cada 11 mulheres morrem de câncer, de acordo com o primeiro relatório da IARC desde 2012.

"Estes novos números destacam que muito ainda precisa ser feito para responder o aumento alarmante no que diz respeito ao câncer mundialmente e que prevenção tem um papel essencial a desempenhar", disse o diretor da IARC, Christopher Wild.

"Prevenção eficaz e políticas de detecção precoce devem ser implementadas urgentemente para contemplar tratamentos para controlar esta doença devastadora no mundo todo", declarou.

Em 2012, havia uma estimativa de 14,1 milhões de novos casos de câncer e 8,2 milhões de mortes relacionadas à doença, comparados com os 12,7 milhões e 7,6 milhões, respectivamente, em 2008.

Mundialmente, estima-se que a Ásia terá quase metade dos novos casos e mais da metade das mortes por câncer em 2018, em grande parte porque a região abriga quase 60% da população mundial.

A Europa representa quase um quarto dos casos mundiais de câncer e um quinto das mortes por câncer, embora tenha somente 9% da população global.

As Américas têm quase 13% da população global, mas representam 21% dos cânceres e em torno de 14% da mortalidade global.

Na Ásia e na África, mortes por câncer (57,3% e 7,3%, respectivamente) são mais altas que os números de casos identificados (48,4% e 5,8%).

Isto acontece porque estas regiões possuem uma frequência mais alta de certos tipos de câncer que são associados a piores prognósticos e taxas de mortalidade mais altas, segundo a IARC, além de um acesso limitado a diagnósticos e tratamentos.

Câncer de pulmão é a principal causa de morte tanto para homens quanto para mulheres e é a principal causa de morte por câncer em 28 países, segundo a agência.

As taxas de incidência mais altas deste tipo de doença em mulheres são na América do Norte, norte e oeste da Europa – especialmente Dinamarca e Holanda – China, Austrália e Nova Zelândia, com a Hungria encabeçando a lista.

O relatório sugere que muitos países ainda têm muito a fazer para prevenir cânceres relacionados a cigarros, embora um número significativo tenha adotado medidas para reduzir fumo e exposição passiva à fumaça do tabaco.

"Dado que a epidemia do tabaco está em estágios diferentes em regiões diferentes, e em homens e mulheres, os resultados destacam a necessidade de colocar em vigor políticas de controle específicas e eficazes em cada país do mundo", disse Freddie Bray, médico e chefe da seção de vigilância de câncer da IARC. Além de câncer de pulmão, o câncer de mama em mulheres e na região colorretal são os mais comuns.

Eles também estão entre as cinco formas mais perigosas de câncer, representando um terço de toda a incidência e mortalidade da doença em todo o mundo, de acordo com a base de dados GLOBOCAN 2018, da IARC, que fornece estimativas de incidência e mortalidade em 185 países para 36 tipos de câncer.

A IARC afirma que o predomínio crescente do câncer pode ser explicado por muitos fatores, de aumento da população a envelhecimento, embora uma mudança nos tipos de câncer diagnosticados seja ligada a desenvolvimento social e econômico.

Isto é particularmente verdadeiro em economias de crescimento rápido, segundo a IARC, destacando uma mudança de cânceres relacionados à pobreza e infecções para cânceres associados a estilos de vida mais típicos de países industrializados.


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