Mais de 2,1 milhões de pessoas vivem com HIV na América Latina e Caribe

05/12/2018 11h03 - Por ONU


 
Teste rápido de HIV. Foto: UNICEF/Sewunet Teste rápido de HIV. Foto: UNICEF/Sewunet

Desse grupo, 1,6 milhão (76%) sabe que tem o vírus. As estimativas foram divulgadas no último sábado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por ocasião do Dia Mundial contra a AIDS.

Organismo regional convocou cidadãos a fazerem o teste de HIV, uma medida importante para impedir o avanço da epidemia.

Na América Latina e Caribe, mais de 2,1 milhões de pessoas vivem com HIV. Desse grupo, 1,6 milhão (76%) sabe que tem o vírus.

As estimativas foram divulgadas no sábado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por ocasião do Dia Mundial contra a AIDS.

Organismo regional convocou cidadãos a fazerem o teste de HIV, uma medida importante para impedir o avanço da epidemia.

Na avaliação da agência da ONU, o conhecimento do estado sorológico para o HIV, combinado à ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral, levou a uma queda de 12% nas mortes relacionadas à AIDS na América Latina ao longo do período 2010-2017. No Caribe, o índice foi ainda mais alto — 23%.

Mas apesar dos progressos, a taxa de novas infecções por HIV na América Latina permanece inalterada em cerca de 100 mil por ano – uma redução de apenas 1% desde 2010.

O avanço no Caribe foi muito mais rápido, com uma diminuição de 18% nas novas infecções desde 2010.

O teste de HIV é um elemento vital para conter a disseminação do vírus e garantir uma melhor qualidade de vida para quem vive com o HIV.

Quando consideradas as duas sub-regiões, um terço das pessoas com HIV só é diagnosticado após ficar doente e sintomático, quando sua imunidade já foi seriamente comprometida e após a exposição de seus parceiros sexuais à possível transmissão do HIV.

Em todo o continente americano, as principais populações em risco de contrair o HIV continuam a perder serviços vitais de prevenção e acompanhamento.

"As Américas fizeram importantes progressos na luta contra a AIDS e parte disso se deve ao fato de que mais de três quartos das pessoas vivendo com HIV foram testadas e quase 80% delas estão em tratamento", avalia diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais de Saúde da OPAS, Marcos Espinal.

"O Dia Mundial da AIDS nos lembra que, apesar desses ganhos, uma em cada quatro pessoas com HIV na região ainda não sabe seu status, não iniciou o tratamento e, portanto, corre maior risco de morrer prematuramente e infectar outras pessoas."

A maioria das novas infecções nas Américas ocorre entre gays e homens que fazem sexo com homens. Esses grupos representam 41% dos novos casos de HIV na América Latina e 23% no Caribe.

Profissionais do sexo e seus clientes, mulheres transexuais e pessoas que fazem uso de drogas injetáveis também são desproporcionalmente afetadas pelo HIV.

O diagnóstico oferece aos indivíduos uma oportunidade única de conhecer seu estado sorológico, além de permitir o rápido início do tratamento para quem tiver o vírus.

O exame também serve como uma porta de entrada aos serviços de prevenção, que podem ajudar as pessoas com maior risco de contrair o HIV a permanecer negativas.

"Reduzir novas infecções pelo HIV é fundamental para acelerar a resposta ao HIV/AIDS nas Américas", acrescentou Espinal.

"Para conseguir isso, precisamos abordar as barreiras, como o estigma e a discriminação, que impedem que as populações-chave tenham acesso aos serviços de testagem e tratamento e exerçam plenamente o seu direito à saúde."

A OPAS recomenda que os sistemas de saúde ampliem as opções de testagem para HIV, incluindo o autoteste, que pode ser feito em casa ou em outros locais que não sejam estabelecimentos de saúde.

A realização desses exames tem horários flexíveis e resultados que saem no mesmo dia.

A agência regional também propõe que a idade em que os jovens podem se submeter a testes de HIV sem consentimento de um dos pais ou responsável seja reduzida de acordo com as recomendações da Convenção sobre os Direitos da Criança.

Isso é particularmente importante, uma vez que aproximadamente um terço das novas infecções por HIV ocorrem entre jovens com idades entre 15 e 24 anos.

Além da expansão dos serviços de detecção do HIV, a OPAS defende o fornecimento da profilaxia pós-exposição (PEP) para quem foi exposto ao HIV e da profilaxia pré-exposição (PrEP) para quem tem um risco substancial de infecção. Essas medidas devem fazer parte do pacote integral de serviços de prevenção.

Dia mundial: 30 anos de prevenção da AIDS Em 2018, completam-se 30 anos da primeira vez em que o Dia Mundial contra a AIDS foi lembrado, em 1988.

A data é uma oportunidade para celebrar o sucesso desta campanha pioneira de saúde global, além de iniciativas em todo o mundo para eliminar a epidemia.

Mas a ocasião é também um lembrete importante de que, apesar do progresso alcançado, o mundo não pode se tornar complacente em sua resposta ao HIV.


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