OMS: casos de sífilis congênita somavam mais de 600 mil no mundo em 2016

05/03/2019 16h03 - Por ONU


 
Se uma mulher grávida infectada por sífilis não receber tratamento precoce adequado, pode transmitir a infecção para o feto, resultando em baixo peso ao nascer, nascimento prematuro, aborto, natimorto e manifestações clínicas precoces e tardias (sífilis congênita). Foto: PEXELS Se uma mulher grávida infectada por sífilis não receber tratamento precoce adequado, pode transmitir a infecção para o feto, resultando em baixo peso ao nascer, nascimento prematuro, aborto, natimorto e manifestações clínicas precoces e tardias (sífilis congênita). Foto: PEXELS

Apesar de uma diminuição entre 2012 e 2016, o número de mulheres e bebês afetados pela doença permanece inaceitavelmente alto, de acordo com a OMS.

Segundo a organização, é crucial que todas as mulheres recebam exames diagnósticos e tratamento precoces como parte dos cuidados pré-natais de alta qualidade para uma experiência positiva de gravidez.

Novas estimativas publicadas na quinta-feira (28) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2016, havia mais de meio milhão (aproximadamente 661 mil) de casos de sífilis congênita no mundo, resultando em mais de 200 mil natimortos e mortes neonatais.

A sífilis é uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais comuns globalmente, com cerca de 6 milhões de novos casos a cada ano.

Se uma mulher grávida infectada não receber tratamento precoce adequado, pode transmitir a infecção para o feto, resultando em baixo peso ao nascer, nascimento prematuro, aborto, natimorto e manifestações clínicas precoces e tardias (sífilis congênita).

A sífilis congênita é a segunda principal causa de morte fetal evitável em todo o mundo, precedida apenas pela malária.

Prevenção e tratamento

A sífilis congênita pode ser prevenida e tratada facilmente – desde que o diagnóstico e o tratamento sejam oferecidos às gestantes de forma oportuna durante o atendimento pré-natal.

O risco de resultados adversos para o feto é mínimo se uma mulher grávida infectada com sífilis for testada e tratada com penicilina benzatina no primeiro trimestre da gravidez, no terceiro trimestre, na admissão para o parto ou no caso de aborto/natimorto, exposição ao risco ou violência sexual.

De coautoria da OMS e do Human Reproduction Programme (HRP) com parceiros, as novas estimativas foram publicadas na revista científica PLOS ONE e revelam que, dos 661 mil casos totais de sífilis congênita, houve 355 mil resultados adversos no nascimento – o que representa uma proporção significativa de mortes e doença.

Ação é necessária agora

Apesar de uma diminuição entre 2012 e 2016, o número de mulheres e bebês afetados pela doença permanece inaceitavelmente alto, de acordo com a OMS.

Segundo a organização, é crucial que todas as mulheres recebam exames diagnósticos e tratamento precoces como parte dos cuidados pré-natais de alta qualidade para uma experiência positiva de gravidez.

Além disso, os sistemas e programas de saúde precisam garantir que todas as mulheres diagnosticadas com sífilis sejam efetivamente tratadas e acompanhadas para seguimento clínico e laboratorial nos serviços de saúde, bem como seus bebês.

É importante também testar e tratar as parcerias sexuais das gestantes com sífilis, para interromper a cadeia de transmissão.

Os países também podem trabalhar estrategicamente para reduzir a prevalência de sífilis entre as populações, especialmente as mais vulneráveis em seus contextos sociais, como jovens de modo geral, gays e homens que fazem sexo com homens, trabalhadoras do sexo, pessoas privadas de liberdade, pessoas trans e pessoas que consomem álcool e outras drogas, evitando que novas gestantes adquiram a sífilis por meio de suas parcerias sexuais e, consequentemente, novas crianças sejam acometidas pela doença.

A OMS informa estar trabalhando para alcançar a meta de eliminar a transmissão vertical de sífilis e o sucesso já foi alcançado em várias partes do mundo.

Nos últimos anos, 12 países foram validados pela OMS como tendo eliminado a transmissão de sífilis ou HIV.

O monitoramento da ampliação da triagem e do tratamento de mulheres grávidas continua sendo fundamental para medir o progresso em direção a essa meta, de acordo com a OMS.

Conhecer o quantitativo de adultos, gestantes e crianças afetados pela sífilis, com estimativas em nível local, regional e nacional, é crucial para orientar as capacidades dos sistemas de saúde de fortalecer a prevenção, a detecção, a vigilância e o tratamento da doença, concluiu a organização.


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