Pacientes lutam para fazer de 14 de abril Dia das Pessoas Afetadas por Chagas

21/04/2019 07h22 - Por Agência Brasil - EBC


 
Agência Brasil - EBC Agência Brasil - EBC

Na última reportagem da série sobre a doença de Chagas no Brasil, serão relatadas histórias sobre como a enfermidade afeta as pessoas contaminadas e seus familiares.

A Federação Internacional em prol desses pacientes lançou uma campanha para recolher assinaturas em apoio ao dia 14 de abril como Dia Mundial das Pessoas Afetadas por Chagas.

"No início você leva aquele baque, Deus fecha uma porta e abre uma janela. Eu agradeço à Deus dele [marido infectado] estar aqui, bem.

De vez em quando ele está triste, [mas] eu digo que muitos que estavam na fila [de transplante] morreram sem ter um coração [igual ao que foi transplantado no marido]."

O relato é de Lina Alves, 58 anos, uma mulher afetada pela doença de Chagas. Nascida em Arraias, no Tocantins, ela mora no Distrito Federal e convive todos os dias com as consequências de uma infecção pelo parasita Trypanossoma cruzi. Lina não tem a doença de Chagas, mas é o amparo do marido, Bráulio Alves, de 68 anos. Há mais de 20 anos eles enfrentam juntos as sequelas deixadas pela infecção.

"Coração, segundo os médicos, não regenera depois de dilatar, ele não volta ao normal", destaca Lina Alves.

Bráulio acredita ter sido contaminado pela doença de Chagas no Piauí, quando trabalhava como agente de saúde na área rural. Veio para Brasília, casou com Lina e abriu uma empresa de controle de pragas. Tiveram três filhos e cinco netos.

A doença de Chagas levou Bráulio a se submeter a um transplante de coração. Em decorrência da doença, ele também teve um AVC - Acidente Vascular Cerebral - e hoje enfrenta dificuldades de fala. A renda da família chegou a cair de dez para um salário-mínimo.

A aposentadoria por invalidez foi cortada depois do transplante. No entanto, mesmo quando o parasita praticamente desaparece do corpo, as sequelas permanecem.

É o caso de Elaine Costa, de 42 anos, que passou pelo transplante há três anos, em decorrência da doença de Chagas. Ela sofre com as sequelas e também enfrenta dificuldade para garantir a aposentadoria.

O perfil socioeconômico das pessoas com doença de Chagas é tema de pesquisa e preocupação do professor Alberto Novaes, da Universidade Federal do Ceará.

De acordo com ele, a população contaminada já enfrenta situações de pobreza. O parasita é transmitido por um inseto que circula em moradias ou mercados populares precários.

O diagnóstico tardio e as poucas opções de tratamento levam muitos pacientes a desenvolver a forma crônica da doença e, dessa forma, ter a condição de trabalho ainda mais comprometida.

Nancy Dominga da Costa, de 45 anos, tem doença de Chagas e transformou a sua vivência em luta pela saúde de outras pessoas. Ela coordena a Associação Rio Chagas e faz campanha pelo diagnóstico precoce.

O grupo faz parte da federação que realiza campanha para a criação do Dia Mundial das Pessoas Afetadas por Chagas.

Você pode ajudar as pessoas afetadas por doença de Chagas apoiando a campanha pela criação do Dia Mundial das Pessoas Afetadas por Chagas. Mais informações no site da organização Médico Sem Fronteiras: chagas.msf.org.br.


Envie seu Comentário