Agricultura injeta R$ 1 bi/ano em Dourados, 4º maior produtor de soja de MS

A força do campo emprega quase 2 mil trabalhadores com carteira assinada em Dourados

20/12/2018 08h57 - Por: Valéria Araújo


 
Angelo Ximenes é engenheiro agrônomo e vice-presidente do Sindicato Rural de Dourados 
foto - Marcos Ribeiro Angelo Ximenes é engenheiro agrônomo e vice-presidente do Sindicato Rural de Dourados
foto - Marcos Ribeiro

Força propulsora do desenvolvimento, a agricultura injeta mais de R$ 1 bilhão na economia de Dourados. Só na produção da soja, que é o carro chefe do campo, o rendimento gira em torno de R$ 750 milhões em média por safra. A cultura tem uma área plantada de 180 mil hectares e produção de 10.8 milhões de sacas, em média, por safra.

Os números crescentes, ano a ano, colocam o município como o 4º maior produtor do Estado nessa cultura e alavancam a economia. O milho, segunda cultura com maior rentabilidade, tem uma área de 156 mil hectares com produção de 13,5 milhões de sacas e uma receita de R$ 750 milhões por safra.

O produtor de milho e soja tem em média R$ 1 milhão de lucro por ano em Dourados. Algo em torno de R$ 107 mil por mês. Do preparo da terra à colheita, milhares de empregos são gerados de forma direta e indiretamente. O comércio aquece com a compra de insumos, máquinas e peças. O setor de serviços cresce com a oferta de mão de obra e com mais dinheiro circulando todos os setores são aquecidos.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged), só com carteira assinada o campo emprega hoje quase 2 mil trabalhadores, distribuídos em 940 estabelecimentos. Outra vantagem do setor rural é que é um dos poucos que tem conseguido manter salto positivo de empregos.

Em Dourados, no período de janeiro e outubro desse ano ocorreram mais contratações (776) do que demissões (662), uma variação positiva de 114 novos postos de trabalho. Se levado em consideração o período de 1 ano (entre outubro de 2017 e outubro de 2018) a variação é de 105 novos postos de trabalho. A indústria gerou 119 novos postos e o comércio 79 durante esse período.

Engenheiro agrônomo há mais de 30 anos, o vice-presidente do Sindicato Rural de Dourados, Ângelo Ximenes, acredita que o progresso de qualquer cidade está diretamente ligado ao desenvolvimento do campo. "A área rural de Dourados tem se desenvolvido pela força dos ruralistas que apesar dos contratempos, muitas vezes causados por insegurança jurídica, ainda investem e dão o seu melhor para que o município produza cada vez mais", destaca.

Ângelo diz que, quando se aumenta a representatividade política do município com pessoas ligadas ao campo, toda a sociedade ganha. "Já tive diversas experiências que mostram que pessoas que moram em cidades que incentivam o campo têm muito mais qualidade de vida. Todos os setores prosperam. Hoje, Dourados conta com a construção da indústria de processamento de soja e refinaria de óleo de soja da Coamo Agroindustrial Cooperativa, o que foi uma grande vitória para o município graças ao setor rural que é pujante e cresce por si só. No entanto é preciso avançar", acrescenta.

Para ele, ainda faltam políticas públicas consistentes e planejamento eficaz. "Dourados poderia crescer muito mais se tivesse a área rural como aliada, mas o desinteresse do poder público em buscar parcerias e incentivar o campo faz do município um "gigante adormecido".

Nossos representantes precisam entender que nos locais em que se incentiva o setor rural a economia cresce por inteiro e as pessoas têm uma vida melhor. Falta um plano diretor que projete nossa cidade para o futuro. É preciso unir forças com especialistas da área que hoje estão subaproveitados, além de incentivar a tecnologia por meio de estudos, seja acadêmicos ou parceria com a Fundação de Pesquisa e Trabalho, a exemplo de Maracaju, que já conta com a unidade", sugere.

Outro desafio, segundo Angelo, é vencer a baixa exploração de áreas cultiváveis, que no Brasil é de 17% e Dourados não é diferente. "É preciso aumentar essas áreas de plantio para que o campo possa aumentar a produção. É uma saída para o desenvolvimento". Ximenes destaca a importância da futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ser de MS.

"Ela é engenheira agrônoma e não existe nome melhor para ocupar a pasta. Foi uma das melhores secretárias do governo André Puccinelli e já no primeiro mandato de deputada federal assumiu a presidência da Comissão Parlamentar da Agricultura na Câmara, o que demonstra seu prestígio não só em MS mas em todo o Brasil. Agora é hora dos nossos governantes se unirem à classe rural e apresentar boas propostas para o campo, principalmente em Dourados e no resto do Estado", destaca.



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