Artes Cênicas driblam desafios e ilustram cena cultural em Dourados

Em uma década, os estudantes do curso da UFGD vêm ocupando os palcos do Teatro Municipal, Caixa Preta e espaços alternativos como feiras e praças de Dourados

20/12/2018 08h37 - Por: Hakeito Almeida


 
‘O Silêncio de Ophelia’ apresentado neste ano. No elenco, estudantes de Artes Cênicas da UFGD
foto - Franz Mendes ‘O Silêncio de Ophelia’ apresentado neste ano. No elenco, estudantes de Artes Cênicas da UFGD
foto - Franz Mendes

Os espetáculos teatrais, performances e intervenções artísticas produzidos pelos estudantes do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) ilustram a cena cultural da cidade. Com dez anos de existência, a graduação dribla os percalços de quem vive da arte no Brasil, diante de restrições orçamentárias.

"A política cultural em Dourados, bem como em todo o Brasil, tem sofrido com a crise das instituições. Quando ocorre corte de verbas para a Cultura, quando editais são cancelados, o prejuízo não é só dos produtores de arte, mas de toda a sociedade. A melhor forma de contribuir para que a arte continue ativa é participando dela, seja como público, estudante, produtor e, claro, também como patrocinador", opina Braz Pinto Junior, professor e coordenador de Artes Cênicas da UFGD. Ele acredita que a realidade pode ser transformada quando houver incentivo dos poderes públicos, com a contrapartida do patrocinador privado. "Isso pode mudar quando se investe na formação de um público crítico e apaixonado por arte de qualidade", complementa.

Em uma década, os estudantes do curso vêm ocupando os palcos do Teatro Municipal, Caixa Preta do Núcleo de Artes Cênicas (NAC) no campus da UFGD e espaços alternativos como feiras e praças. O intuito é democratizar o acesso à arte, formando novos públicos por intermédio de parcerias com escolas e entidades sociais.

Nesta missão de aguçar a imaginação, sensibilidade e criatividade de plateias, o curso de Dourados marcou presença em 2018 em várias atividades.

"Nossos estudantes têm desenvolvido estágios em instituições de Cultura e Educação, têm participado de pesquisas em assentamentos, nas reservas e atuado em projetos sob supervisão de professores e técnicos em festivais e mostras em todo o país, como o Festival Internacional de Teatro de Dourados (FIT) ou a Mostra de Audiovisual de Dourados (MAD). No mês passado, promovemos a "I Mostra do NAC: da Pesquisa à Cena, da Cena à Comunidade" que se constitui de uma série de sessões de peças que fazem parte dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs)", cita Braz.

O curso da UFGD está em sua décima turma e tem atualmente 120 alunos matriculados. Conta com as modalidades licenciatura e bacharelado e tem duração de quatro anos. Segundo o professor Junior, o mercado de trabalho é amplo e em permanente movimento, com os estudantes ingressantes podendo atuar como professor de Artes de escolas públicas e particulares e no ensino superior, ser produtor teatral, servidor técnico em instituições públicas e em Secretarias de Cultura e Educação. "Temos ex-alunos atuantes em Ongs, agências de comunicação e integrantes de grupos e companhias", aponta Braz.

Arte Coletiva

O ator João Rocha, 29 anos, que concluiu a faculdade de Artes Cênicas da UFGD em 2015 e optou pela Licenciatura em Teatro, enfatiza que durante o período universitário é fundamental a troca de ideias com grupos que fortalecem o alinhamento artístico e a criação autoral da cidade. "Mas o mais importante para a formação do ator é o engajamento nos grupos de base, já que estes possibilitam a verdadeira paixão pela arte de representar e transformar o mundo. Um artista precisa estar ligado na política de seu município. Ser trabalhador da arte é ser antes de mais nada um cidadão", argumenta João, que mantêm desde 2017, o Sucata Cultural, espaço em Dourados no qual são oferecidos aulas de dança, teatro e circo. "Somos um lugar de resistência aos tsunamis contra cidadania cultural de nossa região", pondera.



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