Casos de Aids aumentam 85% em Dourados; campanha alerta população

Dados mostram ainda que o município tem mais de 1,6 mil pessoas com a doença e registrou 26 óbitos esse ano

10/12/2018 07h05 - Por: Valéria Araújo


Entrega de kits e folhetos ocorreu na praça, unidades de saúde e no Posto da Base
foto - prefeitura de Dourados Entrega de kits e folhetos ocorreu na praça, unidades de saúde e no Posto da Base
foto - prefeitura de Dourados

Os casos positivos de Aids já aumentaram quase 85% em Dourados. Foram registrados 65 casos em 2017 contra 120 de janeiro a outubro de 2018. Os dados são do Infecções Sexuais Transmissíveis (IST) de Dourados que revelam ainda 1.607 pacientes cadastrados no Programa e 59 que abandonaram o tratamento. Esse ano 26 pessoas morreram vítimas da doença no município. O assunto toma proporção no "Dezembro Vermelho", mês dedicado ao combate a Aids.

Do total de atendidos pelo Programa, há casos que chamam a atenção como 8 pacientes gestantes, 8 crianças e 19 adolescentes. De janeiro a outubro desse ano foram realizados 1.424 exames. Dos 120 positivos, a maioria dos pacientes são homens com idades entre 18 e 30 anos (90 casos, contra mulheres (30). No ano passado todo, foram registrados 65 casos positivos, sendo 40 homens e 25 mulheres.

O coordenador do IST Emerson Eduardo Correa avalia o crescimento tanto nos casos de Aids como de Sífilis como preocupante. Segundo ele, isso demonstra que as pessoas estão de certa forma, perdendo o medo de se infectar com as doenças sexualmente transmissíveis e por essa razão deixam de se prevenir. O coordenador ressaltou, por outro lado, que o crescimento pode estar relacionado ao acesso facilitado a exames na rede pública. "É o que a gente chama de feedback negativo, em que quanto mais se faz o diagnóstico, mas casos são, obviamente, registrados", destaca, observando que os exames estão disponíveis em todos os postos de Saúde do município e também no programa.

Emerson destaca que o Programa é completo para o atendimento do paciente. "Nossa equipe é formada por 25 profissionais especialistas como médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, dentistas, entre outros e equipe administrativa", destaca, observando que além do atendimentos clínicos o IST também tem um cuidado todo especial com os pacientes que tentam abandonar o tratamento. "A quantidade é mínima e fica em torno de 5%. Ao notarmos que o paciente ficou mais de 60 dias sem buscar o medicamento, já entramos em contato para verificar o que está acontecendo", contou.

Em Dourados a campanha "Fique Sabendo" começou no dia 30 e terminou ontem (9). Durante esse período foram realizadas blitz informativas para caminhoneiros, distribuição de brindes, informativos, preservativos, testes rápidos para HIV, Hepatites Virais e Sífilis em praças, universidades, unidades de Saúde, entre outros espaços públicos.

"Por considerar que a prevenção somente obtém êxito através da mudança de comportamentos, é fundamental a conscientização. Sobretudo, entre os jovens. São 30 anos do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, mas temos visto um avanço da contaminação por HIV na juventude, o que sinaliza a necessidade de intensificar ações de prevenção e conscientização", disse Emerson.

O Brasil registrou uma redução de 16% no número de detecções de Aids nos últimos seis anos, segundo o Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde no último dia 27. Em 2012, a taxa de detecção era de 21,7 casos por cada 100 mil habitantes e, em 2017, foram 18,3, uma queda de 15,7%. Ainda segundo o boletim, nos últimos quatro anos também houve queda de 16,5% na taxa de mortalidade pela síndrome passando de 5,7 mortes por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos em 2017. Atualmente, o Brasil tem 866 mil pessoas portadoras do HIV ou com Aids, segundo estimativa o Ministério da Saúde. Destas, 92% estão com o vírus indetectável.



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