Dourados perde patrimônios históricos

Casa do tempo da colônia agrícola de Dourados. foto - HEDIO FAZAN Casa do tempo da colônia agrícola de Dourados. foto - HEDIO FAZAN

Valéria Araújo

Em ruínas, patrimônios históricos de Dourados desaparecem. As evidências ficam comprovadas em relatório realizado pela Promotoria de Patrimônio Histórico em conjunto com a Fundação de Cultura e Esportes de Dourados (Funced).

É o caso do marco de cimento Presidente Getúlio Vargas, que dividia o perímetro urbano e a Colônia Agrícola de Dourados. O patrimônio foi tombado através da lei 1621 de 7 de junho de 1990 e, segundo o Ministério Público, desapaceu com o tempo.

De acordo com o levantamento, o marco não foi localizado. Para o promotor de Justiça do Patrimônio Histórico, Paulo Cesar Zeni, a falta de manutenção com os marcos de Dourados, não é de agora, mas sim, nos últimos 20 anos. Segundo ele, a partir deste levantamento é possível buscar caminhos para revitalizar os patrimônios de Dourados, e manter viva a história do município.

Ele destaca que em Dourados 20 árvores foram tombadas como patrimônios históricos, porém, parte delas morreram ou foram retiradas. Uma delas, uma figueira localizada na Albino Torraca entre as avenidas Marcelino Pires e Weimar Gonçalves Torres foi derrubada com uma tempestade. Outros quatro exemplares da árvore que estavam localizados na avenida Presidente Vargas, foram retirados. Elas teriam sido tombadas entre 1993 e 2000. Uma delas está cercada por um outdoor e outra teve a base queimada. “Se providências não forem tomadas com urgência a planta poderá morrer”, disse.

 
“O Cruzeiro” estaria deteriorado e sem manutenção há anos. Foto: Hédio Fazan

PROMOTORIA SOLICITA A MANUTENÇÃO DE PATRIMÔNIOS HISTÓRICOS EM RUÍNAS

Outra constatação do levantamento da Funced foi a de que “A Casa de Madeira”, criada através da lei 1.600 de 15 de dezembro de 1989 e o “Cruzeiro” tombado através da lei 1443 de 21 de outubro de 1987, estão em avançado estado de deterioração. De acordo com Paulo Zeni, a casa teria sido invadida e os proprietários já chegaram a criar até mesmo um “puxadinho” no local.

Segundo o promotor quanto ao “sumiço” do marco de Getúlio Vargas, não se tem muito o que fazer. “Não dá para pedir que o marco seja reconstruído ou refeito, porque o simbolo que estava tombado é que tinha valor histórico. O ideal, é que a partir de agora se faça manutenção dos marcos para evitar novas perdas. È a história de Dourados se esvaindo”, destaca.

USINA VELHA

As ruínas que ano a ano tomam conta do que restou da Usina Filinto Muller de Dourados - tombada como patrimônio histórico cultural, viraram objeto de denúncia e ação judicial. É que o Ministério Público Estadual ingressou na Justiça para obrigar o poder público municipal a revitalizar o imóvel.

A medida, segundo documento assinado pelo promotor Paulo Zeni, tem por objetivo tirar do papel propostas apresentadas pelo município para revitalizar, de fato, a Usina. “Apesar de haver dois projetos para a recuperação deste patrimônio histórico, até o presente nada de concreto foi feito para restaurar o imóvel, cuja o valor histórico é incontestável, mas que caminha para a ruína”, alega, observando que a partir de agora, cabe ao judiciário decidir os rumos da usina.

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