Empresas não estão preparadas para atender pessoas com deficiência

Em Dourados pelo menos 10 mil pessoas recebem benefícios que chegam a R$ 9 milhões, porém muitas delas optam por compras pela internet

12/07/2018 06h55 - Por: Flávio Verão


 
Manifesto de cadeirantes para chamar a atenção sobre vagas especiais em Dourados
Foto: A. Frota/Arquivo
Manifesto de cadeirantes para chamar a atenção sobre vagas especiais em Dourados
Foto: A. Frota/Arquivo

A discussão sobre acessibilidade não é nova e embora a Justiça determine que empresas e órgãos públicos façam adaptações para atender pessoas com deficiência, ainda há muito o que melhorar. O presidente do GAP (Grupo de apoio à pessoa com deficiência de Dourados) João Ravazine diz que houve melhorias nos últimos anos, porém ainda está muito longe do ideal.

Último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do ano de 2010, apontou que em Dourados havia 38.918 pessoas com algum tipo de deficiência. Desse total, segundo João, cerca de 10 mil recebem do governo o benefício assistencial LOAS, num valor de aproximadamente R$ 9 milhões. "É um recurso que ajuda a movimentar o comércio, porém como não está preparado, muitos optam a fazer compras pela internet", disse ele.

Muitas empresas tem investido em rampas, no entanto, João diz que boa parte não é feita de acordo com as normas técnicas. Outra questão está no interior, que acaba sendo esquecido. Balcãos não são adaptados e provadores de loja de roupas não estão preparados para receber cadeiras de roda.

Hoje, na Câmara Municipal, às 19h, haverá a 1ª Reunião ampliada da pessoa com deficiência. Haverá debate com a presença do engenheiro Paulo Figueiredo e o psicólogo Thiago Moreira, especialista em saúde pública. Membros do Ministério Público Estadual confirmaram a presença. O evento é promovido pelo GAP e tem como proposta ampliar as discussões sobre acessibilidade.

Estará em pauta a discussão da Lei 13.146 de 6 de julho de 2015, de inclusão nacional da pessoa com deficiência. Foi instituída com o objetivo de assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

"Queremos que a sociedade num todo conheça a lei e se conscientize com um olhar mais humano para as pessoas com deficiência", diz João Ravazine. Ele cita exemplo quem tem baixa visão e que encontra inúmeras dificuldades por onde passa. "E elas são discriminadas", lastima. Outra grande discriminação é com pessoas com autismo. Caracterizada como transtorno mental e podendo ser de vários níveis, são mal interpretadas pela sociedade devido ao comportamento. "E isso acontece. Muitos pais deixam de levar o filho autista em local público porque temem a reação das pessoas", lamenta.

O evento de hoje, de acordo com João Ravazine, não será direcionado a um segmento específico, como o comércio, mas sim a sociedade em geral, para que possa compreender melhor a lei e ser solidária com as pessoas com deficiência.


Envie seu Comentário