Jovens apostam no empreendedorismo para 2019 em Dourados

Os ramos escolhidos vão desde os setores mais conhecidos como o de confecções e o de tecnologia, até os mais ‘diferentes’, como por exemplo, as marmitas congeladas para bebês

09/01/2019 16h30 - Por: Cristina Nunes


O empreendedor Giovany Moya, ao lado da irmã Andressa e funcionárias da loja (Foto: Reprodução Facebook) O empreendedor Giovany Moya, ao lado da irmã Andressa e funcionárias da loja (Foto: Reprodução Facebook)

Empreender não é fácil, mas ser dono do próprio negócio é uma das metas de vida de muita gente. Nesse ano que se inicia muitos jovens douradenses decidiram colocar em prática o empreendedorismo. Os ramos escolhidos vão desde os setores mais conhecidos como o de confecções e o de tecnologia, até os mais ‘diferentes’, como por exemplo, as marmitas congeladas para bebês, no setor alimentício.

O site Dourados Agora entrevistou três jovens que decidiram começar 2019 com o próprio negócio, as histórias servem de inspiração para quem também pretende empreender. O estudante de Direito, Giovany Barreto Moya, de 20 anos, descobriu a paixão pelo empreendedorismo ainda na adolescência e agora já possui três lojas de roupas. A primeira loja negociada, decidiu entregar para a irmã cuidar, mas acabou pegando gosto pelo mundo das confecções e recentemente adquiriu mais duas lojas, na qual ele mesmo gerência.

"Eu acredito que nasci com essa vontade de empreender, desde criança eu sempre gostei de ‘vendas’, com 12 anos comecei a arrumar coisas, terrenos e casas para oferecer a amigos mais próximos. Desde aí as coisas foram dando certo, com 16 anos pedi para os meus pais para me ‘emanciparem’, queria abrir meu próprio negócio, foi quando montei uma sorveteria, porém mantive o negócio por 8 meses apenas, motivo maior de não dar continuidade foi de ficar longe dos meus pais, após isso mantive o foco nos estudos e continuei com as vendas", relatou Giovany.

Após concluir o ensino médio o jovem iniciou a faculdade de Direito, e no mesmo período começou a trabalhar como corretor de imóveis em uma Imobiliária de Dourados. Foi quando o prazer de empreender falou mais alto. "Negociei uma loja no centro da cidade e entreguei nas mãos da minha irmã, que tem o dom de confecções. Nesse período eu conciliei com minha rotina de faculdade e imobiliária", afirmou.

"Tomei gosto por confecção e resolvi abrir mais uma loja em outra cidade, e também deu certo! Passaram mais 2 meses, e com a ajuda de Deus consegui comprar mais uma loja em Dourados no final de 2018", destacou Giovany. Sobre tudo isso, a minha expectativa é de continuar empreendendo no ramo de confecção se assim Deus me permitir, também permanecer com as vendas imobiliárias que é uma paixão e concluir a faculdade de Direito que esse ano adentro no 3º ano.

Mariana Schowantz Beia, de 30 anos, vende marmitas congeladas para bebês. (foto: arquivo pessoal) Mariana Schowantz Beia, de 30 anos, vende marmitas congeladas para bebês. (foto: arquivo pessoal)

Já a jovem Mariana Schowantz Beia, de 30 anos, decidiu inovar e empreender em um ramo ainda pouco explorado, ela vende marmitas congeladas para bebês com foco na introdução alimentar, a comida é caseira sem sal, açúcar ou conservantes. Mariana é contadora, mas não estava se adequando com a rotina exaustante e pouco compensadora.

"Quando engravidei em 2018 comecei a pensar em soluções para o próximo ano, fora da contabilidade e que me permitisse passar mais tempo com minha filha! Sempre me interessei por nutrição e tinha um sobrinho em fase de introdução alimentar na época, então decidi fazer um curso, pesquisas e comecei a fazer marmitas congeladas para ele (foi meu teste), então resolvi fazer disso um negócio próprio", explicou Mariana.

Para a jovem, a maior dificuldade é a inserção no mercado, mas as redes sociais ajudam na visibilidade. "Minha expectativa é ajudar as mães e pais que estão voltando as suas atividades bem no momento que o filho(a) está começando a comer e aí gera ansiedade, dúvidas, o que dar, como arrumar tempo para fazer, etc. Quero ser a pessoa que leva essa alimentação saudável e prática aos bebês", destacou.

Outro jovem que apostou no empreendedorismo para 2019 é o Wesley Sanches Ferreira, de 28 anos, que atua na manutenção e acessórios para aparelhos celulares. "O motivo que me levou ao empreendedorismo foi uma expectativa de crescimento financeiro e de ter um crescimento como pessoa", relatou.

Wesley Sanches Ferreira, de 28 anos, atua na manutenção e acessórios para aparelhos celulares. (Foto: arquivo pessoal) Wesley Sanches Ferreira, de 28 anos, atua na manutenção e acessórios para aparelhos celulares. (Foto: arquivo pessoal)

Wesley reconhece que há dificuldades, mas tem boas expectativas. "Minha maior dificuldade é a competição de preços por ser um ramo de mercado que é de fácil acesso aos produtos muitas pessoas acabam vendendo produtos de baixa qualidade e o custo geralmente baixo e hoje em dia as pessoas buscam preços. Mas, minha expectativa é grande porque queremos oferecer qualidade e preço e aos poucos as pessoas estão vendo que temos produtos de qualidade e preços diferenciados", afirmou.

Desafios e beneficíos do empreendedorismo

O administrador e professor da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Fábio Mascarenhas, afirma que uma das principais vantagens de se empreender é ter liberdade. "Liberdade para criar, inovar, arriscar, buscar novas oportunidades, de se relacionar profissionalmente, conquistar independência financeira, liberdade para ser feliz", enfatizou.

É muito comum hoje em dia as pessoas associarem o ato de empreender com "trabalhar menos, ter mais tempo para si e para sua família, viajar mais e ganhar mais dinheiro", na verdade a diferença entre o empreendedor e um trabalhador de carteira assinada é que o empreendedor terá que dedicar muito mais tempo ao seu negócio.

— Fábio Mascarenhas

Professor de Administração Fábio Mascarenhas (Foto: Arquivo Pessoal) Professor de Administração Fábio Mascarenhas (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar das vantagens, o profissional explica que nem tudo é um mar de rosas. "É muito comum hoje em dia as pessoas associarem o ato de empreender com "trabalhar menos, ter mais tempo para si e para sua família, viajar mais e ganhar mais dinheiro", na verdade a diferença entre o empreendedor e um trabalhador de carteira assinada é que o empreendedor terá que dedicar muito mais tempo ao seu negócio, o retorno financeiro pode demorar meses e até anos para acontecer, estudar constantemente sobre o seu ramo e mercado de atuação, o tempo com a família pode ficar mais escasso e até as viagens de férias podem ser suprimidas dependendo dos casos", frisou Mascarenhas.

Para quem pretende alcançar a tão sonhada liberdade no empreendedorismo, o administrador dá dicas. "Tudo depende de alguns fatores que precisam obrigatoriamente ser levados em consideração para que esta liberdade seja alcançada. A primeira delas é buscar empreender diante de uma atividade que de fato lhe traga prazer, que lhe faça feliz e não apenas pelo retorno financeiro, pois, num primeiro momento pode até ser prazeroso pela independência, mas no logo prazo essa felicidade não se sustenta e perdemos o ingrediente principal, o ânimo", destacou.

"O principal desafio hoje para se ter sucesso como empreendedor é conhecer muito bem o produto, o público e o setor em que escolhemos dedicar todo nosso tempo e esforço. Sendo assim, os primeiros passos para que se tenha maiores chances de sucesso no novo empreendimento é fazer uma ampla e exaustiva pesquisa de mercado para conhecer o produto, o cliente e seus desejos, buscar informações a respeito dos concorrentes, descobrir onde estão os fornecedores e posteriormente elaborar um bom Plano de Negócio com o auxílio do Sebrae, somente após estas obrigatórias etapas é que teremos a certeza de fazer investimentos, só que não para por aí, planejamento é algo que se faz constantemente, mas só planejar não basta, precisamos verificar se está saindo tudo conforme foi previsto, caso contrário precisamos repensar as estratégias", finalizou Fábio.


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