Atividade econômica global deve acelerar no segundo semestre, prevê FMI

14/04/2019 17h09 - Por ONU


 
Indústria na Turquia. Foto: Banco Mundial/Simone D Indústria na Turquia. Foto: Banco Mundial/Simone D

As perspectivas para o crescimento global estão no nível mais baixo desde a crise financeira, mas devem acelerar no segundo semestre de 2019, relatou na terça-feira (9) o Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmando que esse cenário ocorrerá desde que "equívocos políticos que possam prejudicar atividades econômicas" sejam evitados.

A previsão do FMI é de uma expansão global de 3,3% em 2019, e crescimento de 3,6% para o ano seguinte, de acordo com o relatório anual Perspectivas da Economia Mundial.

O crescimento deve ser impulsionado por ajustes de políticas monetárias nas principais economias.

Para o Brasil, a projeção é de crescimento de 2,1% este ano e de 2,5% no ano que vem. Segundo o FMI, a prioridade para o país deve ser conter a crescente dívida pública, garantindo que os necessários gastos sociais continuem intactos.

"O teto de gastos introduzido em 2016, que visa uma melhora de 0,5% do PIB anual no resultado primário, é um passo na direção certa rumo a facilitar a consolidação fiscal", afirmou o documento.

"No entanto, é necessário um maior ajustamento antecipado, particularmente cortes na reforma da massa salarial pública e da Previdência para conter as despesas crescentes – protegendo, ao mesmo programas para os vulneráveis."

Segundo o FMI, com a inflação ainda perto do centro da meta, a política monetária pode permanecer acomodatícia para apoiar a demanda agregada de acordo com a necessidade.

"A partir das recentes reformas trabalhista e no crédito subsidiado, os esforços para melhorar a infraestrutura e a eficiência da intermediação financeira ajudaria a elevar a produtividade e impulsionar as perspectivas de crescimento a médio prazo".

O organismo internacional também destacou uma perspectiva de melhora para as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, além de mais ações de política monetária acomodatícia por parte do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

As expectativas eram diferentes neste período no ano passado, quando o FMI notou crescimento econômico acelerado em quase todas as regiões e previu uma expansão de 3,9% para 2019.

A conselheira econômica e diretora do Departamento de Pesquisas do FMI, Gita Gopinath, disse ser um "momento delicado" em termos da economia global.

Em publicação em blog, ela destacou que a perspectiva mais atenuada reflete revisões negativas para diversas grandes economias, incluindo Austrália, Canadá, Zona do Euro, América Latina, Estados Unidos e Reino Unido.

A projeção para o crescimento global em 2020 é de recuperação, à medida que economias em desenvolvimento pressionadas, como Argentina e Turquia, se recuperarem. Para além de 2020, o FMI prevê forte crescimento, liderado por China e Índia.

O crescimento em economias avançadas, no entanto, deve desacelerar, à medida que o impacto do estímulo fiscal dos EUA enfraquece.


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