Brasil deve se tornar 2º maior exportador global de milho, diz FAO

17/05/2019 09h01 - Por ONU


 
Produção de milho no Brasil. Foto: Agência Brasil/Elza Fiúza Produção de milho no Brasil. Foto: Agência Brasil/Elza Fiúza

As primeiras indicações para a safra 2019-2020 mostram que as exportações de milho do Brasil chegaram a 29,5 milhões de toneladas, 15% a mais do que no biênio 2018-2019, de acordo com o mais recente panorama global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Divulgada neste mês, a publicação revela que o volume exportado e as estimativas futuras tornariam o Brasil o segundo maior exportador de milho do mundo, atrás apenas dos EUA.

De acordo com o levantamento da FAO, ao longo da última década, a produção e a exportação brasileiras de milho tiveram um boom fantástico.

A produção total, por exemplo, aumentou de pouco menos de 52 milhões de toneladas em 2007-2008 para quase 98 milhões de toneladas em 2017-2018.

O crescimento na produção permitiu que o país aumentasse suas exportações de milho quase continuamente, alcançando 36 milhões de toneladas em 2015-2016.

Nessa época, os produtores brasileiros capturaram quase 26% de participação no mercado mundial.

Uma década antes, o Brasil exportava apenas 6 milhões de toneladas — o que representava menos de 1% do total global.

De fato, o Brasil se tornou — por um tempo — o maior exportador de milho do mundo em 2012-2013, quando uma estiagem severa prejudicou a safra de milho nos EUA.

As remessas de milho do Brasil para a Ásia saltaram de 1,5 milhão de toneladas, em 2007-2008, para um pico de 27 milhões de toneladas em 2015-2016.

O país sul-americano conseguiu fazer incursões notáveis ​​em mercados importantes como Irã, Japão, Coreia, Vietnã e Malásia.

Na África, onde as exportações de milho do Brasil expandiram de zero para pouco menos de 5 milhões de toneladas em menos de uma década, cerca de 30 países se tornaram compradores do milho brasileiro. A clientela é liderada pelo Egito, Marrocos e Argélia.

Causas do aumento

De acordo com o relatório da FAO, as novas variedades de milho, a expansão da produção para regiões de maior produtividade em Mato Grosso, a capacidade climática do país de produzir duas safras no mesmo ano, as mudanças geográficas na alimentação do gado e o apoio governamental direcionado estão entre os principais fatores que contribuíram para um rápido aumento da produção de milho no Brasil na última década.

A evolução dos mercados de câmbio também impulsionou a expansão robusta das exportações de milho. O contínuo enfraquecimento do real ajudou os exportadores a permanecerem competitivos e a expandir seus mercados muito além dos países vizinhos da América Latina, alcançando a Ásia e a África.

Papel do Norte no escoamento da produção

Durante a última década, outro fator que colaborou para o papel emergente do Brasil como principal exportador mundial de milho foi a forte estratégia de investimento, apoiada pelo governo, para desenvolver portos e infraestrutura de transporte.

Segundo a FAO, as mudanças no marco regulatório do país favoreceram as parcerias público-privadas na expansão rodoviária e ferroviária, bem como na melhoria da capacidade dos portos.

Os novos desenvolvimentos na fronteira agrícola centro-oeste, onde mais de dois terços da soja e milho do país são produzidos, impulsionaram o transporte de mercadorias para o Norte.

Como o deslocamento para essa região envolvia uma distância muito menor do que para os portos mais ao sul, houve redução dos custos de exportação e do tempo de entrega.

A agência da ONU lembra que, nos últimos anos, novos terminais se tornaram operacionais na chamada área do porto do Arco Norte. Isso aumentou a participação da região no transporte de grãos.

Em 2017-2018, os embarques desses portos atingiram 10 milhões de toneladas, representando um aumento acentuado em comparação com os menos de 500 mil quilos registrados em 2011-2012 — biênio em que os terminais do Norte transportaram 9% do total de milho exportado do Brasil.

Em 2017-2018, essa fatia subiu para 34%.

Os novos terminais no Norte oferecem oportunidades de mercado muito melhores para os compradores da América Central, Ásia e África, reduzindo custos de frete e aumentando a competitividade do milho cultivado em Mato Grosso, Tocantins e Pará — todas importantes áreas produtoras no Norte e Centro-Oeste do país.

Ciclos sazonais e exportações

As exportações de milho do Brasil também mudaram seu padrão sazonal. Desde 2010, uma parte crescente do milho foi exportada de agosto para janeiro, o que coincide com os meses de colheita do milho da segunda safra (a "safrinha"), quando os estoques do Hemisfério Norte estão normalmente no auge.

Isso gerou uma competição mais acirrada com outros grandes exportadores — em particular, os EUA.

No Brasil, os embarques de março a julho permanecem relativamente pequenos, representando pouco mais de 2% das exportações anuais, enquanto o período de agosto a janeiro agora responde pela maior parte da atividade comercial do país.

Nesse intervalo, as exportações a cada mês chegam a representar mais de 12% do total.


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