Setor aéreo investe em novas tecnologias para diminuir emissão de gases

25/11/2018 13h06 - Por Agência CNT de Notícias


 
Foto: Crédito AdobeStock Foto: Crédito AdobeStock

Entre julho de 2017 e junho de 2018, o número de passageiros pagantes, embarcados em voos domésticos e internacionais regulares e não regulares operados por companhias aéreas brasileiras chegou a 100,87 milhões, conforme a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Ter uma frota nova de aviões faz toda a diferença quando o assunto é emissão de gases poluentes.

De acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), a média de idade dos aviões brasileiros é 7,4 anos.

Segundo o consultor técnico da entidade, Rogério Benevides, é uma frota considerada jovem, mostrando que o Brasil está na vanguarda em termos de diminuição de consumo de combustível e de geração de CO2.

"A aviação é o primeiro setor industrial que tem um programa de neutralização do crescimento do nível de CO2 a partir de 2020.

No Brasil, por questões de mercado, temos uma frota jovem, e isso traz um ganho para a diminuição do consumo e da emissão de gases devido às novas tecnologias dos aviões.

Além disso, todas as empresas brasileiras possuem iniciativas de sustentabilidade consistentes", conclui.

Esse é o caso da empresa aérea Azul, que vem adotando práticas sustentáveis em três frentes, com aviões que consomem menos, programa de reciclagem a bordo e uso de geradores de solo, conforme ressalta o vice-presidente técnico operacional da empresa, Flavio Costa.

"Nossos aviões A320neo, que já estão voando pelos céus do Brasil, consomem menos combustível que a geração atual. Os A330neo, que começam a ser operados em dezembro, também têm consumo menor.

A companhia realiza o programa ReciclAzul, de reciclagem a bordo, que teve início em 2015 e já coletou e reciclou mais de 25 toneladas de latas de refrigerantes e outros materiais gerados no serviço de bordo da companhia."

Segundo ele, a terceira iniciativa é a ampliação do uso dos geradores de solo (GPU), em vez dos geradores auxiliares das próprias aeronaves (APU).

"Assim, enquanto nossos aviões estão em solo, os sistemas elétricos utilizam fonte de energia renovável para se manterem ligados. Desse jeito, diminuímos ainda mais as emissões de gases na nossa operação", conclui.

A companhia aérea Latam informa que, entre as iniciativas para diminuir as emissões de gases, em 2017, a empresa reduziu a emissão de carbono global em 2,46%.

A redução foi de 13,21% desde 2012. No mesmo ano, houve redução de 36,6% das emissões de suas operações terrestres, considerando o acumulado desde 2012.

A empresa também cita que, para alcançar zero carbono até 2020 em suas operações, a Latam anunciou recentemente que irá utilizar 100% de energia renovável em suas operações no aeroporto de Santiago, no Chile, a partir de novembro.

Já a Avianca Brasil vem atuando em três frentes para reduzir as emissões de gases e seu impacto ao meio ambiente, explica a coordenadora administrativa e de meio ambiente da empresa, Rosemeire Morais.

"Para reduzir o consumo de combustível nas operações de solo e voo, são utilizados equipamentos de suporte que auxiliam na redução do tempo de uso do motor.

Para diminuir as fases de voo, é feita uma adequação do consumo no taxiamento conforme características operacionais de cada aeroporto.

Além disso, contamos com a chegada das novas aeronaves A320neo, que possuem motor mais eficiente e que apresentam menor consumo de combustível", finaliza.

A reportagem também fez contato com a empresa Gol, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

As diminuições das emissões na aviação seguem as diretrizes estabelecidas pelo Acordo de Paris, que tem como objetivo conter o aquecimento do planeta.

A Icao (Organização Internacional da Aviação Civil) está promovendo quatro iniciativas principais: produção de aeronaves mais silenciosas, gestão do terreno em torno dos aeroportos de modo sustentável, adoção de metodologias operacionais que possam diminuir o impacto do ruído no solo e introdução de restrições operacionais.

Para atuar de forma consonante com as demandas da Icao, a fabricante de aviões Boeing vem trabalhando principalmente na produção de aviões menos poluentes, como destaca o diretor-geral do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Boeing no Brasil, Antonini Puppin Macedo.

"A aviação comercial descobriu que os acordos internacionais desenvolvidos pela Icao são a maneira mais eficaz de coordenar e regular as viagens aéreas, desde a Convenção de Chicago em 1944.

Estamos comprometidos principalmente por meio do desenvolvimento de novas aeronaves mais eficientes. Como exemplo, podemos citar o 787, o 737 MAX e o 777X.

Eles reduzem o uso de combustível e as emissões de dióxido de carbono em, aproximadamente, 20% em comparação com os modelos de aviões anteriores", finaliza.

Já a fabricante de aviões brasileira Embraer destaca que vem atuando em melhorias aerodinâmicas para reduzir o consumo de combustível e ter motores mais eficientes.

A empresa destaca, por meio de nota, que a nova família de jatos comerciais E2 traz uma redução de até 25% no consumo de combustível quando comparado à primeira geração.

Outro fato citado é a parceria feita em 2012 com a empresa aérea Azul, na qual um avião E195 realizou um voo de demonstração com um biocombustível produzido a partir da cana de açúcar. ​


Envie seu Comentário