Deputados divergem sobre regra para registro de agrotóxicos

13/03/2019 18h02 - Por Agência Câmara Notícias


 
Najara Araujo/Câmara dos Deputados / Ordem do dia para discussão e votação de diversos projetos. Dep. Alexandre Padilha (PT - SP)
Alexandre Padilha quer impedir com seu projeto a liberação de 60 novos agrotóxicos Najara Araujo/Câmara dos Deputados / Ordem do dia para discussão e votação de diversos projetos. Dep. Alexandre Padilha (PT - SP)
Alexandre Padilha quer impedir com seu projeto a liberação de 60 novos agrotóxicos

O Projeto de Decreto Legislativo 43/19 susta três atos do Ministério da Agricultura sobre novos registros de agrotóxicos no Brasil.

Autor da proposta, o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) quer impedir a liberação de cerca de 60 novos agrotóxicos que chegaram ao mercado desde o início do governo Bolsonaro.

Ele argumenta que alguns produtos têm o uso proibido nos Estados Unidos e na União Europeia e que há riscos de sanções comerciais à agricultura brasileira.

Além disso, Padilha, que é médico e ex-ministro da Saúde, alerta sobre danos à população.

O deputado denuncia o que chama de "aumento abusivo no registro de novos agrotóxicos" no Brasil.

Em 2005, por exemplo, surgiram apenas cerca de 90 produtos no mercado. O número subiu para 150 em 2015 e deu um salto para 450 em 2018, no governo Michel Temer.

"Em algumas situações, é um produto novo, em outras é a ampliação da autorização de uso do produto para ser utilizado em mais culturas.

E a grande maioria deles tem substâncias com relação direta com câncer e impacto ambiental", alertou.

Padilha considera abusiva a postura do Ministério da Agricultura e sugere que seja apurada. "Tenho certeza de que boa parte desses registros não passou pelos procedimentos adequados", denunciou.

O deputado Alexandre Padilha cita, por exemplo, pesquisa recente da Fiocruz que mostra que o brasileiro ingere, em média, 7,5 litros de agrotóxico por ano sem saber.

Rapidez

Para o novo coordenador da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), os atos do Ministério da Agricultura visam apenas corrigir a atual demora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na análise de "defensivos agrícolas".

Segundo Moreira, o argumento de que alguns produtos liberados estão banidos em outros países não passa de "chavão da esquerda para enganar ignorantes".

"Quem está fazendo uma campanha dessa natureza está servindo aos interesses do capital internacional, que não quer ter o Brasil como concorrente na fronteira agrícola", denunciou.

Moreira informou que o objetivo é autorizar o uso de produtos já certificados e utilizados no mundo inteiro com pesquisas científicas comprovadas.

"Sem que, para isso, tenha que se mandar para Anvisa e ficar esperando por dez ou 12 anos", disse.

Divergências

Os agrotóxicos também são tema de dois projetos de lei bem divergentes, já prontos para votação no Plenário da Câmara.

Um deles (PL 6299/02) facilita a liberação de novos pesticidas, mesmo sem testes conclusivos dos órgãos ambientais (Ibama) e de saúde (Anvisa).

Já o outro (PL 6670/16) vai em linha oposta e cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, com foco no apoio a modelos agroecológicos, menos dependentes de insumos químicos para o controle de pragas e doenças agrícolas.

 
Luis Macedo/Câmara dos Deputados / Reunião com o secretário da Previdência, Rogério Marinho, para conversa sobre a reforma da Previdência, em especial, a aposentadoria rural. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira
Alceu Moreira reclama da morosidade da Anvisa que, segundo ele, leva até 12 anos para certificar defensivos agrícolas Luis Macedo/Câmara dos Deputados / Reunião com o secretário da Previdência, Rogério Marinho, para conversa sobre a reforma da Previdência, em especial, a aposentadoria rural. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Alceu Moreira
Alceu Moreira reclama da morosidade da Anvisa que, segundo ele, leva até 12 anos para certificar defensivos agrícolas

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