15/05/2013 16h46 - Atualizado em 15/05/2013 16h46
Assessoria
O senador Delcídio do Amaral (PT/MS) defende a criação de uma subcomissão no Senado para acompanhar e cobrar do governo federal a execução de ações para recuperar o Rio Taquari, um dos mais importantes do Pantanal, que há anos sofre um longo processo de assoreamento.
“A sugestão é adotar no Congresso um procedimento parecido ao utilizado na questão da Usina de Belo Monte : criar um grupo de trabalho formado por parlamentares para acompanhar e cobrar do governo a implementação de uma série de ações que serão muito importantes para toda a região. Não vamos perder essa oportunidade. Acabou o tempo da filosofia. Não se precisa mais pensar o que pode ser feito para recuperar o Taquari . Isso já foi amplamente estudado, a Embrapa se posicionou claramente. E se alguém tiver alguma dúvida, é só perguntar a um pantaneiro que ele sabe qual a solução que se deve adotar”, disse Delcídio nesta quarta-feira, 15 de maio, durante audiência pública promovida pela Comissão Regional de Desenvolvimento Agrário do Senado para debater o assunto.
Delcídio destacou que o assoreamento do Taquari é maior acidente ambiental do Brasil e precisa ser resolvido.
“Tudo começou quando o governo estimulou a abertura de novas fronteiras agrícolas no final dos anos 1970. Dali em diante, com a migração e a expansão das áreas plantadas com grãos na região do Planalto, as barreiras naturais desapareceram. Com isso, a chuva arrastava material orgânico dos campos e levava , pela drenagem natural , diretamente para o Taquari. Hoje, o rio não tem quase navegabilidade, a fauna e a flora acabaram. Quem vivia nas áreas ribeirinhas não tem mais condição de se sustentar e muitas áreas produtivas voltadas para a pecuária foram abandonadas porque não há mais condição de se criar gado. Foi feito um estudo há mais ou menos cinco anos, junto com o Ministério da Integração, para definir as alternativas para resolver essa questão, considerando a dragagem do rio, a recuperação da mata ciliar nas margens , inclusive usando uma tecnologia na qual se escava o rio, se acondiciona o material escavado em sacos de geo-tecido e planta por cima a matéria vegetal. É um projeto importante e que pode recuperar economica, social e ambientalmente a região, e precisa ser colocado em prática”, acredita o senador.
Recursos - Delcídio lembrou que quando foi relator do Orçamento da União, colocou recursos no Ministério da Integração para dar início ao processo de recuperação do Taquari, mas o governo federal preferiu investir poucos recursos em alguns municípios para ajustar um problema de erosão.
“Mas tem que se levar em conta que este é um projeto de país, de resgate principalmente de uma região muito abalada e que, se nada for feito outras áreas produtivas podem ter prejudicadas as suas atividades, e isso é muito ruim “, advertiu
O senador disse que sucessivos ministros e ministras do Meio Ambiente só cuidaram da Amazônia, esquecendo-se de um dos biomas mais extraordinários do planeta, o Pantanal.
“Muitos querem financiar o trabalho de recuperação do Rio Taquari. São instituições financeiras internacionais, grandes empresas que olham essa questão do resgate ambiental, do seqüestro de carbono , enfim, uma série de desdobramentos numa atividade racional, competente e bem desenvolvida nessa região, mas parece faltar vontade política”, lamentou.
Também participaram da audiência o presidente do SOS Taquari, Daniel Marinho, Pedro Lacerda , secretário de Produção Ambiental da Prefeitura de Corumbá, Emiko Kawakani de Resende , chefe-geral da Embrapa Pantanal, Luciano Aguilar Rodrigues Leite , presidente do Sindicato Rural de Corumbá, vereadora Cristina Lanza , de Corumbá, e Ruivaldo Nery de Andrade - presidente da Associação de Pequenos Produtores do Rio Taquari.
