19/09/2013 08h24 - Atualizado em 19/09/2013 08h24
Renan Nucci
"Os banqueiros são grandes exploradores de seus funcionários", afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários de Dourados e Região (Seeb/MS), Janes Estigarribia. Nesta quinta-feira, a categoria deflagrou greve por tempo indeterminado, em busca de melhores condições de trabalho.
Segundo Janes, as paralisações são a única maneira que os trabalhadores têm para conseguir atingir a classe patronal. "Quando há paralisações, o serviços diminuem e consequentemente os lucros também. Então os banqueiros se veem obrigados a procurar uma saída. Mas isso sempre demora", disse.
Ele comenta que as empresas tentam vencê-los pelo "cansaço". "Para se ter uma ideia, aprovamos a greve no dia 12, e passada uma semana, nenhum representante nos procurou para tentar uma negociação. Acredito que o cenário será este por um bom tempo", lembrou.
No segundo trimestre deste ano, a lucratividade das organizações financeiras chegou a marca dos R$ 17,1 bilhões, expansão de 46,6% em relação ao mesmo período de 2012, quando alcançou R$ 11,69 bilhões. O crescimento é extraordinário se comparado ao resultado geral. O lucro acumulado das 316 empresas de capital aberto foi de R$ 28,86 bilhões, alta de 18,4%.
Ainda de acordo com Janes, isso é fruto do trabalho dos funcionários que são constantemente assediados. "O trabalhador vive sobre pressão, além de acumular um grande número de funções, ele tem que se dividir para bater as metas exigidas pela empresa. Alguns bancos, quando souberam da greve, quiseram obrigar os colaboradores a adiantarem as metas, antes que a paralisação começasse. Isso é um absurdo. Ganham tanto dinheiro e não respeitam a própria mão-de-obra", ressaltou.
Atendimento Comprometido
O atendimento ao público nas agências bancárias de Dourados ficam comprometidos a partir desta quinta-feira. Segundo Janes Estigarribia a paralisação teve 100% de adesão pela categoria, por isso, não haverá atendentes nesse período. “Inicialmente os atendimentos estão completamente parados, mas em breve seremos orientados pela Justiça a remanejar alguns trabalhadores durante a greve. Os serviços essenciais serão mantidos”, comentou.
Ele explica que no momento, o público terá acesso apenas ao autoatendimento. “Por enquanto somente os caixas eletrônicos vão funcionar. Mas se por acaso der algum problema nas máquinas, ou então acabar os envelopes, papeis e cédulas, por exemplo, não haverá previsão para que tudo seja normalizado. Entretanto, nesse período do mês o movimento é menor. A situação vai ficar um pouco complicada depois do dia 25, até o próximo dia 15”, disse.
Segundo o Sindicato, o anúncio da greve é a forma de pressionar a Federação Nacional de Bancos (Fenaban). Até agora, os banqueiros apresentaram proposta de reajuste linear para salários, pisos e benefícios de 6,1%. O índice não repõe nem a inflação do período, projetada em 6,6% pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A proposta passa longe da reivindicação dos trabalhadores que pedem 11,93%, sendo 5% de aumento real.
