07/05/2013 08h05 - Atualizado em 07/05/2013 08h05
Comunidade escolar faz releitura das obras - poemas e músicas do brasileiro Vinícius de Moraes, que ficou conhecido pelo carinhoso apelido de "Poetinha", atribuído a ele pelo músico Tom Jobim
Douradosagora
A comunidade da Escola Estadual Floriano Viegas Machado vive de poesia. Hoje e amanhã tem Vinícius de Moraes, "Poetinha" aclamado por Tom Jobim.
Poemas e músicas inspirados no compositor de "Garota de Ipanema", entre outros sucessos internacionais, estão na programação da 1ª Fliv - Feira de Literatura da Escola Viegas.
De acordo com a direção, comandada por Darcísio Rodrigues de Morais, o objetivo é incentivar a leitura e produção literária, já que a arte-educação desperta a criatividade e ajuda a revelar qualidades potenciais dos estudantes.
De acordo com a professora Deumeires de Morais, toda escola formada por cerca de 1.200 estudantes está envolvida no projeto Fliv, em comemoração ao centenário de nascimento de Vinícius de Moraes. Os preparativos começaram há semanas, com debates em salas de aula em torno da vida e obras do "Poetinha" que influenciou gerações com suas canções e poesias acerca da vida e do pensamento humano.
Na programação desta manhã tem participação especial do cantor Nildo Pacito, na quadra da Escola Viegas. O autor de sucessos como "Meu Mato Grosso do Sul" vai se apresentar às 10h. Os eventos prosseguem até amanhã, das 8h às 21h, abertos à comunidade escolar e instituições como a Clarice Bastos Rosa, entre outras.
MARCUS VINITIUS
Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes, nascido em 19 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro, mudou o nome para Vinicius de Moraes. Filho de Lydia Cruz de Moraes, exímia pianista, e de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta bissexto, Vinicius foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor.
Ele morreu em 9 de julho de 1980 deixando um legado de músicas, poemas e poesias que, em 2011, inspirou a escola Império Serrano na avenida com o enredo : "A Benção, Vinicius".
"Teu Nome Maria Lucia" - por Vinícius de Moraes
Teu nome, Maria Lúcia / Tem qualquer coisa que afaga / Como uma lua macia/ Brilhando à flor de uma vaga.
Parece um mar que marulha /De manso sobre uma praia/ Tem o palor que irradia/ A estrela quando desmaia.
É um doce nome de filha/ É um belo nome de amada/ Lembra um pedaço de ilha/ Surgindo de madrugada.
Tem um cheirinho de murta/ E é suave como a pelúcia/ É acorde que nunca finda/ É coisa por demais linda/
Teu nome, Maria Lúcia...
"Soneto de Fidelidade" - Vinícius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento/ Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto/ Que mesmo em face do maior encanto/Dele se encante mais meu pensamento/
Quero vivê-lo em cada vão momento/E em seu louvor hei de espalhar meu canto/ E rir meu riso e derramar meu pranto/Ao seu pesar ou seu contentamento/
E assim, quando mais tarde me procure/Quem sabe a morte, angústia de quem vive/ Quem sabe a solidão, fim de quem ama/Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure.
"Eu não existo sem você" - Vinícius de Moraes
Eu sei e você sabe/ já que a vida quis assim. Que nada nesse mundo levará você de mim. Eu sei e você sabe que a distância não existe.
Que todo grande amor/ Só é bem grande se for triste.
Por isso, meu amor/ Não tenha medo de sofrer/ Que todos os caminhos me encaminham pra você/ Assim como o oceano só é belo com luar.
Assim como a canção só tem razão se se cantar/Assim como uma nuvem só acontece se chover. Assim como o poeta só é grande se sofrer.
Assim como viver sem ter amor não é viver/ Não há você sem mim. Eu não existo sem você




