"A falta de profissionais capacitados e de planejamento dos governos estaduais e municipais, que não instalam centros especializados, impede que o tratamento de lipoatrofia facial seja estendido a todos os pacientes com aids na rede pública de saúde do País", disse na sexta-feira, o dermatologista e consultor do Ministério da Saúde, Márcio Soares Serra.
O distúrbio provoca perda de gordura na face. As informações são da Agência Brasil. Leia a reportagem na íntegra.
A técnica repõe o volume de gordura perdido no rosto de soropositivos. O assunto foi tema de palestra de Serra , que começou hoje, no Rio de Janeiro.
Há dois anos, o dermatologista vem treinando médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer o preenchimento facial de forma gratuita, como prevê a Portaria 2.582/2004 do ministério, que incluiu cirurgias reparadoras para pacientes com aids na tabela do SUS.
O grande problema, segundo o dermatologista, é que o preenchimento é feito com um material permanente “e nem todos os profissionais têm habilidade para fazer isso, tornando o procedimento mais lento e o aprendizado mais demorado”.
A falta de material para a rede pública é outro problema que dificulta o avanço do tratamento em todo o Brasil.
A substância empregada é o metacrilato, pó acrílico é colocado no gel para que possa ser injetado sob a pele.
A escassez de centros especializados também é outro problema que limita o acesso ao tratamento.
No Rio de Janeiro, apenas a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital Geral de Bonsucesso oferecem esse serviço.
São Paulo é o Estado com o maior número de municípios com unidades de saúde capacitadas.
Em Fortaleza e Cascavel (PR), também existem centros com essa finalidade. “Então, aos poucos, a gente está tendo isso pelo Brasil”, disse Serra.
O médico também destacou a importância do tratamento para a recuperação da autoestima de pessoas com aids.
“Já tive dois pacientes que conseguiram emprego depois que fizeram o preenchimento facial. Quando volta a ter uma fisionomia normal, o indivíduo se sente confiante para voltar à vida”, afirma.
De maneira geral, na maior parte dos pacientes e dependendo do grau de atrofia, o preenchimento facial é feito em duas ou três sessões. Na rede privada, dependendo do profissional, o custo do tratamento oscila entre R$ 1.400 e R$ 3 mil.(Agência Brasil)