Moradores reclamam de esgoto a céu aberto
Ana Paula Amaral
Moradores da rua General Garrone Ramão Veloso, que fica atrás do presídio de regime semiaberto, na Vila Planalto, reclamam do vazamento de esgoto do estabelecimento. A reportagem do O PROGRESSO esteve ontem no local e constatou que, devido ao vazamento, a rua fica tomada de água oriunda do esgoto. Além de tornar a rua quase intransitável, o mau cheiro também incomoda os moradores que dizem já ter recorrido até à Vigilância Sanitária para resolver o problema. A Sanesul informou que a interligação da rede de esgoto será feita hoje.
A professora Andréa Andrade mora no local desde janeiro deste ano e, mesmo em poucos meses, já viveu de perto o problema por várias vezes. Segundo ela, a situação piora nos dias mais quentes, quando o maucheio fica muito forte. Ela disse ainda que a rua fica alagada, o que dificulta o trânsito de bicicletas e motos pelo local. “Nem entro com meu carro na garagem porque senão este líquido vem nos pneus e a gente acaba trazendo para dentro de casa”, reclama.
A professora, que vive no local com a família, reclama que a situação da rua restringe até mesmo as brincadeiras do filho de quatro anos. “Ele não pode brincar na rua ou andar de bicicleta porque não tem a menor condição. Estes dias, ele acabou tendo contato com esta água e formou uma ferida na pele”, acrescenta. Uma outra pessoa, que preferiu não ter o nome divulgado, disse que a mãe mora na mesma rua e também sofre com o esgoto a céu aberto. “O mau cheiro é muito forte e ninguém suporta. Já recorremos a vários órgãos, mas até agora o problema não foi resolvido”, informou. Segundo os moradores, constantemente um caminhão contratado pelo semiaberto faz a desobstrução do esgoto, mas o problema volta a aparecer alguns dias depois.
ESGOTO
A reportagem apurou que o problema é provocado devido à falta de estrutura do prédio, inicialmente uma escola e que hoje acolhe a pelo menos 214 internos. No prédio não há rede de esgoto, mas sim uma fossa, cuja capacidade sempre chega ao limite.
Orientada pelos técnicos da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), a direção construiu uma caixa de esgoto, que será interligada à rede que passa pela rua. Ontem, o supervisor operacional da estatal, José Wilson Ferreira de Lira, disse que a previsão é que o serviço seja executado ainda hoje. Segundo ele, esta interligação é simples e pode facilmente ser realizada em duas horas de serviço. O supervisor garantiu que, com a interligação direta à rede de esgoto, o problema não voltará a se repetir porque todo o fluxo do semiaberto será despejado diretamente na rede.
SEDE PRÓPRIA
Parece que a vida do presídio semiaberto em meio a área nobre residencial, em Dourados, está com os dias contados. Ontem, a reportagem foi informada de que o Departamento Penal Nacional autorizou a construção da sede própria com capacidade para 500 internos, nos moldes do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, que existe em Campo Grande. A obra, que deve ser iniciada em novembro de 2011, conta com recursos na ordem de R$ 6,7 milhões do Fundo Penal, da União, com contrapartida do Governo do Estado.


